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Política

Lula afirma que o Brasil precisa de equilíbrio fiscal para conquistar a confiança dos investidores

By Régis Andrade
7 de novembro de 2026 6 Min Read
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Após reunião com economistas, presidente afirma que o país precisa de economia arrumada para atrair capital externo hoje

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a primeira reunião do Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, realizada no Palácio do Planalto em 5 de novembro de 2026, para enviar ao mercado financeiro um recado direto sobre a condução da política econômica de seu quarto mandato. Horas depois de comandar um encontro no Palácio da Alvorada com ministros, ex-ministros e economistas para debater o rumo das contas públicas, o presidente afirmou que o Brasil só atrairá capital estrangeiro se demonstrar seriedade, previsibilidade e compromisso com a responsabilidade fiscal e jurídica. A declaração foi interpretada por auxiliares e analistas como uma sinalização de que o governo reeleito em 25 de outubro pretende adotar uma postura mais austera na gestão do Orçamento, ainda que sem abrir mão dos compromissos sociais.

Durante o discurso, Lula foi enfático ao associar a confiança do investidor à organização das contas públicas. Segundo o presidente, ninguém aplica recursos em uma economia desordenada, e os aportes só chegam quando há perspectiva real de retorno financeiro. Ele descartou que o Brasil possa atrair investimentos com base apenas em simpatias políticas ou pessoais, e vinculou a entrada de capital à existência de segurança jurídica e de regras fiscais críveis. A fala ocorreu em um momento de pressão crescente sobre o governo para que apresente medidas concretas de contenção de despesas, com a dívida bruta do governo geral tendo alcançado 82,9% do Produto Interno Bruto em setembro de 2026, o equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central. No encerramento do mandato anterior, em dezembro de 2022, o indicador estava em 71,7% do PIB.

A reunião do conselho de minerais críticos também serviu para que o governo aprovasse a lista de 27 substâncias que terão prioridade na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro de 2026. Os minerais foram divididos em três classes de prioridade. A classe de prioridade alta reúne terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. A prioridade média abrange tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre. Já a classe de prioridade baixa inclui nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e o grupo da platina. A classificação levou em conta fatores como risco geopolítico, concentração geográfica da produção, potencial de substituição, posição do Brasil nas cadeias produtivas e grau de dependência externa. Apenas os empreendimentos voltados a esses minerais e inscritos no Cadastro Nacional de Projetos poderão acessar instrumentos de fomento como o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, criado para compartilhar riscos e alavancar crédito nas fases iniciais de pesquisa e lavra.

No mesmo discurso, Lula defendeu que o Estado não atue como senhor supremo da exploração mineral, mas sim como parceiro de empresas e países dispostos a investir na transformação e industrialização dos recursos em território nacional. O presidente citou a necessidade de o Brasil deixar de exportar apenas minério bruto e passar a agregar valor à produção, com processamento, refino e fabricação industrial. A exploração de terras raras e outros minerais críticos ganhou peso na campanha eleitoral de 2026, sendo apresentada como pauta de soberania nacional diante do interesse de potências estrangeiras, especialmente os Estados Unidos. O secretário-executivo do conselho, Leonardo Durans, explicou que a lista aprovada é o primeiro passo para a elaboração do plano nacional do setor, que definirá as cadeias produtivas prioritárias e os incentivos correspondentes.

O encontro no Palácio da Alvorada, realizado horas antes da reunião do conselho, reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Dario Durigan, o ministro do Planejamento Bruno Moretti, a ministra da Casa Civil Miriam Belchior, a ministra da Gestão Esther Dweck, o presidente do BNDES Aloizio Mercadante, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho, os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, além dos economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira. O grupo discutiu diagnósticos e caminhos para a política fiscal, mas não fechou medidas específicas. Após a reunião, Durigan afirmou que não há fórmula mágica e que o governo manterá o compromisso de melhorar as contas públicas dentro das regras fiscais vigentes, com reforço do que precisa ser ajustado. As propostas em estudo devem ser apresentadas a Lula após sua viagem internacional à COP31, na Turquia, prevista para começar na semana seguinte.

