FHC: o único presidente eleito duas vezes no primeiro turno
Tucano venceu em 1994 e 1998 sem segundo turno e segue como único presidente a conquistar o feito na história do Brasil
Desde a retomada das eleições diretas para presidente da República, em 1989, apenas um candidato conseguiu interromper a disputa presidencial antes da segunda votação. Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, venceu as eleições de 1994 e 1998 no primeiro turno, um feito que nenhum outro presidente eleito pelo voto popular conseguiu repetir nas três décadas seguintes.
A primeira vitória de FHC no primeiro turno ocorreu em 3 de outubro de 1994. Candidato pela coligação PSDB, PFL e PTB, ele obteve 34.350.217 votos, o equivalente a 54,28% dos votos válidos. O principal adversário foi Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que recebeu 17.112.255 votos, correspondentes a 27,04% dos votos válidos. A diferença de mais de 27 pontos percentuais encerrou a disputa na primeira votação, sem necessidade de segundo turno.
O contexto econômico teve papel determinante naquele resultado. FHC havia comandado o Ministério da Fazenda durante a implementação do Plano Real, lançado em julho de 1994 pelo governo Itamar Franco. O sucesso do plano no combate à hiperinflação projetou sua candidatura e funcionou como principal motor eleitoral de sua campanha. A estabilidade monetária conquistada nos meses que antecederam o pleito converteu-se em capital político decisivo.
Quatro anos depois, em 4 de outubro de 1998, FHC repetiu o resultado. A eleição daquele ano marcou a primeira vez em que um presidente brasileiro pôde disputar a reeleição imediata, após a aprovação da Emenda Constitucional 16, de 1997, que permitiu a recondução para um único período subsequente. O tucano concorreu pela coligação PSDB, PFL, PTB e PPB e recebeu 35.936.916 votos, o equivalente a 53,06% dos votos válidos. O principal adversário foi novamente Lula, que ficou em segundo lugar, seguido por Ciro Gomes. Com o resultado, Fernando Henrique Cardoso tornou-se o único presidente brasileiro a conquistar duas eleições presidenciais consecutivas no primeiro turno.
A Constituição de 1988 estabelece que uma eleição presidencial pode terminar no primeiro turno se um candidato obtiver mais de 50% dos votos válidos, ou seja, sem contar votos brancos e nulos. Se nenhum candidato alcançar essa maioria, os dois mais votados disputam o segundo turno. Desde 2002, todas as eleições presidenciais no Brasil foram decididas em segundo turno, sem exceção.
Em 1989, a primeira eleição presidencial após a redemocratização, Fernando Collor de Mello, do PRN, terminou o primeiro turno na liderança, com 30,48% dos votos válidos, enquanto Lula ficou em segundo, com 17,19%. Collor venceu o segundo turno com 53,03% dos votos válidos, contra 46,97% de Lula. Em 2002, Lula chegou ao segundo turno contra José Serra, do PSDB, e venceu com 61,27% dos votos válidos. Quatro anos depois, em 2006, foi reeleito após enfrentar Geraldo Alckmin, do PSDB, no segundo turno, obtendo 60,83% dos votos válidos.
Em 2010, Dilma Rousseff, do PT, foi eleita no segundo turno contra José Serra, do PSDB, com 56,05% dos votos válidos. Em 2014, Dilma foi reeleita também no segundo turno, derrotando Aécio Neves, do PSDB, com 51,64% dos votos válidos. Em 2018, Jair Bolsonaro, do PSL, venceu Fernando Haddad, do PT, no segundo turno, com 55,13% dos votos válidos. Em 2022, Lula derrotou Bolsonaro no segundo turno por uma margem apertada: 50,90% dos votos válidos contra 49,10%, a diferença mais estreita desde a redemocratização.
O feito de FHC permanece como uma marca da história eleitoral brasileira. Desde a retomada das eleições diretas, nenhum outro presidente conseguiu repetir a façanha de vencer duas eleições consecutivas no primeiro turno. O resultado consolida Fernando Henrique Cardoso como o único presidente do Brasil a conquistar esse feito em toda a história republicana recente.
Fontes consultadas
Tribunal Superior Eleitoral, Governo Federal, Agência Brasil, Senado Federal, Câmara dos Deputados, G1, Folha de S.Paulo, O Globo, Exame, Estado de Minas, GZH, R7, O Povo, Correio do Povo, BBC News Brasil, Portal STF, Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral, IBGE, Memória Globo, PSDB-SP, Agência Senado.