Casamento de filho de Moraes tem rua fechada e atrito com empresário
Filho de Alexandre de Moraes se casa em SP sob forte segurança; cerimônia tem ruas fechadas e atrito com empresário
A cerimônia de casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, com Thaís, foi realizada na tarde de sábado, vinte e seis de setembro de dois mil e vinte e seis, na Casa Fasano, na avenida Alcides Sangirardi, bairro Cidade Jardim, zona sul de São Paulo. O evento transformou o entorno do espaço de festas em uma área de acesso controlado, com interdições de vias, bloqueio de passagens de pedestres e presença ostensiva de forças de segurança. A noiva não teve sobrenome, profissão ou outros dados biográficos divulgados, mantendo-se fora da exposição pública.
A Casa Fasano é um dos endereços mais conhecidos para recepções de alto padrão na capital paulista. O espaço tem capacidade para receber até oitocentas pessoas e conta com um deck de vista panorâmica para a cidade, com área total de novecentos e quarenta e sete metros quadrados. Para a celebração, a estimativa era de aproximadamente quatrocentos e cinquenta convidados, entre familiares, amigos e autoridades. O custo de locação do local varia entre sessenta mil reais e duzentos mil reais, conforme informações divulgadas sobre o evento. A família optou por não realizar cerimônia religiosa, e a celebração civil ocorreu no próprio espaço.
A segurança do casamento foi coordenada pela Polícia Judicial, órgão de segurança interna do Poder Judiciário. Também atuaram na região equipes da Polícia Militar, da Guarda Civil Metropolitana, da Romu, da Rocam e da Companhia de Engenharia de Tráfego. Agentes restringiram o trânsito e o acesso de pedestres a uma área de duzentos metros ao redor do espaço, tornando a região praticamente inacessível para quem não estava entre os convidados. A rua que dá acesso à Casa Fasano foi completamente interditada e ficou restrita aos convidados. Uma passarela de pedestres nas proximidades do Shopping Cidade Jardim foi bloqueada, assim como ao menos uma das entradas do Parque Linear Bruno Covas, o que afetou a circulação de ciclistas. O uso de drones foi proibido, e o esquema contava com um sistema capaz de interromper o sinal dos equipamentos. Policiais responsáveis pela operação afirmaram que operadores de drones no local poderiam ser identificados e responsabilizados. Jornalistas que acompanhavam a movimentação também foram fotografados por agentes de segurança.
Apesar do aparato, não houve registro de protestos organizados nas proximidades da Casa Fasano. Motoristas que passaram pela região buzinaram e proferiram xingamentos em direção ao local. O clima de tensão e a necessidade de reforço na segurança foram atribuídos ao receio de manifestações relacionadas à crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, cujos desdobramentos dominaram os noticiários nas semanas anteriores ao casamento.
Durante as interdições, o empresário Gabriel Rocha Kanner, sobrinho de Flávio Rocha, dono da Riachuelo, gravou um vídeo nas proximidades do local. Segundo o relato publicado em suas redes sociais, Kanner retornava do trabalho quando encontrou a via bloqueada e foi orientado por policiais e seguranças a retornar. Ao filmar o esquema de segurança, o empresário teve seu celular derrubado por um dos seguranças do evento. Nas imagens divulgadas, é possível ver o momento em que um homem desfere um tapa no aparelho, que cai no chão. Kanner afirmou ainda ter sido empurrado pelas costas pelo mesmo agente. O episódio gerou repercussão nas redes sociais e foi noticiado por diversos veículos de imprensa. Procurada, a Assessoria do Supremo Tribunal Federal declarou que estava sem informações até o momento. A Casa Fasano, a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não enviaram resposta. A reportagem também tentou contato direto com o empresário Gabriel Rocha Kanner, mas não obteve retorno.
Entre os convidados presentes à cerimônia estavam os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e Flávio Dino, o procurador geral da República, Paulo Gonet, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luís Felipe Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves. O senador Rodrigo Pacheco e o antigo presidente Michel Temer também participaram da celebração. A cerimônia foi conduzida por Gabriel Chalita, antigo deputado e antigo vereador, amigo da família Moraes.
Alexandre Barci de Moraes é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, e integra o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que tem sua mãe, a advogada Viviane Barci de Moraes, como sócia. O escritório atua nas áreas de Direito Constitucional, Administrativo, Regulatório e Empresarial, além de contencioso. O noivo tem duas irmãs, Giuliana, sua gêmea, e Gabriela Barci de Moraes.
O casamento ocorreu em meio à divulgação de informações sobre um contrato firmado entre o escritório da família e o Banco Master. Um relatório da Polícia Federal aponta que o banco teria emitido cartões de crédito com limite de trezentos mil reais para Alexandre e Giuliana, a pedido do escritório Barci de Moraes. O documento também aponta que o ministro Alexandre de Moraes teria editado uma minuta de contrato de cento e trinta e um milhões de reais entre o Master e o escritório de sua esposa, além de um segundo contrato no valor de cinquenta milhões de reais, pago por meio da transferência de cotas de duas aeronaves. Os diálogos entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, extraídos do celular do dono do Master, integram o relatório da Polícia Federal e motivaram o reforço na segurança do evento.
A celebração civil transcorreu sem registro de manifestações organizadas, apesar da expectativa de protestos que levou à interdição de vias e ao aparato policial montado na região. O casamento reuniu autoridades do Judiciário, do Ministério Público e do meio político, em um dos endereços mais reservados da zona sul paulistana, enquanto o entorno permanecia sob forte controle de acesso e circulação restrita.
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