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Política

Lula dá bolo no último debate e deixa cadeira vazia na Globo

By Régis Andrade
30 de setembro de 2026 6 Min Read
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Presidente comunica ausência a três dias do 1º turno; Flávio Bolsonaro e mais quatro candidatos vão ao palco na quinta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, comunicou nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, à TV Globo que não comparecerá ao debate presidencial marcado para a noite seguinte, quinta-feira, 1º de outubro, o último antes do primeiro turno. A informação foi repassada pela assessoria do presidente à emissora, que confirmou a ausência e manteve a realização do programa. A decisão foi tomada a três dias da votação, em um cenário de acirramento da disputa e de indefinição que se arrastou ao longo da semana dentro do próprio comando de campanha.

O debate está previsto para começar às 21h30, logo depois do Jornal Nacional, e será transmitido ao vivo pela TV Globo, pelo g1 e pela GloboNews, direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A mediação será do jornalista César Tralli. Pela primeira vez, o encontro ocupará a faixa habitual da novela das 21h, Quem Ama Cuida. A estrutura foi montada para receber os candidatos e manter a cadeira do presidente vazia caso a ausência fosse confirmada, o que acabou ocorrendo.

Com a decisão de Lula, quatro candidatos estão confirmados: Flávio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; Augusto Cury, do Avante; e Romeu Zema, do Novo. A TV Globo havia convidado originalmente Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, usando como critério a representação parlamentar dos partidos eleitos em 2022. A entrada de Romeu Zema foi assegurada por decisão liminar do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tomada na terça-feira, 29 de setembro, que alterou o entendimento anterior da corte sobre a participação de partidos em debates. A mudança garantiu a presença dos candidatos do Partido Novo no pleito de 2026.

O formato do debate terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Dois blocos serão temáticos e dois terão tema livre. Os candidatos ficarão posicionados ao redor de um mapa do Brasil colocado no centro do cenário. A partir do mapa, serão discutidas questões regionais e assuntos como preservação da Amazônia, segurança nas fronteiras, combate ao crime organizado e melhoria da infraestrutura para as exportações brasileiras. Os participantes poderão escolher temas predefinidos em um telão para formular as perguntas. Quem pergunta terá dois minutos para dividir entre a formulação da questão e a réplica. Quem responde terá três minutos para dividir entre a resposta e a tréplica.

A ausência de Lula não o deixará completamente fora do programa. Pelas regras divulgadas, os candidatos presentes poderão dirigir perguntas ao candidato ausente em momentos determinados, e a cadeira reservada ao presidente ficará vazia durante todo o debate. A emissora informou que a ausência será destacada ao longo da transmissão. A decisão também abre a possibilidade de convocação de outro presidenciável. Renan Santos, do partido Missão, que não estava entre os quatro convidados iniciais por não ter alcançado o número mínimo de parlamentares eleitos em 2022, é o nome mais provável para ocupar a vaga deixada por Lula. A campanha de Renan já acompanhava essa hipótese e chegou a avaliar uma ação judicial caso o presidente não comparecesse e ele não fosse chamado.

A decisão foi precedida de intensa divisão no entorno do presidente. Aliados que defendiam a participação argumentavam que, em um cenário eleitoral apertado, com pesquisas indicando empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, seria essencial o confronto direto com o adversário. Avaliavam ainda que o debate seria uma oportunidade de expor fragilidades do candidato do PL na disputa pelos votos dos indecisos. Já os que advogavam pela ausência apontavam o risco de Lula se tornar o alvo principal dos demais candidatos, uma vez que é o único representante do campo da esquerda entre os participantes. Aliados também criticaram o formato, alegando que o confronto direto com Flávio ficaria prejudicado pela presença dos outros presidenciáveis.

O próprio presidente manifestou resistência ao modelo em conversas reservadas. Segundo relatos de aliados próximos, Lula não queria se submeter a um formato no qual faria uma pergunta, falaria poucos minutos e depois ficaria meia hora sendo criticado por todos os outros. O presidente teria dito que preferia debater somente com Flávio Bolsonaro e que, no segundo turno, irá a todos os debates. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, havia sinalizado no início da semana que Lula poderia não participar caso o formato não permitisse um confronto mais direto com Flávio. Edinho declarou que o presidente queria confrontar o que defende para o Brasil com aquilo que a família Bolsonaro defende, mas que, se o modelo obrigasse Lula a fazer uma pergunta e esperar meia hora para fazer a segunda, o confronto de ideias não aconteceria.

