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Política

Pablo Marçal afirma que deixará o Brasil caso Lula vença a eleição

By Régis Andrade
19 de outubro de 2026 4 Min Read
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Em live com Flávio Bolsonaro, influenciador diz que sairá com os filhos e o patrimônio caso a direita perca já a eleição.

A declaração foi feita na noite de quinta-feira, 1º de outubro, durante uma transmissão ao vivo ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Faltavam três dias para o primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro. O influenciador digital e empresário Pablo Marçal (PRTB) afirmou que deixará o Brasil caso a direita não vença a eleição presidencial. Segundo ele, a saída do país seria acompanhada dos filhos e do patrimônio pessoal.

“Vou ajudar [o Flávio] sim. Sabe por quê? Porque, se não, eu tenho que ir embora desse país com meus filhos e levar meu patrimônio embora. Eu confio no Flávio Bolsonaro”, declarou Marçal durante a live. A afirmação foi reproduzida por veículos de imprensa no dia seguinte e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

A transmissão ocorreu horas depois de Flávio Bolsonaro anunciar que não participaria do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo. O encontro já estava marcado sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia comunicado ausência com antecedência. A emissora pretendia manter no cenário o púlpito reservado ao petista, mas a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a exibição do espaço vazio e a realização de perguntas dirigidas ao candidato ausente. Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate. Diante das alterações judiciais, Flávio alegou “censura imposta ao evento pelo TSE” e desistiu de comparecer. Com a ausência dos dois principais postulantes e as regras modificadas pela Justiça, a Globo cancelou o programa.

Na live, Marçal não se limitou à ameaça de deixar o país. Ele também fez um apelo público para que outros candidatos identificados com a direita desistissem da disputa no primeiro turno e apoiassem Flávio Bolsonaro imediatamente. Entre os nomes citados estavam Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Ao se dirigir a Caiado, Marçal sugeriu que o governador poderia ocupar o Ministério da Segurança Pública em um eventual governo do senador. “Caiado, estou do lado do Flávio, ele gosta de você, faz o final ser o melhor”, disse. A Zema, pediu que se juntasse à campanha por não ter “tracionado” e, a Cury, que deixasse as diferenças de lado porque “estamos contra um mal maior”.

A situação jurídica de Marçal, no entanto, impõe limites formais à sua atuação. Ele está inelegível até 2032 por uma condenação da Justiça Eleitoral de São Paulo por abuso de poder político, econômico e uso indevido dos meios de comunicação no pleito municipal de 2024. A condenação decorreu da oferta de gravações de vídeos a vereadores e prefeitos em troca de doações em dinheiro. Apesar da inelegibilidade, Marçal registrou candidatura à Presidência pelo PRTB, mas o TSE rejeitou por unanimidade o registro em 11 de setembro. A Corte concluiu que ele não cumpriu o requisito de filiação partidária — estava filiado ao União Brasil quando terminou o prazo da janela partidária — e que incidia a causa de inelegibilidade, determinando a retirada de seu nome da urna eletrônica.

Mesmo impedido de concorrer, Marçal consolidou um papel de destaque no ecossistema bolsonarista ao longo da campanha. Atuou de forma informal na campanha de Flávio Bolsonaro, produzindo conteúdos e ampliando o alcance digital do candidato. Aliados do senador enxergaram no influenciador um canal para atingir a periferia e o eleitorado que rejeita políticos tradicionais. A proximidade, porém, gerou incômodo entre setores aliados a Flávio, especialmente os ligados ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que avaliaram a associação como risk.

A trajetória política de Marçal é marcada por um discurso de confronto direto com o PT e com Lula. Em agosto, ele afirmou que queria “aposentar o PT e colocar fim na era Lula” e chamou o presidente de “a maior decepção que esse país já teve”. Em entrevistas posteriores, chegou a declarar que via a si mesmo como “jogador” e Flávio Bolsonaro como “treinador”, e manifestou desejo de comandar um eventual “Ministério da Prosperidade” em um governo bolsonarista. As falas, no entanto, não encontraram eco oficial no Palácio do Planalto até o fechamento desta matéria.

O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 foi realizado em 4 de outubro. Como nenhum candidato alcançou maioria absoluta dos votos válidos, a disputa foi levada ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro. A declaração de Marçal sobre deixar o Brasil foi feita, portanto, na reta final do primeiro turno, em um momento de intensificação da campanha e de articulação para a concentração de votos da direita em torno do candidato do PL.

A ameaça de saída do país, condicionada ao resultado eleitoral, adiciona um elemento de teor pessoal e patrimonial ao discurso político de Marçal, que já havia sinalizado em outras ocasiões ter condições financeiras de morar no exterior, mas optado por permanecer para “ajudar o povo brasileiro”. Desta vez, a possibilidade de deixar o Brasil foi colocada de forma explícita e vinculada diretamente à derrota do campo político que ele afirma defender, em uma transmissão que também serviu para expor a estratégia de união da direita em torno de Flávio Bolsonaro já no primeiro turno.

Fontes consultadas: Diário do Centro do Mundo, Ipirá Notícias, Agência Brasil, Estado de Minas, Gazeta de São Paulo, Revista Fórum, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Poder360, O Globo, G1, BNews, Contigo!, Jornal de Brasília, Bahia Notícias e SBT News.

Tags:

brasileleição 2026Flávio BolsonaroinelegibilidadeLulaPablo Marçalprimeiro turno
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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