Chris Brown é condenado a pagar R$ 67 milhões após ex-funcionária ser atacada por seu cachorro
Justiça da Califórnia encerra batalha de cinco anos e condena cantor a pagar R$ 67 milhões a ex-funcionária brutalmente ferida
A governanta Maria Avila encerrou uma angustiante jornada judicial de mais de cinco anos com uma vitória contundente sobre o cantor Chris Brown. O veredito, proferido por um júri da Califórnia, determinou que o artista terá de pagar a quantia de 12,9 milhões de dólares, montante que, convertido para a moeda brasileira, atinge aproximadamente 67 milhões de reais. A sentença coloca um ponto final em um processo que expôs as entranhas de um ataque brutal ocorrido nos bastidores da famosa residência do músico em Los Angeles.
O drama que culminou nesta indenização milionária teve início em um dia comum de trabalho no final de 2020. Maria Avila, que integrava a equipe de funcionários da propriedade, foi atacada de forma repentina e extremamente violenta pelo cão de guarda pessoal de Chris Brown, um exemplar da raça Pastor do Cáucaso, animal que pode ultrapassar os 70 quilos e é selecionado justamente por sua agressividade territorial. As investidas do animal não foram superficiais. A vítima sofreu um verdadeiro dilaceramento de tecidos em diferentes partes do corpo, lesões que exigiram um tratamento cirúrgico longo, complexo e doloroso, baseado em sucessivos enxertos de pele.
Durante a fase de instrução processual, o tribunal foi apresentado a um quadro clínico que ia muito além das cicatrizes físicas. Os advogados da ex-funcionária comprovaram que o trauma vivenciado desencadeou um grave transtorno de estresse pós-traumático. A condição psicológica afetou profundamente a capacidade cognitiva e emocional de Maria Avila, gerando crises de ansiedade, insônia crônica e um medo paralisante que a impediu de retomar suas atividades profissionais normais. O processo deixou evidente que a vida da governanta foi partida em dois momentos: o antes e o depois da falha de segurança na mansão do artista.
A defesa de Chris Brown sustentou, ao longo dos anos de litígio, que o incidente foi um acidente isolado e imprevisível. No entanto, os jurados acolheram integralmente a tese da acusação, que caracterizou o ataque como resultado de negligência direta do empregador. Ficou demonstrado que o cão era mantido em áreas onde os funcionários domésticos precisavam circular para realizar suas tarefas, sem as barreiras físicas ou os protocolos de segurança necessários para neutralizar o risco extremo que um animal daquele porte representava. A lógica do júri confirmou que a integridade física de um trabalhador não pode ser colocada em segundo plano em prol da vigilância privada.
Além da indenização principal destinada à Maria Avila, o conselho de sentença também foi sensível ao argumento do impacto familiar. Por essa razão, o veredito incluiu valores específicos a serem pagos aos familiares da vítima, que dependiam economicamente de seu trabalho e que também sofreram as consequências emocionais da transformação drástica na saúde da governanta. A Justiça californiana reconheceu que o dano causado pela omissão do cantor reverberou por toda a estrutura doméstica da ex-funcionária, privando parentes próximos do convívio e do suporte financeiro que ela sempre proveu.
O montante de 12,9 milhões de dólares representa uma das cifras mais expressivas já aplicadas em processos civis envolvendo artistas da indústria musical e seus colaboradores internos. Mais do que uma penalidade financeira, o valor reflete um cálculo atuarial detalhado sobre os custos médicos futuros, a perda da capacidade laboral e o sofrimento subjetivo causado pelo evento. Com o trânsito em julgado desta sentença, encerra-se formalmente uma novela judicial que vinha se desenrolando desde o final de 2020, deixando uma jurisprudência relevante sobre a responsabilidade objetiva de empregadores que optam por manter animais de guarda com alto potencial ofensivo no mesmo ambiente de trabalho doméstico.
Fontes
Tribunal Superior do Condado de Los Angeles. Processo número 20STCV47832 (Maria Avila vs. Christopher Maurice Brown). Registros públicos da corte estadual da Califórnia, atualizados em 2024.