Pesquisa Indexa/Broadcast mostra Flávio com 51% e Lula com 49% no 2º turno
Levantamentos eleitorais indicam equilíbrio na disputa presidencial, com diferenças entre os candidatos dentro da margem de erro.
A dez dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a corrida pela Presidência da República segue marcada por um cenário de extrema imprevisibilidade. Pesquisas divulgadas ao longo desta semana apontam empates técnicos sucessivos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com variações que, dentro das margens de erro dos levantamentos, não permitem apontar um favorito consolidado para a disputa.
A mais recente rodada da pesquisa Indexa/Broadcast, divulgada nesta quinta-feira, 15, mostra o senador Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário estimulado de segundo turno. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, o que configura empate técnico entre os dois candidatos. Nos votos totais, que incluem brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Lula registra 42%. Outros 8% dos entrevistados afirmam que não pretendem votar no segundo turno, 4% declaram voto branco ou nulo e 2% não souberam ou não quiseram opinar. A pesquisa Indexa/Broadcast ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 14 de outubro, por meio de entrevistas telefônicas, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04629/2026.
Os dados segmentados por região revelam um cenário de contrastes significativos que explicam o equilíbrio nacional. Flávio Bolsonaro lidera com folga no Centro-Oeste, onde soma 58,9% das intenções de voto contra 27,2% de Lula. No Sul, o senador também aparece à frente, com 49,2% contra 32,1% do petista. No Sudeste, a vantagem de Flávio é mais modesta, mas ainda relevante: 43,7% contra 41%. Por outro lado, o presidente Lula mantém domínio expressivo no Nordeste, região onde registra 52,1% das intenções de voto contra 35,4% do senador. No Norte, os dois candidatos aparecem empatados numericamente, com 46,1% cada.
O levantamento também mediu os índices de rejeição dos dois candidatos. Flávio Bolsonaro registra a maior rejeição neste segundo turno, com 51% dos eleitores afirmando que jamais votariam nele. O presidente Lula aparece logo em seguida, com 50% de rejeição entre os que dizem que não votariam nele de forma alguma. Considerando as margens de erro, ambos estão em empate técnico também nesse quesito. Entre os entrevistados, 40% afirmam que com certeza votariam em Lula, enquanto 9% dizem que poderiam votar no presidente. No caso de Flávio Bolsonaro, 41% afirmam que com certeza votariam nele, e 6% poderiam escolhê-lo. Somadas as parcelas dos que com certeza votariam e dos que poderiam votar, o potencial eleitoral de Lula é de 49%, enquanto o de Flávio chega a 47%.
A pesquisa também perguntou o que os eleitores mais temem na disputa política atual. Um novo mandato de Lula foi citado por 41% dos entrevistados, igualmente aos 41% que mencionaram a volta da família Bolsonaro ao poder. Outros 7% afirmam temer as duas possibilidades, enquanto 10% não têm medo de nenhum dos dois cenários. Entre os que dizem temer a volta da família Bolsonaro ao poder, estão no topo das preocupações a forma como o pai lidou com a pandemia contra a covid-19, citada por 18%, as falas, declarações e a forma de se comportar como presidente, mencionadas por 15%, e a política de facilitação do acesso a armas, apontada por 10%. A pesquisa perguntou ainda quanto o eleitor considera importante a participação dos candidatos nos debates de televisão para definirem o voto: 55% afirmam ser muito importante, 33% dizem que não é importante, enquanto 10% dos entrevistados consideram pouco importante. As redes sociais aparecem como o meio de comunicação ou espaço que mais contribuiu para 23% dos entrevistados tomarem a decisão de ir votar no primeiro turno, seguida pela televisão, com 14%.
Em outro levantamento divulgado em 9 de outubro, a pesquisa Vox Brasil apontou um empate técnico entre os dois candidatos, com o presidente Lula aparecendo numericamente à frente. Segundo o levantamento, Lula registra 44,2% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 42,7%. A diferença de 1,5 ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,15 pontos, indicando equilíbrio entre os dois. A pesquisa Vox Brasil ouviu 2.100 eleitores entre os dias 5 e 7 de outubro, por meio de entrevistas presenciais domiciliares, com nível de confiança de 95%, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-09623/2026. Os votos brancos, nulos ou em nenhum dos candidatos somam 3,4%, enquanto 9,7% dos entrevistados não souberam ou não responderam. Na apuração dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Lula aparece com 50,9%, ante 49,1% de Flávio Bolsonaro. Apesar da liderança numérica do presidente, a diferença está dentro da margem de erro, configurando empate técnico também nesse cenário.
