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Histórias

Engenheira Zita Timbó liderou a construção do Castanhão, conciliando maternidade e gestão de 1.200 trabalhadores por mais de 4 anos

By Estagiário
junho 4, 2026 3 Min Read
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A história da construção do Açude Castanhão está diretamente ligada ao nome da engenheira Maria Zita Timbó Araújo, profissional cearense que assumiu uma das maiores responsabilidades da engenharia nacional ao coordenar a execução da maior barragem de usos múltiplos da América Latina. Natural da cidade de Ipu, no interior do Ceará, Zita tornou-se referência ao liderar um empreendimento que transformaria o abastecimento hídrico e o desenvolvimento econômico de grande parte do estado.

Em 1995, quando recebeu o convite para assumir a coordenação da obra, a engenheira enfrentava um desafio que ia muito além da complexidade técnica do projeto. Naquele momento, seu filho tinha apenas nove meses de idade, circunstância que tornou sua trajetória ainda mais emblemática. Em um setor tradicionalmente dominado por homens, ela aceitou a missão de comandar uma equipe formada por aproximadamente 1.200 trabalhadores, conciliando a maternidade com uma das funções de maior responsabilidade da engenharia brasileira.

Durante mais de quatro anos, Maria Zita Timbó esteve à frente das atividades que envolveram planejamento, execução e acompanhamento de todas as etapas da construção. A grandiosidade do empreendimento exigia decisões estratégicas diárias, coordenação de equipes multidisciplinares e monitoramento constante para garantir que os trabalhos fossem realizados dentro dos padrões técnicos estabelecidos.

O Açude Castanhão foi concebido para desempenhar múltiplas funções essenciais para o Ceará. Além de assegurar o abastecimento de água para milhões de pessoas, a barragem passou a desempenhar papel fundamental no controle de cheias, na irrigação agrícola, no desenvolvimento da piscicultura e no fortalecimento da segurança hídrica em períodos de seca prolongada.

Entretanto, os desafios enfrentados pela engenheira não se limitaram aos aspectos estruturais da obra. A construção do reservatório provocou profundas transformações sociais em diversas comunidades da região. O enchimento da barragem exigiu o reassentamento de famílias que viviam em áreas posteriormente inundadas, incluindo moradores de localidades históricas que precisaram ser transferidas para novas áreas urbanas planejadas.

A condução desse processo exigiu diálogo constante entre governo, comunidades e equipes técnicas. Além das questões de engenharia, era necessário lidar com sentimentos de perda, adaptação e reconstrução da vida de milhares de pessoas que precisaram deixar para trás locais onde haviam construído suas histórias. Esse aspecto humano tornou a missão ainda mais complexa e reforçou a importância da liderança exercida por Zita Timbó ao longo de todo o projeto.

O sucesso da construção consolidou o nome da engenheira como uma das figuras mais importantes da infraestrutura hídrica brasileira. Sua atuação demonstrou que competência técnica, capacidade de gestão e sensibilidade social podem caminhar juntas em grandes empreendimentos públicos.

Décadas após a conclusão da obra, a trajetória de Maria Zita Timbó Araújo continua servindo de inspiração para mulheres de diferentes áreas profissionais. Sua história representa a superação de barreiras em um ambiente predominantemente masculino e mostra que é possível ocupar posições de liderança sem abrir mão da maternidade.

Mais do que coordenar uma das maiores obras da engenharia nacional, Zita tornou-se símbolo de determinação, competência e pioneirismo. Seu legado permanece vivo tanto na importância estratégica do Açude Castanhão para o Ceará quanto no exemplo deixado para novas gerações de mulheres que buscam conciliar carreira, família e grandes responsabilidades profissionais.

Fonte: Governo do Ceará, Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), registros históricos da construção do Açude Castanhão e informações biográficas sobre a engenheira Maria Zita Timbó Araújo.

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