A fazendeira não existia: pedreiro roda 2 mil km por amor virtual e já planeja voltar
Edimar, 49, voltou ao MA após viagem a BH para encontrar Jéssica Fazendeira, personagem virtual; ele diz que não desiste.
O pedreiro Edimar Rocha Martins, de quarenta e nove anos, retornou a Imperatriz, no Maranhão, em quinze de outubro de dois mil e vinte e seis, depois de percorrer mais de dois mil quilômetros até Belo Horizonte, em Minas Gerais, para encontrar uma mulher que conheceu pela internet e acreditava ser real. Ao chegar à capital mineira, descobriu que a personagem havia sido criada com inteligência artificial. A viagem começou em nove de outubro, quando ele deixou o Maranhão em busca de Jéssica Oliveira, conhecida nas redes sociais como Jéssica Fazendeira.
No perfil que acompanhava, a personagem se apresentava como dona de uma fazenda, dizia procurar um companheiro para morar com ela e prometia oferecer ajuda financeira. Edimar manteve conversas privadas com o perfil e decidiu viajar para conhecer a mulher. Ele acreditava que o encontro seria o início de uma nova vida ao lado da suposta companheira.
Em Belo Horizonte, o pedreiro tentou localizar Jéssica e mostrou fotos da personagem a moradores da região. A busca revelou que a mulher não existia. Sem conseguir encontrá-la, ele procurou ajuda do poder público municipal, que ofereceu alimentação, atendimento e uma passagem de ônibus para o Tocantins, estado de origem dele. Depois, Edimar seguiu de volta ao Maranhão, onde o retorno a Imperatriz foi confirmado em quinze de outubro.
O responsável pela personagem negou ter conversado com Edimar ou incentivado a viagem. Ele afirmou que Jéssica foi criada com inteligência artificial para atrair seguidores e impulsionar vendas nas redes sociais. A personagem virtual passou a ser tratada como uma espécie de vitrine digital, sem existência real por trás das imagens e das mensagens publicadas.
Apesar da decepção, Edimar disse que não se arrepende de ter viajado. Ele afirmou que pretende voltar a Belo Horizonte para procurar uma nova companheira. “Eu vou encontrar outra e vai ser no mesmo lugar onde eu fui e eu vou de novo”, declarou. Ele também demonstrou que pretende seguir em frente. “Ninguém pode baixar a cabeça não”.
Não havia registro de ocorrência relacionado ao caso. A criação de personagens com inteligência artificial não constitui crime por si só. O uso da tecnologia para enganar pessoas e obter vantagens ilícitas pode configurar fraude. O episódio expõe os limites das relações iniciadas na internet e o avanço de perfis produzidos com inteligência artificial, capazes de simular rotinas, projetos e promessas de vida comum.
Edimar manteve a decisão de tentar novamente. A viagem começou como busca por uma companheira e terminou com a descoberta de que a mulher do perfil era uma personagem virtual. O pedreiro voltou ao Maranhão sem o encontro que esperava, mas disse que não pretende desistir de procurar alguém. A história dele passou a circular como exemplo dos riscos de relações construídas com perfis digitais que não correspondem a pessoas reais.
Fontes consultadas: relato de Edimar Rocha Martins; responsável pelo perfil Jéssica Fazendeira; administração municipal de Belo Horizonte; Polícia Civil de Minas Gerais.