O diretor e analista político do instituto Vox Brasil, Alberto Barros, atribuiu a inversão na liderança numérica à abstenção de eleitores de Lula no primeiro turno, que não compareceram às urnas no dia 4 de outubro, mas mantêm a intenção de voto no petista para o segundo turno. Em entrevista, Barros destacou que o eleitor de Lula não migrou para Flávio Bolsonaro, mas simplesmente não votou na primeira etapa da disputa. Segundo ele, a mudança na liderança numérica se explica principalmente pela queda de Flávio Bolsonaro, de 48,2% para 42,7%, e não por um crescimento expressivo de Lula, que oscilou apenas 1 ponto percentual. O levantamento também mostrou que 76,2% dos entrevistados estão totalmente decididos sobre o candidato em quem votarão no segundo turno. Outros 13,4% afirmam já ter escolhido um nome, mas admitem a possibilidade de mudar de opinião. Os eleitores que ainda não decidiram o voto ou continuam avaliando as opções representam 6,4% dos entrevistados.
O cenário de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro não se restringe às pesquisas Indexa/Broadcast e Vox Brasil. Outros levantamentos divulgados ao longo da semana reforçam a percepção de uma disputa extremamente equilibrada. A primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno, divulgada em 14 de outubro, mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto contra 44% de Lula, uma diferença de 2 pontos percentuais que, dentro da margem de erro de 2 pontos, configura empate técnico. Brancos, nulos e eleitores que declaram que não vão votar somam 9%, e os indecisos representam 1%. Considerando apenas os votos válidos, Flávio Bolsonaro soma 51% das intenções de voto contra 49% de Lula. Na pesquisa espontânea, modelo em que os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados, o cenário de equilíbrio se repete: Flávio Bolsonaro foi lembrado por 43% dos eleitores, enquanto o presidente Lula alcançou 42%. O indicador de rejeição também mostra um teto elevado e tecnicamente emparelhado para ambos os postulantes. Flávio Bolsonaro lidera numericamente o índice, com 54% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, enquanto a resistência ao presidente Lula atinge 53%.
Já a pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 13 de outubro, apontou Flávio Bolsonaro com 48% das intenções de voto contra 45% de Lula no eleitorado total, com 5% dos eleitores declarando voto branco ou nulo e 2% de indecisos. A diferença representa empate técnico dentro da margem de erro do levantamento, estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em relação à pesquisa anterior, divulgada em 28 de setembro, o senador subiu quatro pontos percentuais nas intenções de voto, enquanto o petista caiu um ponto percentual. Nos votos válidos, indicador que exclui brancos, nulos e indecisos da amostra, Flávio atinge 52% da preferência do eleitorado, enquanto Lula soma 48%. O levantamento revelou ainda que Lula tem 54% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio marca 39% no eleitorado feminino. Entre os homens, a situação se inverte: o senador obtém 57% da preferência, contra 36% do presidente. Por idade, Lula lidera entre os jovens de 16 a 24 anos, com 57%, e entre os eleitores com 60 anos ou mais, com 49%. Já Flávio aparece à frente nas faixas de 25 a 40 anos, com 52%, e de 41 a 59 anos, com 50%.
