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Política

“Vocês poderão voltar a comer picanha novamente, pois a carne vai ficar mais barata, disse Lula”

By Régis Andrade
20 de agosto de 2026 9 Min Read
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Medida anunciada em 14 de março de 2025 busca conter a inflação dos alimentos e devolver poder de compra às famílias brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Brasília que o consumidor brasileiro voltará a encontrar cortes nobres de carne bovina a preços acessíveis nos supermercados e açougues de todo o país. A declaração foi dada durante cerimônia oficial no Palácio do Planalto, no dia 14 de março de 2025, logo após a publicação da resolução que zerou o imposto de importação sobre uma lista extensa de alimentos considerados essenciais para a mesa do trabalhador. Na ocasião, o mandatário dirigiu-se diretamente às famílias de renda média e baixa, afirmando que a redução tributária terá efeito direto sobre o valor final da carne bovina e que o acesso à picanha deixará de ser um privilégio restrito às camadas mais favorecidas da população.

A fala presidencial veio acompanhada do anúncio formal de uma política de abertura comercial emergencial, elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em conjunto com o Ministério da Fazenda e a Casa Civil. A medida estabelece alíquota zero de imposto de importação para proteína animal, café torrado e moído, azeite de oliva extravirgem, açúcar cristal e refinado, massas alimentícias secas, biscoitos sem recheio, óleos vegetais de soja, girassol e milho, além de outros itens de consumo diário. O período de vigência fixado pela Câmara de Comércio Exterior é de doze meses, com possibilidade de prorrogação mediante análise dos resultados obtidos sobre a inflação de alimentos e a oferta interna de mercadorias.

No discurso, Lula evitou generalizações e adotou um tom de prestação de contas ao eleitorado que o reconduziu ao cargo. Ele relembrou o período em que a escalada dos preços das carnes transformou a picanha em símbolo de desigualdade social e afirmou que sua administração trabalha para devolver dignidade alimentar à população. O presidente também mencionou reuniões com representantes de frigoríficos de grande porte, associações de pecuaristas e redes varejistas nacionais, com o objetivo de construir um pacto de responsabilidade que garanta o repasse imediato da desoneração tributária ao preço de prateleira, sem que os ganhos fiquem retidos em elos intermediários da cadeia produtiva.

A decisão de zerar tarifas de importação ocorre depois de meses de pressão inflacionária concentrada nos alimentos. Levantamentos oficiais apontaram alta acumulada expressiva nos preços da cesta básica no período de doze meses encerrado em fevereiro de 2025, com destaque para a carne bovina, cujos cortes dianteiros e traseiros registraram reajustes sucessivos nos principais centros urbanos. O encarecimento foi atribuído a uma combinação de fatores internos e externos, incluindo o aumento das exportações brasileiras para a Ásia, a redução da oferta de animais terminados após ciclos de abate intenso e a elevação dos custos de insumos como ração, fertilizantes e combustíveis.

A abertura do mercado brasileiro à carne estrangeira foi recebida com reações divergentes entre os agentes econômicos. De um lado, entidades ligadas ao varejo e ao consumidor comemoraram a iniciativa, argumentando que a concorrência internacional estimulará a queda dos preços praticados internamente e ampliará as opções disponíveis ao comprador. De outro, associações de produtores rurais manifestaram preocupação com a possibilidade de desestímulo à pecuária nacional e com a entrada de mercadorias produzidas sob padrões sanitários supostamente menos rígidos do que os adotados no Brasil.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tratou de esclarecer que a liberação de importações não implicará relaxamento dos controles sanitários. A pasta informou que os frigoríficos estrangeiros habilitados a vender carne ao Brasil passam por auditorias periódicas e que os lotes desembarcados em portos nacionais são submetidos a inspeções físicas, documentais e laboratoriais antes de serem liberados para comercialização. A nota técnica divulgada pelo ministério reforça que o Serviço de Inspeção Federal continuará responsável pela fiscalização de todos os produtos de origem animal que entrarem no território nacional, independentemente da alíquota de importação aplicada.

