Tecnologia de Elon Musk será utilizada pelo TSE para acelerar apuração em regiões remotas nas eleições 2026
Internet via satélite de Elon Musk vai transmitir dados criptografados das urnas em regiões isoladas nas Eleições 2026
A Justiça Eleitoral brasileira confirmou a adoção da infraestrutura de satélites de baixa órbita da Starlink, empresa do bilionário Elon Musk, para a transmissão dos resultados da votação em localidades de difícil acesso nas Eleições Gerais de 2026. A medida, que representa uma mudança significativa na logística de apuração, foi viabilizada por meio de contrato firmado entre o Tribunal Superior Eleitoral e a Hughes Telecomunicações do Brasil, empresa vencedora do Pregão Eletrônico nº 90026/2026, que utilizará a rede da Starlink para estabelecer a conexão necessária ao envio dos dados produzidos pelas urnas eletrônicas.
O planejamento oficial prevê o uso de até 1.113 terminais satelitais distribuídos em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal. A maior concentração de equipamentos está prevista para os estados da região amazônica, com destaque para Amazonas e Pará, que receberão 350 terminais cada um, seguidos por Mato Grosso com 117 unidades, Acre com 91, Maranhão e Roraima com 60 cada, Amapá com 53, Mato Grosso do Sul com 9, Goiás e Piauí com 5 cada, Bahia e Paraná com 4 cada, São Paulo com 3, além de dois equipamentos destinados ao próprio Tribunal Superior Eleitoral. A operação terá duração de 90 dias no período eleitoral e a definição dos locais exatos que receberão os equipamentos ficará a cargo dos Tribunais Regionais Eleitorais, que considerarão as características geográficas, operacionais e de telecomunicações de cada estado.
A adoção da tecnologia Starlink representa uma evolução em relação ao sistema anteriormente utilizado, baseado em equipamentos BGAN. Enquanto os antigos terminais demoravam cerca de 20 minutos para estabelecer conexão e exigiam direcionamento manual para um ponto específico do satélite, as antenas Starlink Mini, que operam por meio de satélites de órbita terrestre baixa, conectam-se em aproximadamente cinco minutos e oferecem internet banda larga de alta velocidade e baixa latência, com tempo de resposta quase instantâneo no envio e recebimento de dados. A substituição dos equipamentos BGAN pela nova tecnologia já está em curso em estados como o Acre, onde 91 antenas Starlink Mini serão utilizadas para ampliar a conectividade em Locais de Difícil Acesso.
A segurança do processo eleitoral permanece integralmente preservada. A comunicação via satélite funciona exclusivamente como meio de transporte dos dados criptografados e assinados digitalmente, sem qualquer alteração nos mecanismos de segurança das urnas eletrônicas. A urna continua isolada de conexões Wi-Fi e Bluetooth, sem possibilidade de acesso remoto, e os arquivos gerados após o encerramento da votação são transmitidos por meio de conexões criptografadas à rede da Justiça Eleitoral por meio do sistema JE-Connect. O secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, Kleber Merklein, comparou o processo a um túnel seguro sob um pântano, no qual o conteúdo viaja isolado e protegido de qualquer interferência externa. A Justiça Eleitoral também esclareceu que a contratação da prestadora de serviços de telecomunicação via satélite restringe-se estritamente ao fornecimento do meio físico de conectividade para localidades isoladas que não dispõem de rede convencional de internet, sem qualquer acesso, ingerência ou participação no processo de votação, apuração, totalização dos votos ou divulgação dos resultados.
A contratação foi submetida à análise do Tribunal de Contas da União, que, por meio do Acórdão nº 2.195/2026-TCU-Plenário, indeferiu pedido de medida cautelar apresentado pela empresa Otimizar Tech, afastou alegações de direcionamento na licitação e manteve íntegros os efeitos do certame. O relator do caso, ministro Jorge Oliveira, apontou duas irregularidades no processo, relacionadas à ausência de uma pesquisa de mercado suficientemente ampla no Estudo Técnico Preliminar e à adoção de um critério temporal independente para a aceitação de certificados de capacidade técnico-operacional, mas concluiu que essas falhas não justificavam a interrupção da contratação diante da proximidade do primeiro turno e do tempo necessário para preparar e implementar a solução. A proposta vencedora da Hughes foi de aproximadamente 8 milhões de reais, um valor cerca de 64% inferior à estimativa inicial de 22,2 milhões de reais. No Amazonas, a adesão ao contrato firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral permitiu uma redução de aproximadamente 35% nos custos em relação à eleição anterior, uma vez que o valor desembolsado representa cerca de 65% do total gasto no pleito passado.
