André Janones é internado na UTI após arritmia cardíaca depois do debate
Deputado passa mal após debate, tem arritmia cardíaca revertida e segue monitorado na UTI em São Paulo e quadro estável.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, na manhã desta segunda-feira, 19 de outubro, após apresentar um episódio de arritmia cardíaca. O mal-estar ocorreu na noite do domingo, 18, logo após o parlamentar acompanhar, nos estúdios da Rede Bandeirantes, o primeiro debate do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi confirmada por pessoas próximas ao deputado e divulgada inicialmente pelo colunista Matheus Leitão, do portal Metrópoles.
De acordo com as apurações, o quadro de arritmia foi revertido ainda nas primeiras horas de internação. Janones permanece clinicamente estável, sob monitorização cardíaca contínua e com acompanhamento de uma equipe médica especializada. O atendimento está sob responsabilidade da cardiologista Ludhmila Hajjar, profissional de referência em Brasília que, em 2021, foi sondada para assumir o Ministério da Saúde e recusou o convite. A presença de Hajjar na condução do caso é interpretada nos meios políticos como um indicativo de que o parlamentar recebe cuidado de primeira linha. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o diagnóstico específico, os procedimentos adotados pela equipe médica nem a previsão de alta hospitalar. Novas informações deverão ser liberadas conforme a evolução do quadro clínico e mediante autorização da assessoria do parlamentar.
A arritmia cardíaca consiste em uma alteração no ritmo dos batimentos do coração, que podem se apresentar de forma acelerada, reduzida ou irregular. A repercussão do quadro varia conforme o tipo específico da condição e o estado clínico do paciente. Janones, de 42 anos, é deputado federal reeleito em 2026 e se consolidou como um dos principais articuladores da campanha digital de Lula. Ele administra o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, ferramenta de mobilização que ultrapassou a marca de 5,4 milhões de seguidores e se tornou alvo de disputas judiciais no Tribunal Superior Eleitoral ao longo da campanha. O canal utiliza uma linguagem de “gamificação” da política, com mensagens em tom militar, missões e comandos para estimular a propagação de conteúdo político entre apoiadores.
O debate que antecedeu a internação foi marcado por um confronto direto e tenso entre os dois candidatos. Realizado das 20h às 22h nos estúdios do Grupo Bandeirantes, em São Paulo, o encontro foi dividido em três blocos que mesclaram embates diretos, tempo livre gerido pelos próprios candidatos e perguntas dos apresentadores. Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre temas como segurança pública, saúde, investigações em andamento e a atuação de familiares de ambos os lados. O senador cobrou explicações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, enquanto o presidente citou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, afirmando que ele estaria “fugido” nos Estados Unidos. Ao final, Lula desafiou o adversário a abrir os sigilos bancários e telefônicos.
Durante o próprio debate, Janones utilizou o canal “Exército do Lula” para orientar apoiadores a realizarem buscas no Google com termos negativos associados a Flávio Bolsonaro. Por volta das 22h10, a mensagem pediu que os seguidores pesquisassem expressões como “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”. Segundo levantamento em tempo real, as três expressões apareceram entre os assuntos em alta no Brasil menos de quarenta minutos após a orientação, com crescimento superior a 1.000% no período analisado. A mensagem registrava aproximadamente 56 mil encaminhamentos e 30 mil reações no momento da consulta. A prática, conhecida como impulsionamento de buscas negativas, é uma das táticas de guerra digital adotadas pela campanha na disputa pelo segundo turno.
A disputa chega à reta final em um cenário de empate técnico. O Datafolha divulgado na quinta-feira, 15, mostrou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na intenção de voto total, o senador registrava 49% contra 45% do presidente, com 5% de brancos e nulos e 1% de indecisos. A rodada anterior, publicada em 8 de outubro, apontava Flávio com 52% e Lula com 48%. O segundo turno está marcado para o próximo domingo, 25 de outubro.
Com a notícia da internação, voltou a circular nas redes sociais um vídeo antigo em que Janones aparece sendo carregado de um evento e levado ao hospital pelo Corpo de Bombeiros. A data e o local da gravação não foram informados, e o conteúdo passou a ser compartilhado em meio à repercussão do novo episódio de saúde do parlamentar. A ausência do deputado das articulações presenciais nos próximos dias pode impactar a mobilização digital da campanha, embora aliados avaliem que a estrutura do “Exército do Lula” funcione de forma relativamente autônoma. Até o fechamento desta matéria, não havia informações sobre transferência para a unidade semi-intensiva ou sobre a possibilidade de alta antes do pleito.
Fontes consultadas: Metrópoles, Correio 24 Horas, Jornal de Brasília, Jornal Razão, Diário de Pernambuco, Diário do Nordeste, Portal Band, O Tempo, Agência Brasil, Poder360 e Datafolha.