Enquanto o mundo finge normalidade, a China volta a exibir sua face autoritária. O regime comunista intensificou uma das maiores ofensivas religiosas das últimas décadas, mirando os seguidores de Cristo. Em uma operação simultânea realizada durante a madrugada em diversas províncias, mais de 30 líderes da Igreja Zion foram presos. A igreja, uma das maiores congregações domésticas do país, é conhecida por sua independência do controle estatal e por sua rápida expansão entre os fiéis chineses.
Entre os detidos está o pastor Jin Mingri, fundador e principal líder da Zion Church. Ele foi levado de sua casa à meia-noite por um grupo de dez policiais. Sua única “culpa” foi pregar o Evangelho sem a supervisão do Partido Comunista Chinês, algo considerado subversivo pelo regime. A ação foi parte de um esforço coordenado para sufocar o crescimento das igrejas independentes, que o governo vê como uma ameaça ao monopólio ideológico do partido.

A Zion Church surgiu em 2007 com apenas vinte pessoas reunidas em um pequeno apartamento de Pequim. Hoje, estima-se que conte com mais de dez mil fiéis em quarenta cidades. Esse crescimento rápido atraiu a atenção das autoridades, especialmente após 2018, quando a liderança da igreja recusou a ordem de instalar câmeras de vigilância nos templos. Desde então, as pressões aumentaram: templos foram invadidos, cultos interrompidos e pastores intimidados. A atual operação representa, segundo a organização ChinaAid, a maior repressão contra cristãos desde a Revolução Cultural.
A reação internacional foi imediata. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, condenou a ação e exigiu a libertação imediata dos pastores. Ele afirmou que o Partido Comunista demonstra medo da fé e tenta substituir Deus pelo Estado. Ex-altos funcionários como Mike Pence e Mike Pompeo também se pronunciaram, destacando que a perseguição religiosa chinesa é uma violação direta dos direitos humanos mais básicos. Pequim respondeu com o habitual discurso de negação, afirmando que “defende a liberdade religiosa” dentro de suas leis, enquanto mantém líderes cristãos encarcerados.
Entre lágrimas, a esposa do pastor Jin publicou uma carta comovente. Nela, expressou tristeza, mas também esperança: “Meu coração está cheio de choque e dor, mas sei que Deus está conosco. Jin é inocente. Ele apenas cumpriu o seu chamado como pastor fiel.” Em um sermão recente, Jin já havia sido questionado sobre o que aconteceria se todos fossem presos. Sua resposta ecoa agora como profecia: “Aleluia! Pois uma nova onda de avivamento virá então.”
Mesmo sob vigilância e censura, os cristãos chineses continuam se reunindo em segredo, movidos por uma fé que nem o poder de um regime totalitário consegue sufocar.