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Vaticano articulou plano para proteger Maduro na Rússia antes de ação americana, afirma jornal

Política

Dias antes da operação dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, o Vaticano atuou de forma intensa e silenciosa nos bastidores da diplomacia internacional para tentar construir uma saída negociada para a crise venezuelana. Documentos governamentais obtidos pelo jornal The Washington Post revelam que a Santa Sé buscou intermediar uma alternativa que evitasse violência, instabilidade regional e um possível banho de sangue em Caracas. A estratégia envolvia convencer o presidente venezuelano a deixar o poder de maneira pacífica e aceitar um exílio com garantias de segurança fora do país.

Segundo os registros, o principal articulador dessas conversas foi o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e uma das figuras mais influentes da diplomacia da Igreja Católica. Ele avaliava que a permanência de Maduro no poder se tornara insustentável, tanto do ponto de vista político quanto humanitário, mas defendia que a transição deveria ocorrer sem confrontos armados e sem uma intervenção militar direta que pudesse agravar ainda mais o sofrimento da população venezuelana.

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No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, Parolin convocou com urgência Brian Burch, embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé, para uma reunião reservada no Vaticano. O objetivo era obter clareza sobre os planos de Washington em relação à Venezuela. De acordo com os documentos, o cardeal questionou se a operação em preparação teria como foco exclusivo o combate ao narcotráfico internacional ou se representaria uma ação direta para promover uma mudança de regime no país sul americano.

Durante a conversa, Parolin reconheceu que a saída de Maduro do poder era inevitável, mas insistiu que isso deveria ocorrer por meio de um acordo político. Ele argumentou que uma solução negociada poderia evitar mortes, destruição de infraestrutura e um colapso ainda maior das instituições venezuelanas. Nesse contexto, apresentou uma proposta concreta que já vinha sendo discutida de forma preliminar com outros atores internacionais.

A alternativa defendida pelo Vaticano previa que Maduro aceitasse deixar a presidência e se exilasse na Rússia, país aliado histórico de seu governo. Segundo as informações reveladas, Moscou teria sinalizado disposição para conceder asilo político ao líder venezuelano, oferecendo garantias de segurança pessoal para ele e para sua família. O plano também incluía a promessa de que Maduro poderia manter parte de seus recursos financeiros, condição considerada essencial para convencê lo a aceitar a proposta.

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Uma fonte com acesso direto às negociações afirmou que a iniciativa contava com garantias pessoais do presidente russo, Vladimir Putin, o que reforçava a credibilidade do acordo. A avaliação do Vaticano era de que a Rússia teria interesse em evitar uma captura humilhante de Maduro por forças estrangeiras, preservando sua imagem de aliado estratégico e reduzindo os danos geopolíticos da queda do regime venezuelano.

Apesar das articulações intensas, o plano encontrou resistência do próprio Maduro. Mesmo diante de alertas sobre a iminência de uma ação americana, ele teria acreditado que os Estados Unidos não levariam a ofensiva adiante ou que sua permanência no poder ainda poderia ser negociada em termos mais favoráveis. Essa leitura equivocada da situação acabou sendo decisiva para o desfecho dos acontecimentos.

Sem a adesão de Maduro à proposta de exílio, as negociações perderam força. Autoridades americanas passaram a considerar que não havia mais espaço para uma saída diplomática viável. No início de janeiro, os Estados Unidos lançaram a operação planejada, que culminou na captura do presidente venezuelano no sábado, dia 3 de janeiro. Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram detidos e posteriormente levados para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações relacionadas ao narcotráfico e outros crimes.

Os documentos revelados mostram que a iniciativa do Vaticano não foi isolada. Houve tentativas paralelas de mediação envolvendo outros países e intermediários internacionais, todos com o objetivo de evitar um confronto direto. Ainda assim, o fracasso dessas negociações evidenciou os limites da diplomacia diante de um cenário marcado por desconfiança, interesses geopolíticos conflitantes e decisões tomadas sob forte pressão.

A divulgação dessas informações trouxe à tona o papel ativo e pouco conhecido da Santa Sé em crises internacionais contemporâneas. Mais do que uma atuação simbólica, o Vaticano buscou exercer influência real, tentando equilibrar princípios humanitários, estabilidade regional e diálogo político. O desfecho, no entanto, mostrou que nem sempre a diplomacia consegue conter a lógica da força quando as opções se esgotam e as decisões finais são tomadas no campo estratégico e militar.

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