Na tarde de domingo, 25 de janeiro de 2026, um episódio incomum e grave marcou o encerramento de uma mobilização política em Brasília. Durante a concentração final de apoiadores que acompanhavam a caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, uma descarga elétrica atingiu a área onde centenas de pessoas aguardavam o término do ato, no Eixo Monumental, região central da capital federal. O evento ocorria sob forte instabilidade climática, com chuva intensa, céu carregado e sucessivas trovoadas desde o início da manhã.
Segundo relatos colhidos no local, o grupo estava reunido próximo à Praça do Cruzeiro quando uma sequência de relâmpagos começou a se intensificar. Em meio à chuva, uma descarga elétrica atingiu uma estrutura metálica ou um poste nas proximidades dos manifestantes. A corrente se espalhou rapidamente pelo solo molhado e alcançou diversas pessoas que estavam próximas umas das outras, muitas delas segurando bandeiras, celulares e objetos metálicos.

Testemunhas afirmaram que houve um clarão intenso seguido de um estrondo alto, imediatamente acompanhado por gritos e correria. Algumas pessoas caíram no chão, outras apresentavam sinais de choque elétrico, tontura e queimaduras leves nos braços e pernas. O pânico se espalhou entre os participantes, que tentaram se afastar do ponto atingido enquanto buscavam abrigo improvisado da chuva.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foram acionados em poucos minutos. Ambulâncias se posicionaram em diferentes pontos do Eixo Monumental e um atendimento emergencial foi montado no próprio local para triagem inicial das vítimas. De acordo com as primeiras informações oficiais, entre quinze e mais de trinta pessoas receberam atendimento médico, com quadros variando de mal súbito e queda por susto até sintomas compatíveis com descarga elétrica, como dormência, formigamento, queimaduras superficiais e arritmia transitória.
Parte dos feridos foi encaminhada a hospitais da rede pública, incluindo unidades da Asa Norte e da região central de Brasília. Profissionais de saúde relataram que a maioria apresentava quadro estável, mas pelo menos alguns pacientes exigiram monitoramento cardíaco e observação prolongada por risco de complicações decorrentes da eletrocussão. Não houve confirmação de mortes até o fechamento das primeiras apurações.
O ato fazia parte da etapa final de uma caminhada iniciada dias antes em Minas Gerais, com destino à capital federal, reunindo apoiadores em defesa de pautas políticas ligadas a críticas ao Judiciário e à situação de presos relacionados aos eventos de 8 de janeiro de 2023. O deputado estava previsto para discursar no local pouco depois do momento em que ocorreu a descarga elétrica, mas a programação foi interrompida por razões de segurança.
Meteorologistas explicaram que o Distrito Federal vivia naquele dia um cenário típico de verão, com formação de nuvens carregadas no período da tarde e alto índice de descargas atmosféricas. Especialistas ressaltaram que áreas abertas, com concentração de pessoas e presença de estruturas metálicas, representam risco elevado durante tempestades, sobretudo quando o solo está encharcado e favorece a condução elétrica.
As autoridades do Distrito Federal iniciaram levantamento técnico para identificar o ponto exato atingido pelo raio e avaliar se houve falha em sistemas de proteção ou ausência de orientação para suspensão do evento diante das condições climáticas adversas. O episódio reacendeu o debate sobre protocolos de segurança em manifestações ao ar livre e sobre a necessidade de monitoramento meteorológico em tempo real para grandes aglomerações.
Até o fim da noite, os organizadores do ato não haviam divulgado balanço oficial consolidado, e os órgãos de saúde seguiam atualizando o estado clínico das vítimas atendidas. O caso foi tratado como acidente natural, sem indícios de falha humana direta, mas permanece sob acompanhamento das autoridades locais.