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Ciência e Tecnologia

Sam Altman afirma que a inteligência artificial já supera os cientistas mais renomados do planeta

By Régis Andrade
5 de novembro de 2026 6 Min Read
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CEO da OpenAI diz na ADIPEC que I.A. já superou a elite científica e defende controle humano sobre a tecnologia avançada

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa auxiliar para se tornar, na avaliação de seus próprios criadores, uma força capaz de superar a elite científica mundial. A afirmação foi feita por Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, durante a cerimônia de abertura da ADIPEC, a Exposição e Conferência Internacional de Petróleo de Abu Dhabi, realizada nos Emirados Árabes Unidos. Diante de uma plateia formada por executivos do setor energético e ministros de Estado, Altman traçou um diagnóstico que, há apenas alguns anos, soaria como ficção científica: a de que os modelos avançados de inteligência artificial já são, na maioria das vezes, mais inteligentes do que os cientistas mais brilhantes do planeta.

A cronologia apresentada pelo executivo é precisa e revela a velocidade da transformação. Segundo ele, no início de 2026, a inteligência artificial ainda não era, em termos gerais, tão inteligente quanto os melhores pesquisadores humanos. A virada ocorreu em poucos meses. Agora, a tecnologia teria invertido essa posição e superado a capacidade cognitiva daqueles que dedicaram décadas ao avanço do conhecimento. A declaração não veio acompanhada de métricas públicas ou de estudos independentes que comprovassem a alegação, mas Altman utilizou como principal evidência um feito que a OpenAI atribui aos seus sistemas: a resolução de um dos Problemas do Milênio, especificamente as equações de Navier-Stokes.

A escolha do exemplo, no entanto, carrega camadas de complexidade que a retórica corporativa frequentemente simplifica. Em setembro de 2026, a OpenAI anunciou que um de seus modelos internos, operando de forma autônoma por cerca de 88 horas, teria produzido uma demonstração de que as equações de Navier-Stokes, no caso tridimensional com força externa suave, podem desenvolver uma singularidade em tempo finito. O feito foi celebrado pela empresa como um marco na capacidade de seus sistemas de realizar descobertas científicas. A comunidade matemática, porém, recebeu a notícia com cautela e, em alguns setores, com franca hostilidade.

A controvérsia instalou-se por múltiplas frentes. A primeira é de natureza técnica: o problema definido pelo Clay Mathematics Institute, que oferece um prêmio de um milhão de dólares, refere-se às equações sem força externa. A demonstração da OpenAI, ao introduzir uma força externa suave, não atende aos critérios do prêmio, o que levou a própria empresa a declarar que não pretendia reivindicar a recompensa. A segunda frente é de ordem ética e de proveniência. Matemáticos alegaram que a abordagem utilizada pela inteligência artificial era notavelmente semelhante a pesquisas independentes desenvolvidas por Tristan Buckmaster e Levent Alpöge, e que a empresa teria se aproximado dos pesquisadores em busca de coautoria em circunstâncias contestadas. A OpenAI negou as acusações, mas o episódio deixou uma marca na relação entre a empresa e a comunidade científica, expondo a tensão entre a velocidade da descoberta algorítmica e os protocolos tradicionais de validação e crédito acadêmico.

A dimensão do trabalho de colarinho branco também foi abordada por Altman. Ele afirmou que a inteligência artificial já é capaz de executar partes significativas de diversas profissões que exigem formação especializada, sem especificar quais funções ou setores seriam mais afetados. A avaliação reforça uma trajetória que o executivo vem descrevendo há meses: a tecnologia deixa de ser uma ferramenta de apoio para se tornar uma executora de tarefas que antes dependiam exclusivamente do julgamento humano. Ainda assim, Altman evitou prever substituições em massa e manifestou confiança de que as sociedades conseguirão se adaptar às mudanças, desde que o controle permaneça nas mãos das pessoas.

Esse foi, aliás, o eixo central de sua mensagem. Altman foi enfático ao afirmar que não há margem para debate sobre a necessidade de os seres humanos permanecerem no comando do futuro da inteligência artificial. Em suas palavras, a tecnologia precisa ser uma ferramenta construída para as pessoas e a serviço delas, e não o contrário. O executivo disse que a OpenAI pretende lutar por essa posição e que o julgamento, a criatividade e a responsabilidade humanos devem continuar no centro à medida que os modelos se tornam mais capazes. Ele também reconheceu que o setor terá de demonstrar, de forma convincente, que é capaz de evitar incidentes graves de segurança e de alinhamento, sob pena de comprometer a confiança pública.