A fala do presidente sobre responsabilidade fiscal foi recebida com atenção pelo mercado, que vinha cobrando sinais claros de austeridade desde a eleição. Nos dias que antecederam o pronunciamento, a bolsa de valores acumulou perda superior a 30 mil pontos e o dólar, que havia ficado abaixo de R$ 5, alcançou R$ 5,49 na tarde de 5 de novembro. Na véspera, o Comitê de Política Monetária do Banco Central havia mantido a taxa Selic em 13,75% ao ano, em um comunicado que mencionou cautela diante do cenário de maior incerteza fiscal. Ainda assim, Lula tratou de equilibrar o aceno ao mercado com a defesa das políticas sociais. No dia seguinte, durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética, o presidente afirmou que o pobre não pagará a conta de um eventual ajuste e que não levará a população a nenhum sacrifício. Ele comparou a dívida brasileira à de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália e pediu que o ministro da Fazenda apresentasse dados sobre a situação fiscal encontrada no início do terceiro mandato, em 2023, quando o governo anterior teria deixado um déficit de 2,8% do PIB.

Relatório da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal divulgado em dezembro de 2025 já apontava que as atuais regras de controle das contas públicas eram insustentáveis, mesmo com o cumprimento das metas fiscais. A projeção da IFI indicava que a dívida bruta do governo geral poderia atingir 124,9% do PIB em 2035, caso o ritmo de crescimento das despesas não fosse contido. Para estabilizar a dívida, o órgão calculava ser necessário um superávit primário de 2,3% do PIB ao ano, cenário distante da trajetória de déficits sucessivos observada desde 2014. O governo, por sua vez, projetava uma dívida de 81,6% do PIB no mesmo período. A equipe econômica prometeu apresentar resultados melhores nos próximos anos, mas evitou detalhar quais medidas concretas seriam adotadas para reverter a tendência de alta do endividamento.

A expectativa entre auxiliares presidenciais era de que Lula gravasse um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para tratar da trajetória da dívida pública e do compromisso com a melhora dos resultados primários. O discurso, previsto para o domingo seguinte à reunião, deveria evidenciar a preocupação do governo com o crescimento do endividamento e a disposição de criar condições para a queda dos juros, sem abandonar os investimentos em políticas sociais. A avaliação interna era de que o gesto ajudaria a acalmar os ânimos do mercado e a preparar o terreno para a apresentação do pacote de ajuste fiscal que Durigan e Moretti vinham preparando para ser levado ao presidente após seu retorno da viagem internacional.

A declaração de Lula sobre a necessidade de equilíbrio fiscal e responsabilidade jurídica para atrair investidores ocorre em um contexto de transição para o quarto mandato e de acomodação da equipe econômica. Dario Durigan, que comandou a Fazenda no governo anterior e era cotado para permanecer no cargo, passou a ser visto como favorito para seguir à frente da pasta, com apoio de nomes influentes do governo e interlocução ampla com o mercado financeiro. Fernando Haddad também era cogitado para retornar ao ministério, mas a possibilidade de Durigan permanecer ganhou força após a reunião de 5 de novembro, quando o presidente o definiu como porta-voz das discussões fiscais. O desfecho dessa articulação e o teor das medidas que serão apresentadas nos próximos meses devem definir o grau de credibilidade que o governo conseguirá transmitir aos investidores estrangeiros, cuja confiança Lula afirmou depender de uma economia arrumada, de regras claras e de seriedade na condução das contas públicas.

Fontes consultadas: Agência Brasil, Agência Gov, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, O Globo, Estadão, Poder360, Diário de Pernambuco, Tribuna do Norte, Diário do Centro do Mundo, Jornal Razão, Correio do Povo, Xinhua Português, Rádio Gov, Agência Senado e Instituição Fiscal Independente do Senado Federal.

Tags:

dívida públicainvestidores estrangeirosLulaminerais críticosresponsabilidade fiscal
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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