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Síndrome de pica, o transtorno alimentar que leva à ingestão de substâncias não comestíveis e seus riscos ocultos

Curiosidades

A síndrome de pica é um distúrbio alimentar no qual o indivíduo sente vontade persistente de consumir substâncias que não têm valor nutritivo – por exemplo terra, gelo, papel, gesso, metal ou plástico. Esse comportamento deve durar pelo menos um mês para que haja motivo de atenção, e deve apresentar-se de modo incompatível com a fase de desenvolvimento do indivíduo ou com seu contexto cultural.

Em muitos casos, esse comportamento aparece na infância, durante a gravidez ou em situações de deficiência intelectual ou neurodesenvolvimentos associados, como no transtorno do espectro autista. As carências nutricionais, sobretudo de ferro e zinco, frequentemente estão presentes ou predisponentes ao quadro. Há também fatores emocionais, sociais e comportamentais que contribuem para seu surgimento.

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A pessoa com pica pode apresentar sintomas secundários decorrentes da ingestão das substâncias – como dor abdominal, constipação, perfuração intestinal, intoxicação por metais, parasitoses, arritmias, anemia persistente ou outras complicações sérias. O tipo de substância ingerida define quais riscos são mais prováveis.

O diagnóstico exige diálogo cuidadoso entre profissional de saúde e paciente, para levantar quais substâncias são ingeridas, desde quando, em que contexto, com que frequência e intensidade. Avaliações complementares são importantes, para investigar anemia, níveis de ferro e zinco, presença de metais tóxicos ou parasitas, além de, se necessário, exames de imagem para detectar complicações internas.

O tratamento costuma ser multidimensional. Em primeiro lugar, trata-se de corrigir as deficiências nutricionais identificadas, por meio de suplementos ou ajustes na alimentação, de modo a reduzir o impulso de consumir substâncias estranhas. Ao mesmo tempo, é fundamental implementar estratégias comportamentais: proteger o ambiente, tirar ou limitar o acesso a objetos-alvo, substituir por alternativas seguras, estabelecer rotinas estruturadas e atividades que mantenham as mãos ocupadas e a atenção dirigida para outras tarefas. A psicoeducação da família e dos cuidadores exerce papel essencial – entender o transtorno, evitar reações punitivas e valorizar progressos faz parte da abordagem. Em alguns casos, intervenções farmacológicas podem ser consideradas, mas sempre com cautela e apenas quando houver condições associadas que justifiquem essa escolha.

Em situações emergenciais deve-se buscar atendimento imediato se surgirem sinais de obstrução intestinal, dor intensa, vômitos persistentes, presença de sangue nas fezes ou ingestão de materiais cortantes ou contaminados. A ponte entre prevenção, intervenção precoce e monitoramento constante é o que define o sucesso do manejo desse comportamento complexo.

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