Especialistas em comércio exterior ouvidos para esta reportagem indicam que os efeitos da isenção sobre os preços ao consumidor não serão imediatos. O processo completo de importação envolve negociação comercial entre exportadores estrangeiros e compradores brasileiros, contratação de frete marítimo, emissão de licenças, desembaraço aduaneiro, armazenagem, transporte rodoviário interno e distribuição aos pontos de venda. Todo esse percurso pode levar de quarenta e cinco a noventa dias, dependendo da origem do produto e da estrutura logística disponível. A expectativa é de que as primeiras remessas significativas de carne importada cheguem ao mercado brasileiro a partir do segundo trimestre de 2025.

O impacto sobre o preço da picanha e de outros cortes nobres dependerá de variáveis como a cotação internacional da carne, a taxa de câmbio, o volume efetivamente importado e a reação dos frigoríficos nacionais diante da concorrência externa. Projeções preliminares de consultorias econômicas apontam para uma redução potencial entre cinco e dez por cento no preço médio dos cortes bovinos nos supermercados brasileiros, caso o fluxo de importações se mantenha regular ao longo do período de vigência da medida. No entanto, os mesmos analistas alertam que fatores sazonais, como o período de seca e a recomposição de pastagens, podem limitar a queda em determinadas regiões do país.

O discurso presidencial repercutiu intensamente nas redes sociais e nos veículos de comunicação de massa. Trechos da fala foram amplamente compartilhados por apoiadores do governo, que celebraram a promessa como sinal de compromisso com a população de baixa renda. Críticos da administração, por sua vez, questionaram a eficácia da medida e lembraram que o Brasil dispõe de um dos maiores rebanhos comerciais do planeta, com capacidade produtiva suficiente para abastecer o mercado interno sem necessidade de recorrer a importações em larga escala. A polarização em torno do tema evidencia a centralidade da economia doméstica no debate público nacional.

Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a política de isenção tributária representa uma resposta rápida e simbólica à angústia das famílias diante dos preços dos alimentos. Auxiliares diretos do presidente afirmam que a prioridade da gestão é devolver poder de compra ao salário mínimo e às aposentadorias, que perderam fôlego real nos últimos anos em razão da inflação acumulada. A carne, nesse contexto, funciona como termômetro da percepção popular sobre a condução econômica do país, e a promessa de redução dos preços carrega forte apelo emocional junto ao eleitorado.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo divulgou nota em que apoia a desoneração tributária e defende a adoção de medidas complementares para estimular a concorrência no mercado interno. A entidade sugere a criação de um observatório nacional de preços de alimentos, com dados abertos e atualizados semanalmente, para que o consumidor possa comparar valores em diferentes estabelecimentos e regiões. A proposta foi encaminhada ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional do Consumidor, que já estudam a viabilidade técnica de implementação.

No Congresso Nacional, a medida tramita em regime de acompanhamento especial. A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou requerimento para realização de audiência pública com representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério da Fazenda, da Câmara de Comércio Exterior, da indústria frigorífica e das associações de pecuaristas. O objetivo do colegiado é debater os impactos da abertura comercial sobre a produção interna, o emprego no campo e a balança comercial do agronegócio brasileiro, que responde por parcela significativa das exportações nacionais.

A Frente Parlamentar da Agropecuária, uma das mais influentes do Parlamento, manifestou posição contrária à isenção de impostos para a carne estrangeira. Em documento protocolado na presidência da Câmara, o grupo argumenta que a medida pode gerar desequilíbrios concorrenciais e punir produtores que investiram pesadamente em tecnologia, genética e rastreabilidade para atender aos exigentes padrões dos mercados internacionais. A frente defende que o governo priorize a redução de tributos internos sobre a cadeia produtiva da carne, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços que incide sobre insumos e equipamentos agropecuários.

A resposta do Palácio do Planalto às críticas veio por meio do ministro-chefe da Casa Civil, que concedeu entrevista coletiva na qual reafirmou o caráter temporário e emergencial da política. O ministro explicou que a decisão foi tomada após reuniões técnicas com economistas de diferentes correntes e que o governo federal manterá o diálogo aberto com o setor produtivo durante toda a vigência da medida. Ele também garantiu que não haverá prejuízo aos programas de crédito rural nem redução nos investimentos destinados à modernização da pecuária nacional.