A fala ocorreu no mesmo dia em que Abu Dhabi anunciou uma parceria estratégica de vários anos entre a OpenAI, a petrolífera estatal ADNOC e o grupo de tecnologia G42. O acordo, assinado na presença do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, torna a ADNOC a primeira empresa de energia do mundo a implantar a tecnologia de fronteira da OpenAI. Os modelos GPT serão executados em infraestrutura localizada nos Emirados Árabes Unidos e utilizados para conectar decisões operacionais, de capital e comerciais, com o objetivo de reduzir de meses para horas o tempo necessário para preparar planos de desenvolvimento de campos petrolíferos. Especialistas da própria ADNOC manterão a supervisão sobre as decisões consequentes, em um modelo que combina a capacidade de processamento da inteligência artificial com o conhecimento industrial acumulado ao longo de décadas.

A parceria não se limita ao setor de óleo e gás. No mesmo dia, foram anunciados outros acordos que abrangem a conversão de políticas e regulamentos governamentais em formatos legíveis por sistemas de inteligência artificial, a aplicação da tecnologia à análise de investimentos pelo fundo soberano Mubadala e um programa de cinco anos para ajudar agências governamentais, empresas e instituições de ensino dos Emirados a adotar modelos avançados. O conjunto de iniciativas posiciona Abu Dhabi como um laboratório global para a integração da inteligência artificial à infraestrutura econômica e estatal, em um movimento que Altman descreveu como a transformação do país em uma nação nativa de inteligência artificial.

O outro tema central da intervenção de Altman foi a energia, que ele definiu, em uma resposta de uma única palavra, como o seu maior desafio. A equação é aparentemente paradoxal. O custo energético de cada consulta individual à inteligência artificial caiu drasticamente nos últimos anos, tornando-se uma fração do que era há três ou quatro anos. No entanto, o consumo total disparou, porque as pessoas passaram a usar a tecnologia de forma muito mais intensa e frequente. Para ilustrar a escala, Altman recorreu a um dado comparativo: há seis anos, o usuário interno mais pesado da OpenAI consumia cerca de 100 mil tokens por mês, volume que hoje equivale à média global per capita. Atualmente, o maior usuário individual da plataforma consome aproximadamente 500 bilhões de tokens mensais.

A oferta física de energia, e não a eficiência dos modelos, é o gargalo que se impõe. Altman observou que, por mais que os modelos se tornem mais eficientes, a demanda agregada cresce em ritmo superior, e que a geração, os equipamentos e a infraestrutura necessários para operar data centers não podem ser criados na mesma velocidade que o software. Ainda assim, ele se mostrou otimista quanto à possibilidade de a própria inteligência artificial contribuir para aumentar a disponibilidade energética global no futuro, auxiliando, por exemplo, no projeto de turbinas mais eficientes. O executivo defendeu que tanto o setor de tecnologia quanto o de energia têm uma obrigação com a sociedade de suprir essa demanda, dado o potencial da ferramenta em áreas como educação, medicina e pesquisa de novos fármacos.

A declaração sobre a superioridade da inteligência artificial em relação aos cientistas não é um episódio isolado na trajetória retórica de Altman. Em 2025, o lançamento de uma geração anterior de modelos foi anunciado com a promessa de uma inteligência em nível de doutorado, alegação que enfrentou ceticismo generalizado. O executivo também já havia previsto publicamente que a inteligência artificial superaria a inteligência humana até o fim da década. A diferença, agora, é o tom de constatação, e não mais de previsão. A ausência de evidências verificáveis e o histórico de tensões com a comunidade científica, no entanto, mantêm a afirmação no terreno da alegação corporativa, à espera de confirmação independente que a valide ou a conteste.

Fontes consultadas

Les Numériques. “Sam Altman le dit tout haut: l’IA serait déjà plus intelligente que les meilleurs scientifiques”. 4 de novembro de 2026.

AI Chat Daily. “Sam Altman says humans must stay in control of AI as he flags energy limits”. 2 de novembro de 2026.

Thursday Times. “IA já é ‘na maioria das vezes mais inteligente’ que os principais cientistas, diz Sam Altman na ADIPEC, enquanto a ADNOC assina acordo com a OpenAI”. 2 de novembro de 2026.

ADNOC. “ADNOC Signs Landmark Partnership Agreement with OpenAI and G42, Becoming First Energy Company to Deploy OpenAI Frontier Technology”. 2 de novembro de 2026.

Anadolu Agency. “OpenAI signs 4 deals in Abu Dhabi spanning energy, government, investment”. 2 de novembro de 2026.

36Kr. “Sam Altman Unveils Next-Gen GPT: 10,000 AI Agents Conquer Millennium Prize Problems”. 3 de novembro de 2026.

Yahoo Tech. “OpenAI’s 10,000-Agent Navier-Stokes Claim Solves the Wrong Problem — and the Right One Has a Provenance Controversy”. 8 de setembro de 2026.

Contrary Research. “OpenAI’s Navier-Stokes Controversy”. 12 de setembro de 2026.

Diario de Yucatán. “Compensará el gasto”. 3 de novembro de 2026.

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ADIPECADNOCcientistascontrole humanoenergiainteligência artificialOpenAISam Altman
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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