Escândalo na Flórida: 281 presos e funcionários da Disney e Universal detidos
Funcionários da Disney e da Universal estão entre 281 presos em ação contra tráfico humano e exploração sexual infantil
Uma operação de segurança pública de grande escala, conduzida ao longo de sete dias no condado de Polk, no estado da Flórida, resultou na detenção de 281 pessoas e no indiciamento por 488 novas acusações criminais, das quais 198 são classificadas como crimes graves e 290 como contravenções. A ação, batizada de “Polk Around & Find Out II”, foi anunciada pelas autoridades locais e é considerada a maior operação infiltrada já realizada pelo gabinete do xerife da região. O balanço final foi divulgado após uma entrevista coletiva liderada pelo xerife Grady Judd, que detalhou os desdobramentos de duas investigações secretas realizadas de forma simultânea. Entre os detidos, encontram-se 17 funcionários de parques temáticos da região, sendo 13 vinculados à Walt Disney World e quatro à Universal Studios, o que ampliou a repercussão do caso. A operação também resultou na identificação de 11 vítimas de tráfico humano, que receberam encaminhamento para serviços de apoio. A investigação revelou um cenário complexo, que combinou a repressão à predação sexual infantil com o combate a redes de exploração sexual comercial.
A operação foi estruturada em duas frentes de atuação que ocorreram em paralelo. A primeira investigação teve como alvo adultos que viajavam até o condado com a intenção de manter relações sexuais com menores de idade. Nessa frente, 32 pessoas foram presas após conversarem com agentes disfarçados que se passavam por crianças ou por seus responsáveis. A segunda investigação concentrou-se no combate ao tráfico de pessoas e resultou em 249 detenções adicionais, incluindo 117 pessoas acusadas de comprar serviços sexuais e 122 suspeitas de prostituição.
As autoridades destacaram que os 281 detidos possuíam, em conjunto, um histórico criminal anterior que somava 798 acusações, das quais 358 eram crimes graves. Nove pessoas estavam em liberdade condicional no momento das abordagens, por delitos que incluíam roubo a banco e crueldade contra menores de idade. Outras nove já haviam sido presas em operações anteriores do mesmo gabinete do xerife. Durante a ação, os agentes apreenderam 24 armas de fogo e formularam acusações de posse de drogas contra 32 suspeitos, com a apreensão de substâncias como metanfetamina, cocaína e fentanil. Registros indicaram ainda que 22 detidos recebiam, em conjunto, cerca de 8.373 dólares mensais em assistência pública, o que totaliza 100.476 dólares por ano. Apenas 40 dos 281 presos residiam no condado de Polk; os demais vieram de outras regiões da Flórida, de 20 outros estados norte-americanos e de 18 países.
Entre os detidos, as autoridades confirmaram que 32 eram imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos, provenientes de países como Cuba, Venezuela, México e Haiti. Até o momento da coletiva, 16 deles haviam sido transferidos para a custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Um funcionário do ICE informou que a agência entrevistou mais de 65 pessoas nascidas no exterior e emitiu mais de 30 mandados de detenção contra indivíduos sujeitos a remoção.
O xerife Grady Judd detalhou casos que chamaram a atenção durante a operação. Um dos presos foi identificado como Colin Klaco, de 24 anos, que já havia trabalhado como intérprete do personagem Mickey Mouse na Disney. Segundo as autoridades, ele foi encontrado com duas mochilas cheias de fraldas, associadas a um fetiche investigado pelos agentes. A descrição do xerife foi contundente: ele classificou Klaco como “a pessoa mais doente e nojenta que já prendemos”. Em outro caso, um funcionário da Disney foi abordado quando tentava se encontrar com um detetive disfarçado de menino de 13 anos; no momento da prisão, ele estava com o uniforme de trabalho dentro do carro. Um terceiro suspeito, identificado como Adam Snyder, de 24 anos, afirmou trabalhar na área do Toy Story Land, na Disney World; os investigadores encontraram parte de seu uniforme e sua identificação da empresa no veículo.
A operação também prendeu o treinador principal do time infantil de futebol americano Davenport Titans, que trabalhava com crianças de 11 a 14 anos. De acordo com as autoridades, ele acreditava que iria se encontrar com uma menina de 14 anos e chegou ao local portando lubrificante e brinquedos sexuais. Ele passou a responder por acusações que incluem viajar para se encontrar com um menor e tentativa de abuso lascivo. Outro detido era um militar da Marinha dos Estados Unidos em serviço ativo. Um policial escolar do condado de Orange, identificado como Eric Raymond, também foi preso após chegar ao local para negociar favores sexuais em troca de dinheiro. O xerife relatou que, ao ser confrontado, Raymond perguntou se sua foto seria divulgada, ao que Judd respondeu que sim, pois “as pessoas esperam mais de um agente da lei”.
A resposta das empresas envolvidas foi imediata. A Disney confirmou às autoridades que demitiu todos os funcionários presos durante a operação. A Universal Studios também declarou que desligou os trabalhadores detidos. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, reforçou o compromisso das autoridades com a aplicação rigorosa da lei. Em declaração, ele afirmou que “predadores que visam as crianças da Flórida serão caçados e processados com todo o rigor da lei” e que “aqueles que vieram ao condado de Polk esperando abusar sexualmente de uma criança encontraram algemas”. O xerife Grady Judd fez um apelo direto aos pais, pedindo que monitorassem a atividade online dos filhos. “Esses predadores estão lá fora, online, tentando aliciar e violar nossas crianças. As coisas que eles dizem às crianças são vis e nojentas, e não são adequadas para ninguém, exceto para detetives treinados lerem”, declarou.
Fontes consultadas: CBS News, G1, Estadão, CNN Brasil, O Globo, NBC Miami, Fox 13 News, Tampa Bay 28, WINK News, WFLX, CBS12, Infobae, Diário do Centro do Mundo, O Dia, CGN, Tribuna do Norte.Escândalo na Flórida: 281 presos e funcionários da Disney e Universal detidos