A China implementou novas restrições que proíbem padres católicos de pregar e rezar pela internet, intensificando o controle sobre atividades religiosas em todo o país. A medida faz parte de um conjunto de diretrizes atualizadas pelo governo chinês que visa limitar a influência das religiões fora do controle estatal, especialmente no ambiente digital.
O novo código de conduta determina que todo o clero católico deve seguir estritamente as normas oficiais impostas pela Administração Estatal de Assuntos Religiosos. As autoridades deixaram claro que transmissões ao vivo, vídeos de conteúdo religioso, missas virtuais e qualquer tipo de evangelização online não são mais permitidas, a menos que ocorram em plataformas previamente aprovadas pelo governo. Além disso, o ensino religioso voltado a menores de idade por meio de meios digitais foi totalmente vetado.

O documento também reforça que líderes e instituições religiosas devem demonstrar lealdade à pátria e apoiar o Partido Comunista Chinês. O texto alerta contra a colaboração com “forças estrangeiras”, termo frequentemente usado para se referir à influência do Vaticano e de organizações internacionais de fé cristã. Essa cláusula é vista como uma tentativa de limitar ainda mais o vínculo entre a Igreja Católica chinesa e a Santa Sé, cuja relação é historicamente delicada.
Especialistas apontam que a medida está alinhada a uma política mais ampla de controle da religião, conhecida como “sinicização da fé”, que busca adaptar as práticas religiosas à ideologia e aos valores chineses. Desde 2018, o governo vem apertando as restrições, obrigando o registro oficial de igrejas, pastores e padres, e impondo censura a conteúdos religiosos considerados “inadequados” ou “influenciados pelo exterior”.
Grupos de direitos humanos criticaram a decisão, afirmando que ela representa mais um passo na repressão à liberdade religiosa no país. Eles alertam que a proibição afeta diretamente milhões de fiéis que dependiam das transmissões online para participar das celebrações, especialmente em regiões onde há poucas igrejas autorizadas.
Para o governo chinês, no entanto, a medida é apresentada como uma forma de “preservar a ordem pública” e garantir que a religião não se torne um canal de interferência estrangeira. Com isso, o espaço digital passa a ser rigidamente monitorado, e qualquer atividade espiritual fora das plataformas oficiais é considerada ilegal.
Analistas observam que o movimento reflete uma tentativa de consolidar a autoridade estatal sobre todos os aspectos da vida religiosa, diminuindo a autonomia de comunidades de fé e reforçando a ideologia de que a lealdade à nação deve vir antes da fé. Essa política, cada vez mais rigorosa, tem transformado a paisagem religiosa da China, tornando o país um dos ambientes mais controlados do mundo em matéria de expressão espiritual.