O governo da Rússia afirmou que a Ucrânia teria tentado atacar, com o uso massivo de drones, uma residência atribuída ao presidente Vladimir Putin na região de Novgorod, no noroeste do país, entre os dias 28 e 29 de dezembro de 2025. Segundo autoridades russas, a ação teria envolvido cerca de 91 drones, todos supostamente interceptados pelos sistemas de defesa aérea antes de atingir qualquer alvo sensível.
De acordo com comunicados divulgados por órgãos de segurança e pelo Ministério da Defesa da Rússia, os equipamentos teriam sido lançados em ondas sucessivas, numa tentativa de sobrecarregar os sistemas de proteção. As autoridades afirmam que não houve danos estruturais nem vítimas, reforçando que o episódio demonstraria a eficácia das defesas aéreas russas, especialmente em áreas consideradas estratégicas e de alto valor político.

O Kremlin classificou o suposto ataque como um ato de “terrorismo estatal”, elevando o tom do discurso contra Kiev. Porta vozes do governo russo afirmaram que a tentativa de atingir uma residência ligada ao chefe de Estado ultrapassaria limites militares e teria como objetivo provocar impacto simbólico, psicológico e político. A partir disso, Moscou passou a sinalizar que poderá rever sua postura em relação a eventuais negociações de paz, alegando que ações desse tipo enfraquecem qualquer possibilidade de diálogo.
Analistas próximos ao governo russo também sugeriram que o episódio poderia ser usado para justificar medidas militares mais duras ou operações de retaliação em território ucraniano. Nos meios de comunicação estatais, a narrativa predominante é a de que a Rússia estaria sob ataque direto a sua liderança, o que exigiria uma resposta proporcional para garantir a segurança nacional.
Do lado ucraniano, a reação foi imediata. O presidente Volodymyr Zelensky e outros representantes do governo de Kiev negaram categoricamente qualquer envolvimento na suposta tentativa de ataque. Segundo eles, a acusação não passa de uma invenção ou manipulação de informações por parte da Rússia, com o objetivo de criar um pretexto para intensificar ações militares e deslegitimar a Ucrânia no cenário internacional.
Autoridades ucranianas afirmam ainda que esse tipo de narrativa já foi utilizada em outros momentos do conflito, sempre em contextos nos quais Moscou buscava justificar escaladas militares ou afastar a possibilidade de negociações. Para Kiev, a história dos drones serviria mais como instrumento de propaganda do que como um relato fiel dos acontecimentos.
Especialistas internacionais destacam que, até o momento, não foram apresentadas provas independentes que confirmem a versão russa. Imagens, destroços identificáveis ou relatórios técnicos verificáveis por observadores externos não foram divulgados de forma conclusiva. Isso aumenta o ceticismo de parte da comunidade internacional, que vê o episódio como mais um capítulo da guerra de narrativas que acompanha o conflito desde seu início.
O suposto ataque ocorre em um momento delicado, marcado por discussões informais sobre possíveis caminhos para reduzir a intensidade da guerra. Caso a Rússia mantenha a posição de que houve uma tentativa direta contra o presidente, o impacto político pode ser significativo, tanto no endurecimento interno do discurso quanto no afastamento de qualquer avanço diplomático a curto prazo.
Enquanto Moscou e Kiev trocam acusações, o episódio reforça o clima de tensão extrema e a dificuldade de se chegar a uma versão consensual dos fatos. Para observadores internacionais, o caso ilustra como informações, verdadeiras ou não, tornaram se parte central da estratégia de guerra, influenciando decisões militares, diplomáticas e a opinião pública global.