Sem dinheiro e sem comida, ator orou por socorro e recebeu três meses depois o papel que já mudaria sua vida para sempre
Em uma manhã de sábado de maio de 2018, o ator Jonathan Roumie acordou em seu pequeno apartamento em Los Angeles diante de uma realidade que parecia não ter saída. A conta bancária estava negativa em cerca de 100 dólares, os cartões de crédito haviam atingido o limite e ele tinha apenas 20 dólares na carteira, quantia suficiente para garantir a comida daquele único dia. Não havia trabalho no horizonte havia três semanas, o auxílio alimentação do governo tinha acabado e as contas de aluguel e serviços básicos seguiam chegando. Depois de oito anos tentando construir uma carreira em Hollywood, o ator que hoje dá vida a Jesus na série The Chosen estava prestes a desistir da atuação.
Roumie nasceu em Nova York, filho de pai egípcio e mãe irlandesa, e foi batizado na Igreja Ortodoxa Grega antes de a família se aproximar do catolicismo. A fé sempre fez parte de sua vida, mas, segundo ele próprio relata, havia uma área que insistia em manter sob controle: a carreira. Ele acreditava que sabia o que era melhor para seu futuro profissional e resistia a entregar esse aspecto de sua vida a Deus. A situação de maio de 2018, porém, o levou a um ponto de ruptura. Sem saber como conseguiria se alimentar no dia seguinte, Jonathan se ajoelhou diante de um crucifixo em seu apartamento e fez uma oração de entrega absoluta. Ele pediu ajuda para o imediato, para a comida do dia seguinte, e colocou nas mãos de Deus o destino de sua profissão e de sua própria vida.
A resposta, conforme o relato do ator, veio no mesmo dia. Depois de sair de casa e gastar os últimos 20 dólares em um sanduíche de café da manhã, ele voltou e encontrou quatro cheques inesperados em sua caixa de correio. Eram pagamentos residuais de trabalhos antigos que ele já não acreditava que receberia. Juntos, os cheques somavam cerca de 1.100 dólares, valor que lhe permitiu atravessar aquele momento crítico e pagar parte das dívidas que se acumulavam. Para Roumie, aquele não foi apenas um alívio financeiro, mas a confirmação de que sua oração havia sido ouvida. A partir daquele dia, ele diz ter deixado de se preocupar com a forma como ganharia a vida, confiando que havia um propósito maior em sua trajetória.
A reviravolta profissional, no entanto, ainda estava por vir. Cerca de três meses depois daquele episódio, Jonathan recebeu uma ligação de Dallas Jenkins, criador da série The Chosen. Os dois já se conheciam de trabalhos anteriores: Jenkins havia escalado Roumie para interpretar Jesus em um curta-metragem chamado The Two Thieves, produzido para a igreja que o diretor frequentava. Naquele momento, Jenkins preparava o piloto de uma série independente sobre a vida de Jesus e seus discípulos e convidou Roumie para reassumir o papel. O ator que meses antes não tinha dinheiro para comer aceitou o convite que mudaria sua vida.
A série estreou de forma modesta, financiada por doações coletivas e sem o respaldo de um grande estúdio. O primeiro ano de produção quebrou recordes de arrecadação por crowdfunding, e o que se seguiu foi um fenômeno global. The Chosen se tornou a primeira série de múltiplas temporadas inteiramente dedicada à vida de Jesus e seus discípulos, alcançando mais de 280 milhões de espectadores em 175 países. A produção foi traduzida para mais de 125 idiomas e reconhecida pelo Guinness World Records como a série de streaming mais traduzida do mundo. No Brasil e em diversos outros países, a atração passou a ser distribuída por plataformas como Netflix, Amazon Prime Video e Peacock, além do aplicativo próprio da série, acumulando centenas de milhões de visualizações.
O sucesso de The Chosen também transformou a relação do público com a figura de Jesus. Fãs da série frequentemente abordam Roumie na rua pedindo fotos e bênçãos, e muitos relatam que a interpretação do ator os ajudou a enxergar a figura de Cristo de forma mais humana e próxima. O próprio Jonathan reconhece o peso dessa responsabilidade. Em entrevistas, ele afirma que a experiência é humilhante e que carrega uma carga emocional significativa, especialmente porque algumas pessoas projetam nele a esperança de cura ou de consolo espiritual. Ainda assim, ele diz encarar o papel como o trabalho de uma vida e como a concretização de um propósito que começou a se desenhar naquele sábado de maio de 2018, quando, sem dinheiro e sem perspectivas, decidiu orar.
Fontes consultadas: Deseret News, In Touch Weekly, The New Yorker, EWTN, Christianity Today, Vatican News, New York Post e Correio Braziliense.