O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), anunciou neste domingo, 10 de agosto, que a Casa vai incluir na pauta desta semana projetos voltados ao combate da chamada “adultização infantil”. O tema ganhou força após a enorme repercussão de um vídeo publicado no X pelo influenciador Felca (Felipe Campos), que denunciou a crescente exposição precoce de crianças a conteúdos, comportamentos e estéticas tipicamente adultas.
Segundo Motta, o impacto do vídeo foi decisivo para acelerar a discussão. “O vídeo do Felca sobre a adultização das crianças chocou e mobilizou milhões de brasileiros. O tema é urgente e já conta com propostas em tramitação na Câmara. Vamos pautar e enfrentar essa discussão”, afirmou o presidente da Casa.

As propostas que já circulam no Legislativo incluem a criação de regras mais rígidas para a exibição de crianças em redes sociais, limites claros para participação em campanhas publicitárias e produções de conteúdo online, além de uma fiscalização mais severa sobre o que é veiculado ao público infantojuvenil. Outro ponto em debate é a responsabilização legal de pais, responsáveis e patrocinadores que permitirem ou incentivarem a exploração de imagem infantil de maneira inapropriada.
O assunto, que há anos é discutido em setores especializados de psicologia, pedagogia e direitos da criança, agora chega ao centro do debate político impulsionado pelo alcance das redes sociais e pela indignação popular. Com a chamada “Lei Felca”, como já vem sendo apelidada por internautas, a expectativa é criar um marco regulatório capaz de proteger crianças dos riscos associados à exposição excessiva e à imposição de padrões adultos antes do tempo.
Especialistas alertam que a adultização infantil pode trazer consequências graves para o desenvolvimento psicológico e emocional, como ansiedade, distorção de autoimagem e perda de vivências próprias da infância. A pressão para que essas medidas sejam votadas rapidamente demonstra que o tema ultrapassou barreiras ideológicas e se tornou uma preocupação coletiva que envolve família, Estado e sociedade.
Se aprovadas, as novas regras poderão estabelecer um precedente importante no combate à exploração e à hipersexualização infantil no ambiente digital e fora dele, criando uma rede de proteção mais ampla e efetiva para as futuras gerações.