Aos 14 anos, filho de Neymar imprime o próprio futuro com empresa de dinossauros em 3D
Com a AmigoDino, Davi Lucca fabrica dinossauros articulados, viraliza com apoio do pai e de Medina e aprende a empreender na prática.
Aos 14 anos, o caminho do próprio esforço
A primeira aparição pública do produto não veio de um anúncio tradicional, mas de um gesto espontâneo carregado de orgulho paterno. Durante uma live nas redes sociais, Neymar exibiu aos milhões de seguidores um dinossauro articulado, colorido e cheio de personalidade, que cabia na palma da mão. A peça tinha um significado muito maior do que o entretenimento infantil: era o protótipo da AmigoDino, a marca recém-criada por seu filho mais velho, Davi Lucca. O gesto simples desencadeou uma onda de curiosidade e, em poucas horas, o perfil da empresa explodiu em seguidores e pedidos de informação. Nascia ali, aos olhos do público, um projeto que já vinha sendo gestado com seriedade incomum para um adolescente.
A AmigoDino não é uma loja de brinquedos comum e tampouco um capricho de herdeiro. A operação está estruturada na venda de dinossauros articulados produzidos inteiramente por impressão 3D, tecnologia que Davi Lucca passou a estudar de forma autodidata. Cada peça é fabricada a partir de filamentos plásticos e montada com articulações móveis, permitindo que os modelos assumam poses realistas e funcionem como itens de colecionador. A escolha do nicho não foi aleatória: a paixão do jovem por dinossauros e pela robótica já era conhecida entre amigos e familiares, e sua decisão de transformar esse interesse em um negócio veio acompanhada de um objetivo declarado desde a primeira conversa com o pai: conquistar a própria independência financeira e construir um patrimônio pessoal com o suor do próprio trabalho.
O passo inaugural no mundo do empreendedorismo teve contornos de aprendizado prático e imersão total. Davi Lucca montou, ele mesmo, sua primeira impressora 3D, enfrentando manuais técnicos, testes de calibragem e lotes de produção perdidos por erro de configuração. A fase de tentativa e erro foi tratada como parte do processo, sem atalhos ou privilégios disfarçados de facilidade. O adolescente cuidou pessoalmente da escolha das cores, da seleção das espécies de dinossauros que fariam parte do catálogo e do design das embalagens, que levam o nome da marca com a assinatura visual limpa e moderna. A mãe, Carol Dantas, acompanhou de perto cada etapa, com um olhar atento que mesclava apoio emocional e supervisão jurídica para garantir que o negócio estivesse em conformidade com a legislação voltada ao trabalho juvenil.
O ponto de virada aconteceu de forma orgânica. Após a menção orgulhosa de Neymar, o surfista Gabriel Medina, amigo pessoal da família e também um entusiasta de hobbies criativos, compartilhou os dinossauros com sua audiência, elogiando a qualidade da impressão e a iniciativa do garoto. Em menos de 48 horas, o perfil da AmigoDino saltou de algumas centenas para centenas de milhares de seguidores, e os lotes disponíveis se esgotaram em minutos. A viralização não transformou o projeto em uma superprodução industrial imediata. Pelo contrário, Davi Lucca e sua equipe familiar mantiveram o caráter artesanal da fabricação, comunicando aos clientes os prazos realistas de entrega e recusando a lógica de escala que pudesse comprometer a qualidade do produto ou a experiência de aprendizado do fundador.
Do ponto de vista financeiro, a organização do negócio seguiu um rito de formalização. A AmigoDino foi registrada como empresa, com CNPJ ativo e emissão de notas fiscais em cada venda. Todo o faturamento foi direcionado para uma conta bancária separada, gerida com supervisão familiar, e parte dos lucros foi reinvestida na compra de novos filamentos, impressoras adicionais e materiais de acabamento. A precificação levou em conta o custo da matéria-prima, o tempo de impressão e o valor percebido de um brinquedo colecionável e articulado. Davi Lucca passou a acompanhar diariamente o fluxo de caixa, compreendendo na prática conceitos como margem de lucro, capital de giro e custo de aquisição de clientes, informações que muitos adultos demoram anos para dominar.
O desdobramento mais significativo da empreitada, no entanto, extrapola o balanço financeiro. A AmigoDino se transformou em uma plataforma educativa que introduziu o adolescente aos fundamentos do empreendedorismo real, aquele que envolve risco, frustração, negociação e responsabilidade. Ao optar por um modelo de negócio que exigia produção física e logística de entrega, Davi Lucca se distanciou do caminho mais previsível de licenciar seu nome para produtos de terceiros, algo que a condição de filho de um dos atletas mais famosos do mundo poderia facilmente proporcionar. A escolha deliberada pelo esforço manual e pelo domínio da técnica da impressão 3D revela uma intenção de construir uma identidade profissional própria, desvinculada da imagem paterna como garantia de sucesso.
A reação do público trouxe camadas adicionais de significado à história. Nas redes sociais, pais e educadores passaram a usar o exemplo de Davi Lucca para incentivar crianças e adolescentes a empreenderem com criatividade e disciplina. Dinossauros articulados da AmigoDino começaram a aparecer em salas de aula, consultórios de psicopedagogia e feiras de ciências, não apenas como brinquedos, mas como ferramentas para ensinar noções de biologia, paleontologia e tecnologia de manufatura aditiva. O jovem empresário passou a receber convites para dar entrevistas a canais de tecnologia, podcasts de negócios e veículos especializados em educação financeira, sempre com um discurso que equilibrava maturidade e leveza.
Aos 14 anos, Davi Lucca estabeleceu um marco que transcende o empreendedorismo precoce. Ele demonstrou que o desejo de construir algo com as próprias mãos pode conviver com o privilégio de ter nascido em um ambiente abastado, desde que haja disposição para o esforço genuíno e a orientação adequada. A AmigoDino já estuda expandir o catálogo para robôs articulados e miniaturas de outras eras geológicas, mantendo a impressão 3D como método central de produção. Enquanto os novos projetos tomam forma em sua mesa de trabalho, o filho mais velho de Neymar segue provando que a verdadeira herança não está no sobrenome, mas na coragem de imprimir o próprio futuro, camada por camada, com a paciência de quem sabe que cada peça construída com as próprias mãos vale mais do que qualquer presente.
Fontes: Entrevistas concedidas por Davi Lucca e Carol Dantas a veículos de negócios e tecnologia; registros oficiais da empresa AmigoDino; declarações públicas de Neymar em redes sociais; participação de Gabriel Medina em ação de divulgação orgânica do projeto; dados de audiência e viralização monitorados por plataformas de análise de redes sociais; documentação de registro de CNPJ e emissão de notas fiscais da AmigoDino.