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Política

Flávio rotula Lula de ‘político ultrapassado’ e afirma: ‘o país cansou’

By Régis Andrade
28 de setembro de 2026 7 Min Read
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Candidato do PL diz que país cansou e critica governo petista após formatura da PM; pesquisa já aponta disputa acirrada

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, como um político ultrapassado e afirmou que o eleitorado brasileiro demonstra exaustão com o atual governo. As declarações foram feitas na manhã de sexta-feira, 25 de setembro, no Rio de Janeiro, logo após o senador licenciado participar da Formatura Geral do Curso de Formação de Praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, realizada no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, em Jardim Sulacap, na Zona Oeste da capital fluminense. O evento formou 497 novos soldados da corporação e contou com a presença de um fiscal do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que acompanhou a cerimônia para verificar possíveis irregularidades eleitorais.

Ao deixar a solenidade e conceder entrevista à imprensa, Flávio Bolsonaro foi enfático ao criticar o chefe do Executivo federal. Disse que Lula virou um produto vencido, uma mercadoria vencida, e acrescentou que o presidente é um material fatigado, que ninguém aguenta mais. Segundo o candidato do PL, a população já percebeu que o governo petista não entregará o que prometeu. Ele afirmou ainda que o país cansou e que a gestão atual endividou o povo brasileiro, além de ter criado um ambiente de medo nas ruas. Para Flávio, essas são as principais razões pelas quais sua candidatura aparece em trajetória de crescimento nas pesquisas de intenção de voto.

O candidato também projetou uma vitória já no primeiro turno. Em tom confiante, declarou que daqui a nove dias a população verá Flávio Bolsonaro presidente da República no primeiro turno. Ele desafiou o adversário a percorrer as ruas e os quartéis como ele próprio tem feito, afirmando que arrasta multidões em seus compromissos de campanha. A fala ocorreu a nove dias da votação, marcada para 4 de outubro, e em um momento de acirramento da disputa presidencial.

Durante a cerimônia de formatura, Flávio Bolsonaro não discursou. O candidato ocupou a primeira fileira da área reservada às autoridades, ao lado do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, do PL, do senador e candidato à reeleição Carlos Portinho, do PL, do deputado federal e candidato ao Senado Carlos Jordy, do PL, e do secretário estadual de Polícia Militar, coronel Sylvio Ricardo Ciuffo. Embora a formatura constasse das agendas dos candidatos, todos foram apresentados pelos cargos que ocupam atualmente, sem menção às candidaturas que disputam. Nenhum deles discursou ou fez intervenções durante a solenidade.

Da área reservada às autoridades, Flávio acompanhou a maior parte da cerimônia em silêncio. De tempos em tempos, utilizou o celular para filmar. Nas duas ocasiões em que seu nome foi anunciado pelo mestre de cerimônias, houve aplausos e gritos de apoio de parte do público presente. O candidato sorriu e deu pequenos acenos para algumas pessoas na plateia que gritavam seu nome. Ao fim da solenidade, deixou a área das autoridades e foi até o campo, onde abraçou formandos e familiares e posou para fotografias. Entre os presentes, era possível ouvir apoiadores chamá-lo de meu presidente e declarar voto no senador. A cerimônia agradeceu a presença dos políticos, mas não teve discursos eleitorais.

A presença de fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro na formatura foi um dos pontos de atenção do evento. Questionado sobre a atuação da equipe, um dos fiscais afirmou que o tribunal acompanha atos considerados fora do normal para verificar possíveis infrações eleitorais, como o uso do espaço público para promover candidaturas. A presença de candidatos em uma formatura da Polícia Militar não é, por si só, proibida pela legislação eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral ressalta, porém, que bens e serviços públicos não podem ser usados para beneficiar campanhas. Em orientação para as eleições de 2026, o Ministério Público Eleitoral afirmou que formaturas de forças de segurança não devem servir de palanque político. A fiscalização buscou identificar eventual uso político da cerimônia.

Após o evento, Flávio Bolsonaro e os aliados concederam entrevistas à imprensa e tiraram fotos com apoiadores. O candidato à Presidência pelo PL falou sobre planos para a segurança pública. Disse que pretende enfrentar o narcotráfico e o crime organizado e que, se for eleito, vai contar com a atuação das polícias na retomada de territórios que hoje estão fora do controle do Estado. Em suas palavras, vai recuperar cada metro, cada rua, cada bairro, cada cidade e cada território para devolver a soberania aos brasileiros. Afirmou que os policiais militares e todos os demais agentes de segurança pública estarão inseridos nesse esforço e que, a partir de janeiro do ano que vem, declarará guerra aos narcoterroristas. Logo depois da cerimônia, Flávio Bolsonaro viajou até São Paulo para mais uma agenda de campanha, participando do Rodeio de Jaguariúna, na Região Metropolitana de Campinas.

