Muitos especialistas destacam que a presença das tias pode ser tão decisiva quanto a das mães no desenvolvimento emocional e social de meninas. Essa influência se torna ainda mais evidente durante a adolescência, fase marcada por transformações profundas, dúvidas constantes, inseguranças e pressões sociais que podem afetar a autoestima e a estabilidade emocional das jovens. Dentro desse cenário, a figura da tia se apresenta como um ponto de equilíbrio, uma referência afetuosa que complementa a educação familiar, criando um ambiente mais leve e acessível para conversas difíceis.
Profissionais da área de comportamento infantil explicam que as meninas nem sempre sentem liberdade para abrir certos assuntos com as mães, já que a relação pode envolver expectativas, responsabilidades familiares e receios de desagradar. As tias, por outro lado, costumam ocupar um espaço afetivo diferente, com menos cobranças e mais escuta ativa, o que favorece diálogos sinceros sobre temas sensíveis como identidade, corpo, amizades, autoestima, relacionamentos e escolhas pessoais.

O psicólogo Steve Biddulph, autor de “10 Things Girls Need Most”, observa que tias podem oferecer um tipo de apoio que, em muitos casos, se torna mais eficaz. Ele afirma que essa figura proporciona um ambiente acolhedor, sereno e aberto a confidências, ajudando as meninas a expressarem medos e dúvidas sem o peso de julgamentos imediatos. Esse acolhimento fortalece a saúde emocional das adolescentes, reduz o risco de isolamento e reforça a sensação de pertencimento dentro da família.
Além do suporte emocional, as tias contribuem para a construção de valores, ajudam na percepção de limites e funcionam como modelos de vida reais e inspiradores. Cada conversa, passeio ou momento compartilhado é capaz de influenciar escolhas futuras e fortalecer a confiança das jovens em seu próprio caminho. Em muitos casos, a tia é a primeira pessoa a perceber mudanças de comportamento e a oferecer orientação sem pressões desnecessárias.
A presença de uma tia engajada também ajuda a distribuir o peso das responsabilidades familiares. Isso traz mais leveza para as mães e cria uma rede de apoio mais sólida. Para as meninas, essa rede amplia o círculo de proteção e afeto, deixando claro que elas não estão sozinhas ao enfrentar a complexidade da fase adolescente.
Por tudo isso, especialistas reforçam que incentivar o vínculo com as tias é um gesto que traz benefícios duradouros. A convivência fortalece a saúde mental das jovens, estimula autonomia, melhora a autoestima e cria uma base emocional segura para a vida adulta.