Ex-Paquito revela ter feito “vários pactos” para virar famoso: “sempre funcionava”
Hoje missionário no Níger, ele diz que os rituais funcionaram até a conversão religiosa interromper tudo
A trajetória de Alexandre Canhoni, ex-integrante do grupo de assistentes de palco que ganhou projeção nacional nas décadas de 1980 e 1990, ganhou um novo capítulo público depois que o próprio missionário humanitário decidiu abrir detalhes sobre os bastidores espirituais da sua busca pela fama. A revelação aconteceu durante uma conversa prolongada no estúdio do NovapoPodcast, onde o convidado respondeu a questionamentos diretos sobre o que teria feito para acelerar sua entrada e permanência na televisão brasileira.
A entrevistadora conduzia o diálogo quando abordou a existência de rituais praticados por artistas que desejavam ingressar na TV Globo. Canhoni interrompeu qualquer tentativa de suavizar o assunto e confirmou que havia mergulhado de cabeça nesse universo. Segundo ele, a ambição naquele período não se limitava ao reconhecimento regional ou mesmo nacional. O objetivo declarado era a fama em escala mundial, e o então assistente de palco acreditava que o talento que possuía representava apenas uma parte dos requisitos necessários para furar a bolha do entretenimento.
Ao detalhar a estrutura que mantinha dentro da própria casa, o ex-paquita descreveu um cenário que contrastava radicalmente com a imagem solar dos programas infantis que o tornaram conhecido. Ele revelou ter montado um congá com mais de setenta imagens, um número que impressionou os entrevistadores e que, de acordo com sua própria narrativa, evidenciava a profundidade do envolvimento. A quantidade de pactos realizados ao longo daquele período não se resumiu a um único episódio ou a tentativas isoladas. Canhoni foi categórico ao afirmar que as alianças espirituais se multiplicaram em dezenas, numa escalada que se intensificava à medida que a proximidade com os holofotes aumentava.
O relato não se limitou à descrição do passado. Ao ser perguntado sobre a efetividade dessas práticas, o missionário respondeu que os resultados apareciam de forma concreta. Portas se abriram, oportunidades surgiram e a trajetória na televisão se consolidou. No entanto, essa aparente prosperidade sofreu uma guinada abrupta no momento em que ele decidiu abandonar o antigo caminho e abraçar a fé cristã. A partir da conversão, segundo seu testemunho, a engrenagem que antes funcionava a seu favor simplesmente parou de girar.
Canhoni aprofundou a análise sobre o mecanismo que, na sua visão, sustentava os pactos. Ele explicou que muitas pessoas ingressam nesse tipo de prática sem compreender plenamente as contrapartidas exigidas. No início, os benefícios obscurecem o preço, criando uma sensação de que o saldo é positivo. Com o passar do tempo, o indivíduo percebe que a relação não é unilateral. A frase citada por ele durante a entrevista sintetiza essa percepção: a oferta de algo desejado vinha sempre acompanhada de uma exigência que, mais cedo ou mais tarde, se revelaria.
O ex-assistente de palco integrou o elenco da atração infantil que marcou gerações de brasileiros. A exposição midiática transformava rapidamente os rostos da equipe em referências para milhões de crianças e adolescentes. Depois de anos sob os refletores, Canhoni decidiu encerrar a carreira artística no Brasil e se mudar para o continente africano, onde passou a se dedicar integralmente a projetos sociais. Hoje, estabelecido no Níger, ele coordena ações humanitárias voltadas para crianças em situação de vulnerabilidade extrema, num trabalho que contrasta frontalmente com a busca desenfreada por visibilidade que marcou sua juventude.
A conversa no podcast recuperou essa trajetória de ruptura e transformação. O homem que hoje percorre aldeias africanas para prestar assistência humanitária é o mesmo que um dia ergueu um altar repleto de imagens dentro de casa para tentar alcançar o estrelato. A confissão pública das dezenas de pactos, feita sem reservas diante dos microfones, acrescenta camadas de complexidade à biografia de um artista que optou por trocar o palco pelo trabalho de campo em um dos países mais pobres do planeta. O depoimento oferece um retrato íntimo de um período que, por décadas, permaneceu restrito à memória pessoal do ex-paquita e que agora ganha registro público com riqueza de detalhes.
Fonte: Entrevista de Alexandre Canhoni concedida ao NovapoPodcast.