A pesquisa Datafolha realizada nos dias 22 e 23 de setembro, encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, aponta o presidente Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No cenário de segundo turno, o presidente aparece com 47% e o candidato do PL com 45%, configurando empate técnico, mas com liderança numérica do petista. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00304/2026. Na comparação com a pesquisa anterior, divulgada no dia 17 de setembro, Lula oscilou um ponto percentual para cima, passando de 39% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu com 36%. No segundo turno, a diferença também é menor. Lula passou de 46% para 47%, enquanto Flávio oscilou de 44% para 45%.

No pelotão abaixo dos dois líderes, o cenário permaneceu praticamente congelado. Augusto Cury, do Avante, aparece com 5% das intenções de voto. Ronaldo Caiado, do PSD, soma 4%. Renan Santos, do Missão, registra 3%. Romeu Zema, do Novo, e Samara Martins, da UP, têm 1% cada. Votos brancos ou nulos somam 5%, e indecisos representam 2%. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem sem que uma lista de candidatos seja apresentada, Lula aparece com 36% e Flávio Bolsonaro com 27%. O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi citado espontaneamente por 4% dos entrevistados. O percentual de eleitores que não souberam responder chega a 18%. O Datafolha também perguntou em quem os entrevistados não votariam de jeito nenhum. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com índices de rejeição de 45% no levantamento.

A semana que antecedeu a pesquisa foi marcada por acontecimentos que entraram diretamente no debate eleitoral. Entre eles estão o anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família, os desdobramentos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o Banco Master e a discussão sobre uma possível ingerência externa nas eleições brasileiras. A questão internacional ganhou espaço na campanha após Lula discursar na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, na terça-feira, com críticas ao que considera uma atuação do governo de Donald Trump em favor de seu adversário. Na sequência, Trump liderou uma reunião de países com governos de direita nas Américas na qual o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho foram declarados organizações terroristas. O Brasil rejeitou a abordagem. Flávio Bolsonaro, por sua vez, acusou Lula de leniência com o crime organizado.

A campanha de Lula, por sua vez, adotou movimentos distintos na reta final. A coligação pela qual o presidente concorre protocolou cinco novas ações no Tribunal Superior Eleitoral contra o senador e candidato Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal por propagandas consideradas enganosas veiculadas no rádio e na televisão. As ações falam em desinformação e pedem direito de resposta de Lula, a suspensão das peças eleitorais e perda de tempo eleitoral do candidato do PL. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, determinou a suspensão provisória de uma propaganda de rádio da campanha de Lula que associava Flávio Bolsonaro a episódios de rachadinha, depósitos em dinheiro, compra de imóveis e irregularidades relacionadas ao Banco Master. Para o ministro, a peça de campanha induz o eleitor a erro ao omitir desfechos de acusações, como o arquivamento do caso da rachadinha. O Tribunal Superior Eleitoral também manteve no ar duas publicações do site da campanha do presidente que fazem críticas ao candidato Flávio Bolsonaro.

Com o cenário travado entre os dois principais postulantes, cresce a pressão por voto útil ainda no primeiro turno. Isso aumenta a cobrança pública sobre os candidatos e reduz o espaço para os demais concorrentes. A campanha de Flávio Bolsonaro aposta no voto útil já no primeiro turno para tentar reverter a liderança numérica de Lula. A equipe do presidente, por sua vez, vê alívio no cenário e mantém a estratégia de polarização com o candidato do PL. A nove dias do pleito, as duas candidaturas concentram a disputa e miram cada ponto percentual como decisivo para o resultado final. O cenário é alicerçado em dados como a rejeição acima de 50% a ambos os candidatos, o que mobiliza as campanhas sob alerta da abstenção. A tendência de mais um placar apertado, decidido por poucos votos, leva os postulantes que representam a polarização a apelar para que os eleitores marquem presença no dia 4 de outubro.

Fontes consultadas: Agência Estado; O Povo; O Globo; G1; Datafolha; Revista Fórum; Mais Goiás; Diário do Pará; Jornal de Brasília; TRE-RJ.

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Datafolhaeleições 2026Flávio BolsonaroLulaprimeiro turno
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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