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Política

Lula, após desmarcar sua participação no debate da TV Globo com os outros candidatos, marcará presença no podcast Flow, com Igor 3K

By Régis Andrade
1 de outubro de 2026 10 Min Read
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Presidente confirma entrevista a Igor 3K às 20h45; TV Globo debate às 21h30 sem o petista e com púlpito vazio

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não comparecer ao último debate presidencial promovido pela TV Globo, marcado para a noite desta quinta-feira, 1º de outubro, reorganizou a agenda política a três dias do primeiro turno e colocou o chefe do Executivo em um caminho paralelo ao dos demais candidatos. Enquanto Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema se enfrentam nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro, a partir das 21h30, Lula estará a poucos quilômetros de distância, em um estúdio de podcast, concedendo uma entrevista ao Flow, comandado por Igor Coelho, o Igor 3K, com início previsto para as 20h45.

A confirmação da agenda paralela foi comunicada pela assessoria do presidente à TV Globo na tarde de quarta-feira, 30 de setembro, e divulgada pelo próprio canal Flow em suas redes sociais poucas horas depois. A entrevista foi anunciada como uma conversa sobre o futuro do Brasil e será transmitida ao vivo pelo YouTube, com duração estimada superior a uma hora, no formato que consagrou o programa entre o público jovem. A campanha do presidente negocia com a produção do podcast um modelo que permita a Lula acompanhar o debate da Globo em tempo real e reagir às falas dos adversários durante a conversa, segundo apurou a imprensa especializada. A proposta ainda estava em discussão na véspera do programa, mas busca evitar que críticas direcionadas ao presidente fiquem sem resposta durante o último confronto antes da votação.

A ausência de Lula no debate da TV Globo tem implicações que ultrapassam a simples troca de compromissos na agenda. Trata-se da segunda vez consecutiva que o presidente troca um debate televisionado por uma aparição em outro veículo durante esta campanha. No debate da Band, realizado em 23 de agosto, Lula também se ausentou e concedeu entrevista exclusiva à Record TV no mesmo horário. Naquela ocasião, Flávio Bolsonaro igualmente não compareceu ao encontro da Band, e ambos foram os principais alvos de críticas dos candidatos presentes. Com a decisão desta quinta-feira, o presidente encerra o primeiro turno sem ter participado de nenhum debate presidencial televisionado, repetindo a postura adotada em 2006, quando disputava a reeleição e também se recusou a comparecer aos confrontos do primeiro turno.

O cenário deste ano, no entanto, apresenta um elemento de ineditismo que diferencia a decisão atual daquela tomada há duas décadas. Desde a redemocratização, apenas em 1998 um líder nas pesquisas havia rejeitado o confronto de ideias no primeiro turno, quando Fernando Henrique Cardoso se recusou a debater com os oponentes. Nunca, porém, um candidato em situação de empate técnico nas pesquisas havia adotado a mesma postura. Levantamento da Quaest divulgado na segunda-feira, 28 de setembro, mostrou Lula com 39 por cento das intenções de voto no primeiro turno, seguido de Flávio Bolsonaro com 34 por cento. No segundo turno, os dois aparecem numericamente empatados com 42 por cento cada, com margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu duas mil e quatro eleitores entre os dias 24 e 27 de setembro e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06520/2026.

Nos bastidores, a decisão de Lula foi precedida de intensa discussão entre aliados e integrantes da campanha. Desde o fim da semana anterior, auxiliares do presidente já sinalizavam que a tendência era pela ausência, mas havia quem defendesse a participação. O grupo favorável ao comparecimento argumentava que, diante de um cenário eleitoral acirrado, seria importante a presença do petista para fazer o enfrentamento cara a cara com Flávio Bolsonaro e expor fragilidades do adversário na disputa pelo voto dos indecisos. A avaliação era de que o debate representaria a última oportunidade de confronto direto entre os dois líderes das pesquisas antes da votação de domingo, 4 de outubro. A palavra final, no entanto, partiu do próprio presidente, que comunicou a assessores próximos que não iria ao debate e que assumiria os riscos da ausência, conforme relataram pessoas com conhecimento direto das conversas.

Entre os argumentos que prevaleceram no entorno presidencial está o receio de que Lula se tornasse o alvo prioritário dos demais candidatos no palco. Por ser o único representante do campo da esquerda entre os participantes, o presidente ficaria em desvantagem numérica em um eventual embate, já que todos os seus oponentes são alinhados à direita. O temor era de que Augusto Cury e Ronaldo Caiado fizessem uma espécie de tabelinha com Flávio Bolsonaro para concentrar ataques contra o petista a três dias do pleito. Aliados do presidente também criticaram o formato do debate, argumentando que o confronto direto com Flávio ficaria comprometido pela participação dos demais presidenciáveis, que teriam tempo de fala e poderiam desviar o foco das questões centrais. Internamente, Lula também demonstrou incômodo com a dinâmica do programa, na qual passaria quase meia hora sem falar enquanto os adversários teriam a oportunidade de fazer perguntas e dar respostas.