A pesquisa BTG/Nexus também trouxe um dado relevante sobre a motivação do voto: 23% dos eleitores que declararam voto em Flávio Bolsonaro afirmam que votarão nele apenas para derrotar Lula. Entre os que declaram voto em Lula, 81% o consideram o melhor candidato, enquanto 15% afirmam que votam no presidente apenas para derrotar Flávio Bolsonaro. No geral, 98% dos eleitores que votaram em Flávio no primeiro turno afirmam que votariam no senador novamente no segundo turno. Entre os eleitores de Lula, 98% dizem que manteriam o voto no presidente. Já entre os eleitores de outros candidatos, 80% dos que votaram em Romeu Zema (Novo) no primeiro turno dizem que votariam em Flávio. Em relação aos apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), 55% se inclinam para o senador, ante 27% que cogitam votar em Lula. No eleitorado de Augusto Cury (Avante), 43% apoiam Flávio e 41% Lula, enquanto 37% dos que votaram em Renan Santos (Missão) votariam no senador e 30% no petista.
A pesquisa Futura Inteligência, realizada em parceria com a 100% Cidades e divulgada em 13 de outubro, mostrou Flávio Bolsonaro com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% de Lula. No cenário estimulado, o senador registra 50% das intenções de voto contra 46,6% do presidente, uma diferença de 3,4 pontos percentuais, com margem de erro de 2,2 pontos. Ainda no cenário estimulado, 1,7% disseram votar branco ou nulo e outros 1,7% não souberam ou não responderam. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Flávio alcança 47,7%, e Lula soma 46,1%. Na sequência, 3,6% não souberam ou não responderam, 1,7% dizem que vão votar em branco ou nulo e 0,9% citaram outros nomes. No quesito rejeição, Lula tem 48,6% e Flávio registra 45,4%. Outros 1,2% rejeitam ambos e 3% afirmaram não rejeitar nenhum dos dois. A pesquisa Futura Inteligência entrevistou 2.000 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 7 e 10 de outubro, por meio telefônico assistido via computador, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00650/2026. Segundo o diretor técnico da Futura Inteligência, José Orrico, a pesquisa indica uma disputa equilibrada, apesar da vantagem numérica do candidato do PL. “Embora Flávio esteja numericamente à frente, a proximidade dos resultados indica uma eleição competitiva, na qual pequenas movimentações do eleitorado poderão ser decisivas”, disse ele, em análise apresentada no relatório.
Já a pesquisa Gerp, também divulgada em 13 de outubro, apontou Flávio Bolsonaro com 55% dos votos válidos contra 45% de Lula, a maior vantagem registrada entre todos os levantamentos divulgados nesta semana. No cenário estimulado, o senador aparece com 53% das intenções de voto e Lula com 44%. Outros 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam, e 1% disse que não vota em nenhum dos dois. A diferença triplicou em relação à rodada anterior do mesmo instituto. Na pesquisa feita de 1º a 3 de outubro, véspera do primeiro turno, Flávio tinha 49% e Lula, 46%, uma distância de 3 pontos. Na pergunta espontânea, quando o eleitor diz em quem vota sem ouvir os nomes dos candidatos, Flávio tem 50% e Lula, 40%. Os indecisos somam 7% e outras respostas, 3%. A Gerp ouviu 2.400 eleitores por telefone entre 8 e 12 de outubro, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95,55%. A pesquisa foi paga pelo próprio instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-07877/2026.
O resultado do primeiro turno das eleições de 2026, encerrado em 4 de outubro, já havia sinalizado um cenário de equilíbrio entre os dois candidatos. Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos, totalizando 56,1 milhões de sufrágios, enquanto Lula alcançou 45,16%, com 53,8 milhões de votos. A diferença de pouco menos de dois pontos percentuais foi a menor registrada entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização do país.
A dez dias da votação decisiva, o cenário eleitoral permanece indefinido. As sucessivas pesquisas divulgadas ao longo desta semana apontam para um empate técnico consistente entre os dois candidatos, com variações que refletem mais as diferentes metodologias e amostragens dos institutos do que uma tendência consolidada de crescimento de um dos lados. O percentual de eleitores indecisos, que varia entre 6% e 10% dependendo do levantamento, e a disposição de parte do eleitorado em comparecer às urnas — 81,6% afirmam que votarão com certeza, segundo a Vox Brasil — tornam-se fatores determinantes para o resultado final. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro segue como uma das mais acirradas da história recente do país, com os dois candidatos tecnicamente empatados em todas as pesquisas divulgadas até o momento.
Fontes
As informações são da Itatiaia, com dados da pesquisa Vox Brasil.