Tropas dos EUA devem se preparar para “lutar em torno da Lua”, diz conselheiro de Trump
Conselheiro militar do presidente Donald Trump afirma que Forças Armadas precisam adaptar-se para combater em ambientes que vão do leito do mar ao espaço cislunar
O principal conselheiro militar do presidente Donald Trump, o general Dan Caine, presidente do Estado‑Maior Conjunto, afirmou que as Forças Armadas dos Estados Unidos devem se preparar para combates que não se limitem à superfície terrestre ou à órbita baixa, mas que se estendam “em torno da Lua”. Em discurso e entrevistas recentes, Caine declarou que o Pentágono precisa adaptar doutrinas, treinamentos e capacidades tecnológicas para “lutar, resistir e vencer” em ambientes contestados que incluem a região cislunar — o espaço entre a Terra e a Lua — e que essa preparação deve começar agora.
Segundo o conselheiro, a mudança de foco decorre de transformações estratégicas e tecnológicas que tornam o espaço um domínio de competição e potencial conflito. Caine argumentou que adversários em potencial já demonstraram capacidade e intenção de contestar o acesso e a liberdade de operação dos Estados Unidos em múltiplos domínios, e que a superioridade tradicional em terra, mar e ar não garante vantagem automática em regiões espaciais mais distantes. Para ele, a prontidão militar deve abranger desde operações subaquáticas até sistemas capazes de operar e proteger ativos em trajetórias cislunares.
O general descreveu a necessidade de revisar procedimentos operacionais, desenvolver plataformas e sensores resistentes a interferência e ataque, e treinar unidades para operar em ambientes com comunicações degradadas e latências maiores. Ele enfatizou que a logística, o reabastecimento e a manutenção de sistemas em trajetórias lunares exigirão soluções novas, incluindo redundância de comunicações, autonomia e protocolos de defesa espacial. Caine também ressaltou que a integração entre agências civis e militares, bem como parcerias com o setor privado, será essencial para sustentar presença e operações em regiões além da órbita terrestre baixa.
As declarações do presidente do Estado‑Maior Conjunto ocorrem dias após o governo dos Estados Unidos confirmar, pela primeira vez, a implantação de armas no espaço, um movimento que especialistas e analistas militares dizem elevar a urgência de doutrinas e normas para operações espaciais. Para Caine, a presença de capacidades letais ou defensivas em órbita e além dela transforma o espaço em um teatro de operações que exige regras de engajamento, medidas de dissuasão e sistemas de proteção de ativos críticos.
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No plano prático, as recomendações do conselheiro incluem investimentos em sensores de longo alcance, defesa contra ataques cibernéticos e eletromagnéticos, plataformas espaciais com capacidade de manobra e proteção, e exercícios conjuntos que simulem cenários cislunares. Ele também defendeu a modernização de satélites de comunicações e navegação para resistir a tentativas de negação de serviço e a criação de capacidades de resposta rápida para reparar ou substituir ativos danificados.
A proposta de “lutar em torno da Lua” suscitou reações diversas no meio político e entre especialistas em segurança. Defensores da iniciativa afirmam que antecipar cenários e desenvolver capacidades agora é prudente diante da aceleração tecnológica e da crescente militarização do espaço. Críticos apontam para os custos elevados, os riscos de escalada e a necessidade de equilibrar prioridades com outras ameaças imediatas na Terra. Há também debates sobre as implicações legais e normativas: a presença de armas e operações militares em regiões cislunares levanta questões sobre tratados internacionais, a definição de zonas de exclusão e a proteção de infraestruturas civis e científicas.
Analistas militares consultados por veículos internacionais destacam que a expressão “lutar em torno da Lua” funciona tanto como um alerta estratégico quanto como um chamado à ação industrial e legislativa. Na prática, transformar essa visão em capacidade operacional exigirá anos de pesquisa, desenvolvimento e testes, além de investimentos sustentados em lançadores, plataformas espaciais, comunicações resilientes e sistemas de comando e controle adaptados a latências maiores e ambientes contestados.
A mudança de ênfase também tem implicações para alianças e cooperações internacionais. Caine mencionou a importância de interoperabilidade com parceiros e aliados, sugerindo que exercícios e padrões conjuntos podem reduzir riscos de mal‑entendidos e aumentar a eficácia coletiva. Ao mesmo tempo, a corrida por capacidades cislunares pode intensificar rivalidades e pressionar por acordos multilaterais que ainda não foram negociados.
Em termos de cronograma, o conselheiro não apresentou um plano detalhado com prazos públicos, mas deixou claro que a adaptação deve começar imediatamente, com priorização de pesquisa e desenvolvimento, atualização de doutrinas e a realização de exercícios que incorporem cenários espaciais avançados. Ele também pediu maior coordenação entre o Departamento de Defesa, agências civis e a indústria espacial para acelerar a maturação de tecnologias críticas.
Verificação e contexto adicional Recomenda‑se confirmar as declarações e o contexto com as reportagens originais publicadas pelo The Washington Post e pelo The Guardian, que noticiaram as falas do general Dan Caine e forneceram detalhes sobre o conteúdo e o enquadramento das declarações.