Comida no topo: 59% da renda brasileira vai para o prato
Alimentação pesa no bolso de 59% dos brasileiros; moradia e contas da casa aparecem logo depois na lista de gastos fixos
A compra de alimentos e os gastos de supermercado são a despesa que mais pressiona o orçamento de cinquenta e nove por cento dos brasileiros. O item aparece à frente de moradia, citada por quarenta por cento dos entrevistados, e de contas da casa, mencionada por trinta e dois por cento. A sequência mostra que o consumo básico e os custos fixos da moradia concentram a maior parte das obrigações que reduzem a margem financeira das famílias ao longo do mês.
O peso da alimentação não se resume à compra de comida. Ele envolve a reposição de itens de supermercado, produtos de limpeza, higiene e outras despesas que acompanham a rotina doméstica e precisam ser pagas com frequência. Quando esse conjunto ocupa a maior fatia do orçamento, sobra menos espaço para transporte, saúde, educação, lazer e imprevistos. A moradia e as contas da casa reforçam essa pressão porque têm vencimento mensal e costumam exigir pagamento mesmo em períodos de renda menor.
O aperto financeiro se concentra em momentos específicos do calendário. Quarenta e um por cento dos entrevistados apontam a terceira e a quarta semanas do mês como os períodos de maior dificuldade. Nessa fase, as primeiras obrigações já foram quitadas ou estão próximas do vencimento, e o dinheiro disponível tende a diminuir. A combinação entre despesas essenciais e renda comprometida faz com que muitas famílias precisem priorizar comida e contas básicas, adiar compras e reduzir gastos considerados menos urgentes.
A organização do orçamento doméstico passa a depender de escolhas mais rígidas. A alimentação, por ser uma necessidade diária, dificilmente pode ser cortada na mesma proporção que outras despesas. Moradia e contas da casa também têm caráter fixo e não costumam permitir redução imediata. Por isso, o impacto recai sobre a capacidade de consumo e sobre a sensação de segurança financeira, que fica menor nas semanas em que os recursos já estão mais comprometidos.
O retrato traçado pelo estudo aponta para uma rotina de pressão sobre a renda, com despesas básicas no centro das preocupações. A comida aparece como principal item de peso para mais da metade dos entrevistados, enquanto moradia e contas da casa completam o grupo das obrigações mais citadas. O aperto relatado na segunda metade do mês confirma que o orçamento familiar chega ao fim do período com pouca margem e que a prioridade recai sobre o que é essencial.
A coleta de dados reuniu mil e oito pessoas entre o fim de setembro e o início de outubro de dois mil e vinte e seis. O conjunto de respostas permite afirmar que a alimentação lidera as despesas que mais pesam, seguida por moradia e contas da casa, e que a terceira e a quarta semanas concentram o maior aperto financeiro para quarenta e um por cento dos entrevistados.
Fonte: Serasa e Instituto Opinion Box, com levantamento realizado entre o fim de setembro e o início de outubro de dois mil e vinte e seis, junto a mil e oito pessoas.