O debate da TV Globo, que será mediado pelo jornalista César Tralli, terá quatro blocos de perguntas e respostas, sendo dois com temas determinados e dois de tema livre, além das considerações finais de cada candidato. A transmissão começa por volta das 21h20, logo após o término do Jornal Nacional, e será veiculada pela TV aberta, pelo portal g1 e pela plataforma de streaming Globoplay. A composição final do encontro sofreu alterações ao longo da semana. Inicialmente, a emissora havia convidado apenas quatro presidenciáveis: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, seguindo o critério da Lei das Eleições, que obriga o convite a candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, contados a partir da bancada eleita em 2022. Por essa regra, o partido Novo, de Romeu Zema, tinha apenas três deputados federais eleitos pela própria legenda em 2022 e ficou de fora da lista inicial.

A situação de Zema, no entanto, foi revertida por uma decisão liminar do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, concedida na terça-feira, 29 de setembro, em resposta a um pedido do partido Novo. A legenda alegou que, embora tivesse elegido apenas três deputados federais em 2022, contava com cinco parlamentares em exercício no momento da decisão, uma vez que dois deputados haviam se filiado ao partido posteriormente: Ricardo Salles, que voltou ao Novo em agosto de 2024, e Luiz Lima, que se filiou em abril de 2025. O partido apresentou documentação mostrando que os cinco já estavam filiados antes de 20 de julho de 2026, data de corte fixada pelo próprio TSE para a definição das bancadas partidárias. A tabela que havia deixado o Novo de fora foi a Portaria 473, publicada pelo TSE em 29 de julho, que seguiu o artigo 44 da Resolução 23.610/2019 e considerou apenas a bancada saída da última eleição geral, sem contar quem trocou de partido depois.

O ministro Nunes Marques acolheu o argumento do Novo ao examinar o caso em caráter inicial. Em sua decisão, escreveu que a Constituição estabeleceu expressamente as finalidades para as quais a migração partidária não deve ser computada, referindo-se à divisão do Fundo Partidário, de outros fundos públicos e do tempo gratuito de rádio e TV, mas que o dispositivo não faz referência aos debates eleitorais. Para o ministro, a leitura que considera apenas a legenda pela qual o parlamentar foi eleito não se aplica ao artigo 46 da Lei das Eleições, que trata especificamente das regras para os debates. A liminar beneficiou não apenas Zema na disputa presidencial, mas também candidatos do Novo ao governo do Distrito Federal, Kiko Caputo, e do Rio de Janeiro, André Marinho. A decisão foi comunicada com urgência às emissoras responsáveis pelos debates, e a TV Globo incluiu Zema na lista de participantes confirmados.

A ausência de Lula também frustrou um pedido semelhante feito por Renan Santos, candidato do partido Missão. O partido recorreu ao TSE na quarta-feira, 30 de setembro, alegando que Renan deveria ser incluído no debate após a desistência do presidente, uma vez que havia participado de etapas anteriores da cobertura eleitoral da Globo. Na noite da mesma quarta-feira, o ministro Nunes Marques negou o pedido, afirmando que as regras do debate não garantiam participação automática nessa situação. Com isso, o encontro seguirá com quatro candidatos no estúdio: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema, além do púlpito vazio destinado a Lula. A ausência do presidente não impede que os demais debatedores façam perguntas direcionadas a ele, ainda que não esteja presente no estúdio, mas a dinâmica do programa deverá se concentrar nos confrontos entre os quatro candidatos confirmados.

A decisão de Flávio Bolsonaro de manter sua participação no debate, mesmo após a confirmação da ausência de Lula, contrariou parte de sua própria equipe. Integrantes da campanha do senador defenderam que, sem o principal adversário no palco, o evento perderia relevância estratégica e que o candidato também deveria desistir. A avaliação era de que o confronto com os demais presidenciáveis, todos de campos políticos distintos, não renderia os mesmos frutos eleitorais que um embate direto com o presidente. No entanto, um episódio específico pesou na balança a favor da participação: a polêmica em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida. A campanha de Flávio definiu como estratégia usar o espaço em TV aberta para desmentir a narrativa de que o senador endossaria um projeto voltado a retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Para o candidato, o debate representa uma vitrine de alcance nacional para desfazer o que sua campanha classifica como notícias falsas sobre o tema, especialmente sensível para o eleitorado conservador e católico que compõe parte significativa de sua base.

