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Política

Genro de Donald Trump se reúne com Netanyahu para negociar plano de paz em Gaza

By Régis Andrade
19 de agosto de 2026 7 Min Read
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Genro do presidente dos Estados Unidos desembarca em Israel para reunião considerada decisiva sobre o futuro da Faixa de Gaza

Jared Kushner, conselheiro sênior da Casa Branca e genro do presidente Donald Trump, chegou a Jerusalém no início da manhã desta segunda feira, 17 de fevereiro, para um encontro fechado com o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A reunião, realizada no gabinete oficial do chefe de governo israelense, teve duração de aproximadamente três horas e foi tratada por assessores diretos como uma das mais relevantes etapas das negociações para tentar encerrar o conflito na Faixa de Gaza. A conversa ocorreu sem a presença de jornalistas, sem transmissão ao vivo e sem declarações oficiais imediatas.

A vinda de Kushner a Israel foi precedida por uma passagem discreta pelo Cairo, capital do Egito, onde o conselheiro americano manteve contatos com representantes do grupo palestino Hamas. Essas conversas, conduzidas com mediação do serviço de inteligência egípcio, tiveram como objetivo central mapear as condições apresentadas pela liderança do grupo para aceitar um cessar fogo prolongado e iniciar um processo de libertação de reféns. A informação foi confirmada por interlocutores que acompanham as tratativas e que descreveram o clima das conversas como reservado, porém com sinais considerados positivos para a continuidade do diálogo.

O plano apresentado pela administração Trump prevê uma estrutura dividida em etapas sequenciais. A primeira fase estabelece a suspensão total dos ataques por um período de seis semanas, com a libertação imediata de mulheres, crianças, idosos e feridos que permanecem em poder do Hamas. A segunda fase contempla a retirada gradual das forças militares israelenses das áreas urbanas mais densas da Faixa de Gaza e a ampliação significativa da entrada de ajuda humanitária. A terceira fase trata da libertação de soldados capturados e da abertura de discussões sobre um novo arranjo político e administrativo para o território palestino.

Durante a reunião com Netanyahu, Kushner apresentou um documento detalhado com os pontos já acordados nas conversas preliminares realizadas no Egito. O texto inclui prazos específicos, mecanismos de verificação e garantias de implementação para cada etapa do processo. O conselheiro americano defendeu a necessidade de transformar o atual momento de trégua frágil em um cessar fogo definitivo, com regras claras de monitoramento e consequências para eventuais violações por qualquer uma das partes.

Netanyahu, por sua vez, reafirmou as exigências históricas do governo israelense para qualquer acordo duradouro. O primeiro ministro deixou claro que não aceitará a permanência do Hamas como força militar ativa na Faixa de Gaza e que qualquer solução definitiva precisa incluir a desmilitarização completa do território. O líder israelense também manifestou preocupação com a possibilidade de que a pausa nos combates seja utilizada pelo grupo palestino para reorganizar suas estruturas e reabastecer seus arsenais.

A presença de Kushner em Jerusalém é vista por diplomatas envolvidos nas negociações como uma tentativa direta da Casa Branca de romper o impasse que se arrasta há semanas. As conversas mediadas por Egito e Catar haviam perdido ritmo diante de divergências sobre a sequência das libertações, a extensão das zonas de segurança e o papel dos observadores internacionais. A entrada pessoal do genro do presidente americano no processo altera a dinâmica das negociações, pois coloca um representante com acesso direto ao presidente Trump na linha de frente das conversas.

Além do encontro com Netanyahu, Kushner cumpriu agenda com o ministro da Defesa de Israel e com o chefe do Estado Maior das Forças de Defesa Israelenses. Nessas reuniões técnicas, foram discutidos mapas com o desenho das zonas de amortecimento propostas, a localização dos corredores humanitários e os pontos de passagem que permaneceriam abertos durante a primeira fase do acordo. Os militares israelenses apresentaram avaliações sobre a situação no terreno e apontaram áreas que consideram prioritárias para a manutenção do controle de segurança.

A proposta americana também inclui um componente econômico de grande escala. O plano prevê a criação de um fundo internacional para a reconstrução de Gaza, com participação de países árabes, europeus e de instituições financeiras multilaterais. Os recursos seriam aplicados na recuperação de hospitais, escolas, redes de água e esgoto, sistemas de energia elétrica e moradias destruídas durante os meses de conflito. A gestão desse fundo seria feita por um comitê internacional, com supervisão de representantes da Autoridade Palestina reformada e de doadores externos.

