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Política

Lula diz: “Mataram o Saddam Hussein e até agora não acharam uma arma química.”

By Régis Andrade
23 de setembro de 2026 6 Min Read
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Presidente critica intervenções americanas e cobra explicação sobre armas químicas nunca achadas no Iraque em 2003

Em entrevista exclusiva concedida à âncora Christiane Amanpour, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar duramente as operações militares dos Estados Unidos em outros países e usou a morte do antigo presidente do Iraque Saddam Hussein como exemplo central de seu questionamento. Lula afirmou que Saddam foi morto pelas forças americanas e que, até hoje, nenhuma arma química foi encontrada no território iraquiano, apesar de esse ter sido o principal argumento apresentado pelos Estados Unidos para justificar a invasão do país em 2003. A declaração foi feita no dia 21 de setembro, durante a passagem do presidente por Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

O presidente não poupou palavras ao comentar o episódio. Ele declarou que a comunidade internacional ainda não recebeu uma explicação satisfatória sobre a ausência das armas de destruição em massa que teriam motivado a intervenção. Lula disse que se pergunta até quando o mundo continuará subordinado a mentiras. A fala provocou reação imediata e passou a circular amplamente em plataformas digitais, especialmente no X e no TikTok, onde usuários discutiram o significado da comparação feita pelo presidente.

A entrevista ocorreu em um momento de forte tensão diplomática. Lula está em Nova York para a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, evento no qual o Brasil tradicionalmente faz o primeiro discurso entre os chefes de Estado. Além da agenda multilateral, o presidente cumpriu compromissos bilaterais, incluindo uma reunião com o prefeito da cidade. Durante a conversa com Christiane Amanpour, Lula ampliou suas críticas para além do caso iraquiano e abordou diretamente a situação da Venezuela e as ações americanas no continente.

Sobre a Venezuela, o presidente afirmou que os Estados Unidos passam a impressão de que governam o país sul americano. Segundo Lula, essa mensagem aparece em documentos e acordos que parecem colocar Washington como chefe da nação venezuelana. Ele também questionou a forma como os Estados Unidos conduziram a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro. Lula declarou que, se havia narcotráfico na Venezuela, o correto seria prender o narcotraficante, e não matar pessoas em barcos sem apresentar provas concretas. Ele destacou que não foram mostradas drogas nem provas contra os envolvidos, apenas prisões.

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O presidente também afirmou que a segurança territorial das nações está sendo desrespeitada. Na avaliação dele, qualquer país agora se sente autorizado a invadir outro. Lula sustentou que um país não pode simplesmente acusar outro e que, se Maduro cometeu algum erro, ele precisa ser julgado a partir de uma investigação séria. A declaração reforça uma posição que o presidente já havia manifestado em outras ocasiões e que se tornou uma marca de sua crítica à política externa americana.

Esta não foi a primeira vez que Lula citou Saddam Hussein para questionar a intervenção dos Estados Unidos. No dia 21 de março, durante encontro dos chefes da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe e da África, realizado em Bogotá, na Colômbia, o presidente já havia feito questionamento semelhante. Na ocasião, ele perguntou onde estavam as armas químicas de Saddam Hussein e quem as havia encontrado. Lula também relembrou um episódio anterior à sua posse em 2003, quando o então presidente americano George W. Bush o convidou para participar da Guerra do Iraque.

Naquele momento, Lula contou que respondeu a Bush dizendo que não conhecia Saddam Hussein e que o Iraque ficava a milhares de quilômetros do Brasil. Ele relatou que perguntou por que fazer guerra contra o Iraque e por que destruir para depois reconstruir. Segundo o presidente, Washington argumentou que, se o Brasil participasse da guerra, empresas brasileiras ajudariam na reconstrução do país. Lula disse que respondeu que não destruiria algo que já estava construído.

Durante a entrevista à âncora da CNN, Lula também direcionou críticas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Na avaliação do presidente, os cinco países que são membros permanentes do órgão concentram as maiores economias, a tecnologia mais avançada, os maiores exércitos, as maiores marinhas e forças aéreas, além do maior arsenal de bombas atômicas. Lula afirmou que esses países deveriam acabar com as guerras e buscar a paz, mas, em vez disso, propagam mentiras. Ele defendeu que a Organização das Nações Unidas precisa de mais representatividade e legitimidade, pois, segundo ele, o Conselho de Segurança não funciona e está desacreditado.