O senador havia desafiado publicamente Lula a comparecer ao debate durante comício realizado em Goiânia no domingo, 27 de setembro. Na ocasião, afirmou que estaria presente no encontro da TV Globo e convocou o presidente a debater com ele. A ausência de Lula, no entanto, impediu o confronto direto entre os dois líderes das pesquisas, que não se enfrentaram em nenhum debate televisionado ao longo de todo o primeiro turno. A última oportunidade de embate antes da votação de domingo, portanto, ocorrerá sem a presença de um dos principais protagonistas da disputa, em um arranjo que analistas políticos classificam como inédito desde a redemocratização. A expectativa da campanha de Flávio é de que o senador utilize o tempo de exposição para apresentar propostas nas áreas de economia e segurança pública, ao mesmo tempo em que se prepara para possíveis questionamentos sobre episódios recentes, como a circulação de informações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida e sua relação com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

A entrevista de Lula ao Flow Podcast não é a primeira incursão do presidente no formato. Em outubro de 2022, poucos dias antes do segundo turno daquela eleição, o então candidato também participou do programa comandado por Igor 3K. Na ocasião, a entrevista ultrapassou a marca de um milhão de espectadores simultâneos no YouTube e estabeleceu um recorde para o Flow. Números divulgados pelo próprio programa na época indicavam que cerca de 600 mil pessoas acompanhavam a transmissão simultaneamente ainda nos primeiros minutos, e a audiência rompeu a barreira de um milhão ao longo da conversa, que durou aproximadamente duas horas. A participação desta quinta-feira ocorre em um contexto distinto, mas a aposta da campanha é de que o alcance do podcast entre o eleitorado jovem e conectado possa compensar, ao menos parcialmente, a ausência no debate da emissora de maior audiência do país.

A decisão do presidente de não comparecer ao debate da Globo também tem um componente histórico que remete a 2006. Naquele ano, quando buscava a reeleição, Lula também se recusou a participar do último debate antes do primeiro turno, adotando a mesma estratégia de evitar o confronto direto com os adversários. Na época, porém, o cenário era diferente: a aprovação do governo era mais alta e a distância de Lula para o segundo colocado nas pesquisas era maior, o que reduzia os riscos da ausência. Analistas políticos avaliam que a repetição da estratégia em 2026, diante de um empate técnico com Flávio Bolsonaro e de um eleitorado mais polarizado, configura uma aposta de risco calculado. A avaliação de parte dos especialistas é de que a ausência pode ser interpretada como fuga do debate ou como falta de disposição para enfrentar os adversários, o que poderia ter impacto sobre os eleitores indecisos nos dias que antecedem a votação.

A campanha de Lula, por sua vez, aposta que a entrevista ao Flow permitirá ao presidente alcançar um público que não necessariamente assistiria ao debate da Globo e apresentar suas propostas em um formato mais descontraído e menos sujeito a ataques coordenados. A expectativa é de que Lula aborde temas como economia, programas sociais e a comparação entre seu governo e o período da gestão anterior, além de responder a críticas que eventualmente sejam feitas pelos adversários durante o debate da emissora. A transmissão simultânea dos dois programas, no entanto, dividirá a atenção do público e poderá fragmentar a audiência, criando um cenário inédito na reta final do primeiro turno.

O primeiro turno das eleições está marcado para domingo, 4 de outubro. A votação ocorrerá em todo o território nacional, e a expectativa é de que os resultados comecem a ser divulgados a partir das 17h, horário de Brasília, após o encerramento do pleito em todas as unidades da federação. A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, que aparecem empatados tecnicamente nas pesquisas de segundo turno, deve se definir apenas em uma eventual segunda rodada, prevista para 25 de outubro. A ausência do presidente no último debate antes da votação e a realização simultânea da entrevista ao Flow Podcast configuram o capítulo final de uma campanha de primeiro turno que, pela primeira vez desde a redemocratização, terminará sem que os dois principais candidatos tenham se confrontado diretamente em um debate televisionado.

Fontes consultadas: BNews, O Globo, O Tempo, O Liberal, O Dia, Diário do Centro do Mundo, Times Brasil/CNBC, Revista Fórum, O Povo, Estadão, Poder360, Jornal Razão, EM, Rádio Itatiaia, Correio Braziliense, G1, Congresso em Foco, GZH, Jornal de Brasília, Exame, Quaest, Nexo Jornal e Gazeta do Povo.

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debate da TV Globoeleições 2026Flávio BolsonaroFlow PodcastIgor 3KLulaprimeiro turno
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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