Nos estados, os preparativos avançam. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas mobilizou 420 antenas Starlink Mini para instalar em locais de votação de difícil acesso, incluindo comunidades ribeirinhas, localidades isoladas e aldeias indígenas. Entre os municípios que receberão mais equipamentos estão Parintins, com 33 antenas, São Gabriel da Cachoeira, com 30, Itacoatiara, com 16, e Atalaia do Norte, com 11. As equipes que atuarão nesses locais passarão por capacitação realizada em parceria com a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa, Extensão e Interiorização do Instituto Federal do Amazonas. No Pará, a distribuição dos equipamentos começou no dia 2 de setembro, com prioridade para as localidades mais distantes, e foram preparados aproximadamente 750 notebooks e 390 antenas Starlink para atender 65 dos 144 municípios paraenses, com envios realizados tanto por rodovias quanto por embarcações, incluindo destinos como Afuá e Chaves, na região do Marajó. Em Mato Grosso, o Tribunal Regional Eleitoral ministrou treinamento para 137 técnicos que atuarão como Técnicos de Transmissão via Satélite no dia do primeiro turno, capacitando voluntários e servidores públicos da área de Tecnologia da Informação para operar os kits do sistema JE-Connect em 130 locais de votação no estado, incluindo aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas e rurais. No Maranhão, a estrutura atenderá 66 locais de votação distribuídos por 22 municípios, com equipes utilizando antenas Starlink Mini e notebooks nos chamados Postos Avançados de Transmissão.
A Justiça Eleitoral também se manifestou sobre a circulação de conteúdos falsos nas redes sociais. Um vídeo que alegava que uma empresa estrangeira ficaria responsável pela divulgação dos resultados das urnas foi oficialmente desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral, que classificou a informação como distorcida e reiterou que os processos de votação, apuração, totalização dos votos e divulgação dos resultados permanecem sob total controle da Justiça Eleitoral brasileira. A divulgação de conteúdo alegando que uma empresa estrangeira seria responsável pela divulgação dos resultados das urnas colocaria o processo eleitoral e a soberania do país em risco, o que foi categoricamente rejeitado pelo Tribunal, que destacou que o sistema de votação brasileiro usa criptografia de ponta, o que torna inviável qualquer invasão, acesso não autorizado ou alteração dos resultados, além de contar com fiscalização ampla, com a participação de diversas entidades e do Ministério Público.
A iniciativa reforça o compromisso da Justiça Eleitoral com a capilaridade da democracia brasileira, alcançando comunidades que, muitas vezes, só podem ser acessadas após horas de navegação pelos rios ou longos deslocamentos terrestres. Ao viabilizar a transmissão dos dados diretamente dos locais de votação, a tecnologia reduz drasticamente a necessidade do tradicional e demorado transporte físico de mídias por barcos, estradas precárias ou helicópteros, garantindo maior agilidade na totalização dos votos e consolidando o Brasil na vanguarda da eficiência eleitoral com total segurança técnica.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral. Justiça Eleitoral pelo Brasil: TRE-AM utiliza tecnologia via satélite para transmitir resultados. Setembro de 2026.
Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas. TRE-AM amplia uso de tecnologia via satélite para agilizar transmissão de resultados em comunidades remotas. Setembro de 2026.
Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas. Uso de satélite em locais remotos nas Eleições 2026 segue protocolos seguros e não afeta resultado. Setembro de 2026.
Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. Técnicos que transmitirão dados de urnas em locais de difícil acesso passam por treinamento. Setembro de 2026.
Tribunal Regional Eleitoral do Pará. Equipamentos para transmissão de resultados começam a ser distribuídos. Setembro de 2026.
Agência Brasil. TSE desmente conteúdo sobre terminais de comunicação via satélite. Setembro de 2026.
Estadão. Como o TSE vai usar a Starlink para obter resultados das Eleições 2026. Setembro de 2026.
Canaltech. TSE vai usar Starlink para transmitir resultados de urnas em áreas sem internet. Setembro de 2026.
DPL News. TCU mantém contrato de tecnologia via satélite para as eleições 2026. Agosto de 2026.
DPL News. Hughes vence licitação do TSE para conectar locais remotos nas eleições. Setembro de 2026.
TELETIME News. TCU valida contratação de serviços via satélite para apoio às eleições. Agosto de 2026.
Olhar Digital. Starlink será usada pelo TSE em locais remotos nas eleições 2026. Setembro de 2026.
Rádio Pampa. Justiça Eleitoral usará a internet de Elon Musk para obtenção de resultados das eleições em locais remotos. Setembro de 2026.
O Sul. Justiça Eleitoral usará a internet de Elon Musk para obtenção de resultados das eleições em locais remotos. Setembro de 2026.
O Maranhense. 66 locais de votação de difícil acesso terão boletins de urna transmitidos via satélite. Setembro de 2026.
A Tribuna MT. Locais de difícil acesso: Técnicos do TRE são treinados para transmitir dados de urnas via satélite. Setembro de 2026.