O presidente também criticou o funcionamento da Organização Mundial do Comércio e afirmou que a incapacidade das lideranças globais em solucionar guerras ocorre desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Para Lula, a estrutura internacional atual não responde aos desafios contemporâneos e precisa ser reformada com urgência. Ele repetiu que o mundo não pode continuar subordinado a decisões tomadas por poucos países que, segundo ele, não cumprem o papel de garantir a paz.

A repercussão da fala de Lula foi intensa. O trecho do vídeo viralizou em redes sociais como o X e o TikTok, e usuários passaram a acusar o presidente de fazer uma defesa de Saddam Hussein. Colunistas e veículos de imprensa também se manifestaram. Uma análise publicada pelo portal Grandes Anta Rosanotícias afirmou que Lula usou o caso Saddam para defender Maduro e escancarou sua defesa a ditadores. Já a coluna de Romoaldo de Souza, no JC/UOL, afirmou que Lula ressuscitou Saddam Hussein durante sua passagem por Nova York, em uma entrevista que também abordou temas como corrupção e a situação venezuelana.

A afirmação de Lula sobre a ausência de armas químicas no Iraque encontra respaldo em investigações realizadas após a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003. Um relatório do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns do Reino Unido, publicado meses após o fim da fase militar das operações, concluiu que não surgiram evidências conclusivas de que o regime iraquiano realmente possuía armas de destruição em massa. O documento afirma que, embora houvesse a suposição de que armas químicas ou biológicas seriam usadas, nenhuma foi encontrada durante a guerra, e nenhuma foi descoberta desde então.

Investigações posteriores confirmaram que o Iraque havia destruído seus estoques de armas químicas em 1991, conforme apontado por análises independentes. Ainda assim, a alegação da existência de armas de destruição em massa foi o principal argumento utilizado pela administração do então presidente George W. Bush para justificar a invasão do país. Saddam Hussein foi capturado em dezembro de 2003 e executado em 30 de dezembro de 2006, após julgamento por crimes contra a humanidade.

Além da referência a Saddam Hussein, Lula abordou outros temas durante a entrevista. O presidente voltou a chamar o presidente americano Donald Trump de imperador e criticou a postura dos Estados Unidos no cenário internacional. Lula afirmou que Trump foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e tem o direito de governar para os americanos, mas não tem o direito de governar outros países nem de impor sua vontade. O presidente disse que não concorda com a chamada lei do mais forte e que o mundo não pode aceitar que um país se coloque acima de todos os outros.

Sobre a Venezuela, Lula repetiu que os Estados Unidos passam a ideia de que estão governando o país. Ele afirmou que, em todos os documentos que leu, nos acordos, parece que os Estados Unidos são os chefes da Venezuela. O presidente disse que, se Maduro cometeu um erro, ele precisa ser julgado a partir de uma investigação séria, e que um país não pode simplesmente acusar outro. A fala ocorreu um dia antes da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, onde o Brasil tradicionalmente faz o primeiro discurso entre os chefes de Estado.

A entrevista também foi marcada por críticas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Lula afirmou que os cinco países que são membros permanentes do órgão focam em disseminar mentiras em vez de encontrar a paz para conflitos em curso. Ele declarou que essas nações possuem a tecnologia mais avançada, os maiores exércitos, as maiores marinhas e forças aéreas, o maior arsenal de bombas atômicas, e que, portanto, deveriam acabar com as guerras e buscar a paz. Em vez disso, segundo o presidente, elas apenas propagam mentiras. Lula concluiu que a Organização das Nações Unidas precisa de mais representatividade e legitimidade, pois hoje está desacreditada.

Fontes consultadas: CNN Brasil; HiperNotícias; Antropofagista; Grandes Anta Rosanotícias; JC/UOL; Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns do Reino Unido.

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armas químicasCNNEUAguerraIraqueLulaMaduroONUpolítica internacionalSaddam Hussein
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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