O cometa Lemmon (C/2025 A6) promete um espetáculo raro no céu brasileiro neste domingo (26), especialmente para os observadores do Distrito Federal e das regiões Sudeste e Centro-Oeste. De acordo com o Clube de Astronomia de Brasília, o fenômeno será visível a olho nu durante a noite, oferecendo uma oportunidade única para quem deseja testemunhar a passagem desse visitante cósmico que não retornará tão cedo.
O Lemmon foi descoberto em janeiro deste ano pelo observatório Mount Lemmon, localizado no Arizona, Estados Unidos. Desde 18 de outubro, o cometa vem sendo observado em diversas partes do país, mas o ápice da visibilidade ocorrerá neste fim de semana, quando cruzará o céu do DF em condições favoráveis. Sua cauda esverdeada, causada pela interação de gases como o cianogênio e o carbono diatômico com a luz solar, dará um toque de brilho e cor ao firmamento.

Segundo o astrônomo e doutorando em ciências da Universidade de Brasília, Adriano Leonês, a luminosidade do Lemmon é considerada excepcional para um cometa recente. “Os astros celestes têm o brilho medido em escala logarítmica. Quando o número é negativo, o objeto é mais brilhante; quando é positivo, é menos. O olho humano enxerga até a 6ª magnitude, e o Lemmon está na 2ª magnitude, o que o torna perfeitamente visível a olho nu”, explicou.
Leonês também recomenda o uso de equipamentos simples, como binóculos ou telescópios, para quem quiser observar detalhes da estrutura do cometa. Ele ressalta ainda a raridade do evento: “Esse cometa só voltará a se aproximar da Terra daqui a aproximadamente 1.300 anos. Estamos diante de um fenômeno que só as próximas gerações muito distantes poderão rever.”
Nos últimos dias, o Lemmon foi avistado nas regiões Norte e Nordeste. Agora, ele segue em trajetória pelo Centro-Oeste e, na quinta-feira (29), poderá ser observado na região Sul, antes de contornar o Sol e desaparecer gradualmente da vista terrestre até o dia 12 de novembro.
Os especialistas recomendam que os interessados busquem locais afastados das cidades, com pouca iluminação artificial e horizonte amplo. Áreas rurais e parques distantes de centros urbanos são ideais para contemplar o fenômeno com maior clareza. “Por ter um brilho relativamente discreto, o cometa se mostra melhor em céus escuros e limpos, livres da poluição luminosa das metrópoles”, destaca Leonês.
O cometa Lemmon é mais do que um espetáculo visual. Ele representa uma oportunidade de conexão com o cosmos e com o próprio tempo, lembrando que, enquanto a humanidade vive em ciclos curtos, os corpos celestes seguem trajetórias que atravessam milênios. Quem olhar para o céu neste domingo verá não apenas um cometa, mas também um fragmento da história do Sistema Solar passando diante dos olhos.