Para o consumidor, o efeito esperado é de alívio gradual no orçamento doméstico. Dados de associações de defesa do consumidor mostram que a carne bovina representa um dos maiores pesos na composição dos gastos com alimentação das famílias brasileiras, especialmente nas classes C, D e E. A redução dos preços dos cortes bovinos, mesmo que moderada, tende a liberar recursos para outras despesas essenciais, como saúde, transporte e educação, gerando impacto positivo sobre o bem-estar geral da população.

A promessa presidencial de que a picanha voltará à mesa do brasileiro comum tornou-se um dos assuntos mais comentados da semana nas plataformas digitais. Milhares de usuários publicaram mensagens de apoio à medida, enquanto outros manifestaram descrença em relação à promessa. O debate nas redes reflete a ansiedade da sociedade diante de um cenário econômico que ainda apresenta sinais de instabilidade, apesar da melhora gradual de indicadores como emprego e renda média do trabalhador.

O governo federal, por sua vez, prepara uma campanha nacional de comunicação para esclarecer a população sobre os efeitos esperados da isenção tributária e os prazos para que a redução chegue ao consumidor final. A estratégia inclui inserções em rádio, televisão e internet, com linguagem simples e acessível, além da divulgação de cartilhas informativas em parceria com os órgãos estaduais e municipais de defesa do consumidor. A meta é evitar a propagação de informações falsas e orientar o cidadão a identificar práticas abusivas de preços.

A expectativa do mercado é de que os próximos índices de inflação ao consumidor tragam os primeiros sinais concretos da eficácia da política. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística anunciou que intensificará o monitoramento dos produtos contemplados pela isenção, com coleta de preços em centenas de municípios e divulgação de boletins específicos sobre o comportamento da carne bovina e dos demais itens da cesta básica. Os dados servirão de base para a avaliação técnica da necessidade de prorrogação da medida ou de ajustes em sua abrangência.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura acompanha o desenrolar da política brasileira com interesse. Em relatório preliminar distribuído a países-membros, a entidade destaca que a combinação de desoneração tributária, abertura comercial e estímulo à produção interna pode representar um modelo eficaz para enfrentar a inflação de alimentos em economias emergentes. O documento ressalta, porém, que o sucesso da estratégia depende de mecanismos robustos de fiscalização e de políticas complementares voltadas à produtividade agrícola.

A promessa de Lula sobre a picanha insere-se em um contexto mais amplo de reconstrução da imagem presidencial junto ao eleitorado de baixa renda. Desde o início do terceiro mandato, o presidente tem buscado reafirmar compromissos históricos com a segurança alimentar, o combate à fome e a redução das desigualdades sociais. A fala de 14 de março de 2025, nesse sentido, representa um marco simbólico da estratégia de comunicação governamental, que aposta na associação direta entre a figura do presidente e a melhoria das condições de vida da população trabalhadora.

Resta saber se o mercado responderá de forma favorável às expectativas criadas pelo anúncio. A trajetória dos preços da carne nos próximos meses será acompanhada de perto por economistas, produtores, varejistas e consumidores. A promessa presidencial colocou a picanha no centro do debate nacional, transformando um corte de carne em símbolo da disputa política e econômica que marcará o restante do ano de 2025. A confirmação ou frustração dessa expectativa terá efeitos diretos sobre a popularidade do governo e sobre a confiança da população nas instituições públicas.

FONTES

Presidência da República Federativa do Brasil
Secretaria de Comunicação Social
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Ministério da Fazenda
Ministério da Agricultura e Pecuária
Câmara de Comércio Exterior
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Associação Brasileira de Supermercados
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Frente Parlamentar da Agropecuária
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
Associações estaduais e municipais de defesa do consumidor
Consultorias econômicas independentes especializadas em agronegócio e comércio exterior
Veículos de imprensa nacionais e internacionais com cobertura econômica e política

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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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