Para não deixar o horário do debate completamente vazio, a campanha de Lula organiza uma entrevista do presidente em um podcast de grande audiência, a ser realizada no mesmo momento do encontro promovido pela TV Globo. A estratégia repete o que ocorreu no primeiro e único debate presidencial desta campanha, realizado em 23 de agosto de 2026 e promovido pela TV Bandeirantes. Na ocasião, foi ao ar uma entrevista de Lula na TV Record no mesmo horário em que os candidatos Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos debatiam entre si. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema também haviam decidido não comparecer ao debate da Band. Integrantes do núcleo da campanha de Lula avaliam que o formato do debate da TV Globo e o fato de todos os demais candidatos serem de direita transformariam o presidente em vidraça, trazendo risco desnecessário a apenas três dias do primeiro turno. Três integrantes da campanha ouvidos sob anonimato afirmaram que, embora a ida ao debate significasse expor Lula a uma grande audiência, o formato e a mediação lhe seriam adversos.

Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas pesquisas, já havia confirmado presença no debate e vinha cobrando publicamente a participação do presidente. O candidato do PL afirmou que estaria no debate da TV Globo e que esperava que Lula fosse para o encontro, porque era com ele que queria debater. Em outra declaração, disse que seu único adversário na campanha era o Lula e que iria ao debate para desmascarar o que chamou de mentiroso e assassino da esperança do Brasil. Com a ausência do presidente, Flávio se tornará o alvo preferencial dos demais candidatos no palco. Ronaldo Caiado e Augusto Cury, que confirmaram presença, não deverão aliviar a situação do candidato do PL diante da audiência. A equipe de Flávio já treinava para dois cenários, um com Lula e outro sem. Caso o presidente não compareça, Flávio pretende fazer perguntas ao púlpito vazio e falar textos feitos sob medida para cortes nas redes sociais. Se Lula fosse, além dos ataques já esperados, o candidato do PL investiria no contraste entre os dois, tentando capitalizar o fato de ser mais jovem para transmitir uma imagem de dinamismo.

A decisão de Lula ocorre em um momento de acirramento da disputa. A série mais recente de pesquisas estaduais da Quaest, divulgada entre 22 e 26 de setembro de 2026, apresentou levantamentos sobre a disputa presidencial em 25 estados e no Distrito Federal. No levantamento, Lula aparece à frente em nove estados, enquanto Flávio Bolsonaro lidera em outros oito. Os dois aparecem em situação de empate técnico em nove unidades da Federação. Os levantamentos estaduais têm margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, com exceção de São Paulo, onde a margem é de dois pontos. Em pesquisa nacional divulgada anteriormente, Lula aparecia com 42% das intenções de voto, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A agenda do presidente estava sem compromissos para esta quinta-feira, em um compasso de espera pela decisão final. Lula viaja a Minas Gerais nesta quarta-feira, onde participa de ato eleitoral, e cumpre agendas no Rio de Janeiro na manhã de sexta-feira. Durante comício em Fortaleza, o presidente havia afirmado que participaria de um debate e de uma entrevista nesta semana, sem mencionar especificamente o encontro promovido pela TV Globo. Lula disse que sairia de Fortaleza para Salvador, onde faria uma caminhada, e que depois voltaria a Brasília. Em seguida, participaria de um debate e de uma entrevista, antes de seguir para Juiz de Fora, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, encerrando a campanha no sábado com uma passeata na capital paulista. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. A ausência de Lula no último debate antes da votação consolida uma estratégia de campanha que aposta em entrevistas e atos setoriais em vez do confronto direto no palco da principal emissora do país. A decisão, no entanto, não encerra a polêmica sobre o formato dos debates e sobre os critérios de participação, temas que ainda podem voltar à Justiça Eleitoral antes do domingo de votação.

Fontes consultadas: G1, O Globo, Jornal de Brasília, SBT News, Exame, BNews, Poder360, O Liberal, Quaest e Broadcast Político.

Tags:

cadeira vaziadebate da Globoeleições 2026Flávio BolsonaroLulaprimeiro turno
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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