IML confirma Oliver Tree como última vítima de queda de helicóptero no Recreio; cantor foi identificado por arcada dentária
O Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no centro da capital fluminense, concluiu na última terça-feira (16) o processo de identificação de todas as seis vítimas fatais da colisão entre dois helicópteros ocorrida no último domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O último corpo a ser oficialmente reconhecido foi o do cantor norte-americano Oliver Tree Nickell, de 32 anos, cuja identificação só foi possível por meio de exames complementares de arcada dentária, em razão do elevado grau de carbonização de seus restos mortais.
O artista, que estava em turnê pelo Brasil e se apresentou em São Paulo no dia 6 de junho, era o único entre os ocupantes cuja identidade ainda não havia sido confirmada. Segundo informações da Polícia Civil, os corpos dos brasileiros Lucas Brito Chaves, Charles Marsillac e Alexandre Souza, além dos argentinos Gaspar Prim e Lucas Vignale, já haviam sido liberados para as famílias nos dias anteriores. Com a conclusão do laudo pericial de Oliver Tree, encerra-se a fase de reconhecimento das vítimas pela perícia, e os trâmites para o traslado do corpo do artista ao exterior devem ser iniciados com o auxílio das autoridades consulares dos Estados Unidos.
O acidente, que chocou o país e ganhou repercussão internacional, ocorreu por volta das 9 horas da manhã de domingo, quando as duas aeronaves colidiram em pleno ar sobre a Avenida das Américas, uma das principais vias da cidade. O impacto arremessou os destroços em um pátio de veículos elétricos, provocando um incêndio de grandes proporções que consumiu cerca de 20 carros que estavam estacionados. Imagens do local mostraram uma espessa coluna de fumaça preta, visível a quilômetros de distância, e o trabalho exaustivo dos bombeiros para controlar as chamas e resgatar os corpos, que ficaram presos às ferragens.
A tragédia ceifou a vida de cinco pessoas que estavam em uma das aeronaves e do piloto da outra. A lista completa de vítimas inclui Lucas Brito Chaves, produtor musical e DJ carioca conhecido como Lucas Frota; os argentinos Gaspar Prim, um youtuber com mais de 7 milhões de seguidores, e Lucas Vignale, diretor musical; o piloto Alexandre Souza; e Charles Marsillac, piloto que estava sozinho na segunda aeronave e era descrito por amigos como um profissional experiente, sério e dedicado à família.
Oliver Tree, natural de Santa Cruz, na Califórnia, era um fenômeno da música pop alternativa, conhecido por seu estilo performático e visual excêntrico, que incluía o famoso corte de cabelo “tigelinha” e roupas oversized e coloridas. Com mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify, ele havia se consolidado como um dos artistas mais versáteis da era digital. Entre seus maiores sucessos estão “Life Goes On” e “Miss You”, que ultrapassaram a marca de 700 milhões de reproduções. Sua carreira foi marcada por colaborações com nomes de peso da indústria musical, como David Guetta, Marshmello, Diplo e o brasileiro Alok.
Além de sua carreira musical, o artista era uma personalidade marcante nas redes sociais, onde acumulava milhões de seguidores que acompanhavam seu humor ácido e suas produções irreverentes. Sua passagem relâmpago pelo Rio de Janeiro, onde visitou a comunidade da Rocinha, jogou futebol e interagiu com fãs, gerou comoção. A sua morte interrompeu uma agenda que previa o início de uma turnê europeia em Lisboa, Portugal, no dia 1º de julho, deixando fãs, amigos e familiares em luto.
O acidente está sendo investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que enviou especialistas ao local para realizar a coleta de dados, preservação de elementos e verificação dos danos. A Força Aérea Brasileira (FAB) também está envolvida na apuração das causas da colisão, que ainda não foram oficialmente determinadas. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que está apurando a situação das aeronaves e dos pilotos envolvidos.
A morte de Oliver Tree, com apenas 32 anos, gerou uma onda de homenagens nas redes sociais, com fãs e artistas lamentando a perda de um “gênio” e de uma “alma linda”, como descreveu o produtor Diplo. A Embaixada dos Estados Unidos manifestou suas condolências à família do cantor, e a BYD, dona dos veículos destruídos no pátio onde a aeronave caiu, expressou solidariedade às famílias das vítimas. O corpo do DJ Lucas Frota foi cremado no Cemitério Memorial do Carmo, enquanto os corpos dos argentinos devem ser transladados para a Argentina, com os trâmites sendo conduzidos por consulados e funerárias.