A questão da governança de Gaza após um eventual acordo é considerada o ponto mais delicado de toda a negociação. O governo israelense rejeita qualquer modelo que permita ao Hamas manter influência direta sobre a administração do território. A proposta americana sugere a formação de um conselho provisório, composto por técnicos palestinos sem vínculo partidário, que assumiria a gestão civil durante um período de transição de até dois anos. Ao final desse prazo, eleições locais seriam convocadas sob supervisão internacional.

Líderes do Hamas que participaram das conversas no Cairo demonstraram resistência à ideia de abrir mão do controle armado da Faixa de Gaza sem garantias concretas sobre a retirada total das forças israelenses e a suspensão definitiva dos bloqueios econômicos. O grupo também exige a libertação de prisioneiros palestinos detidos em Israel e o reconhecimento do direito de retorno para famílias deslocadas. Esses pontos não foram totalmente incorporados à proposta americana, o que mantém o risco de colapso das negociações em fases posteriores.

A viagem de Kushner ocorre em um contexto de pressão internacional crescente por uma solução humanitária imediata. Agências das Nações Unidas estimam que mais de um milhão de palestinos estejam deslocados dentro da Faixa de Gaza, muitos vivendo em abrigos superlotados e sem acesso regular a água limpa, alimentos e medicamentos. Hospitais operam com estoques mínimos e há relatos de aumento de doenças infecciosas entre crianças e idosos. A comunidade internacional cobra das partes envolvidas um compromisso concreto com a proteção de civis e a garantia de acesso humanitário sem restrições.

O plano americano estabelece a abertura permanente de pelo menos três corredores de ajuda, com fiscalização conjunta de representantes do Egito, da Jordânia e da Organização das Nações Unidas. A medida busca evitar que carregamentos sejam usados para transporte de armamentos e garantir que os suprimentos cheguem efetivamente à população civil. A implementação dessa estrutura de monitoramento depende de acordo entre Israel, Egito e as facções palestinas, o que ainda não foi totalmente fechado.

A expectativa entre os mediadores é que a rodada de conversas em Jerusalém produza definições concretas até quinta feira, 20 de fevereiro. O governo egípcio já comunicou disposição para sediar uma nova rodada ampliada no Cairo nos dias seguintes, caso as partes alcancem um entendimento mínimo sobre os termos apresentados por Kushner. O Catar também mantém canais ativos com a liderança política do Hamas e pode atuar como facilitador para reduzir resistências internas dentro do grupo palestino.

A postura de Kushner durante as conversas tem sido descrita como pragmática e orientada para resultados de curto prazo. O conselheiro americano evita discursos longos e concentra as discussões em pontos específicos, com metas mensuráveis e prazos definidos. Essa abordagem, segundo pessoas próximas às negociações, tem ajudado a reduzir a desconfiança entre as partes e a criar um ambiente mais favorável ao avanço das tratativas.

O envolvimento direto de Kushner nas negociações também é interpretado como um sinal de que a Casa Branca quer resultados antes do início do período eleitoral americano. O presidente Donald Trump tem repetido que considera a estabilização do Oriente Médio uma prioridade de sua administração e que deseja ver um acordo assinado ainda neste ano. A presença do genro na linha de frente das conversas reforça o peso político da missão e sinaliza aos líderes regionais que as propostas apresentadas têm aval direto do presidente.

A reunião entre Kushner e Netanyahu terminou sem anúncio formal de acordo. As partes concordaram em manter os canais de comunicação abertos e em realizar novas rodadas técnicas nos próximos dias. Uma fonte ligada à delegação americana afirmou que as conversas foram produtivas e que há avanços significativos em relação à estrutura do cessar fogo e ao cronograma de libertação de reféns. A mesma fonte ponderou que questões relacionadas ao futuro político de Gaza ainda exigem discussões adicionais.

A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos das negociações. Diplomatas de países europeus e árabes têm mantido contato frequente com as equipes envolvidas, oferecendo apoio logístico e financeiro para a implementação das primeiras etapas do acordo. Há também movimentação no Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar uma resolução que endosse os termos do cessar fogo e crie um mecanismo formal de acompanhamento do cumprimento das obrigações assumidas pelas partes.

O desfecho das conversas em Jerusalém deve influenciar diretamente o calendário das próximas semanas. Se houver avanço consistente, a expectativa é que as negociações sejam retomadas no Cairo com a participação de delegações de Israel, do Hamas, dos Estados Unidos, do Egito e do Catar. Caso contrário, o risco de retomada das hostilidades em larga escala volta a crescer, com consequências humanitárias imprevisíveis para a população civil da Faixa de Gaza.

Fontes consultadas para esta matéria: Interlocutores das negociações no Cairo e em Jerusalém, assessores do governo americano, membros da delegação israelense e diplomatas envolvidos nas tratativas.

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