Nave da SpaceX colide com a Lua formando fenda com 18 metros, revela Nasa
A sonda de reconhecimento lunar em órbita detectou na madrugada desta quarta-feira a assinatura inconfundível de um impacto não natural contra a superfície do satélite. O segundo estágio de um veículo Falcon 9, pertencente à frota da SpaceX, encerrou uma longa deriva pelo espaço interplanetário ao se chocar violentamente contra o solo selenita. O local exato do choque foi identificado nas coordenadas próximas à borda externa das crateras Einstein e Bell, uma região marcada por antigas cicatrizes de colisões cósmicas agora acrescida de uma nova cavidade forjada pela engenharia humana.
A violência do encontro foi medida por sensores remotos. O artefato, uma estrutura cilíndrica de alumínio e titânio com massa estimada em quatro toneladas e desprovida de qualquer sistema de controle, atingiu o regolito a uma velocidade de 9.300 quilômetros por hora. Não houve explosão química, pois os tanques estavam secos e inertes há anos. A devastação foi puramente cinética. No milionésimo de segundo do contato, a energia mecânica se converteu em calor extremo, vaporizando o projétil e fundindo as rochas ao redor. A potência dissipada foi calculada em aproximadamente 3,1 toneladas equivalentes de dinamite, um valor revisado pela agência espacial com base na análise pós impacto da nuvem de detritos.
A trajetória que conduziu o estágio descartado até a colisão não foi desenhada por controladores de voo, mas sim esculpida pacientemente por duas forças naturais dominantes. A pressão da radiação solar atuou sobre a grande superfície irregular do objeto como uma vela fantasma, alterando sua velocidade de forma sutil mas contínua ao longo de anos. Simultaneamente, as interações gravitacionais com a Terra e com a própria Lua deformaram a órbita caótica do equipamento, retirando energia do sistema até que o perigeu lunar fosse interceptado pela crosta. A SpaceX executou o descarte original do propulsor conforme os protocolos vigentes para estágios superiores em órbitas de alta excentricidade. A conversão em projétil lunar foi uma consequência estatística de um voo não tripulado abandonado às leis da mecânica celeste.
A cratera resultante possui morfologia distinta das formações naturais vizinhas, o que permitiu sua identificação imediata. As medições consolidadas apontam para uma depressão com diâmetro de 21 metros, ligeiramente alongada na direção da trajetória de entrada, e uma profundidade que atinge 4,2 metros na porção mais funda. O anel de ejeção, composto por material pulverizado e pequenos fragmentos de rocha metamórfica, se estende por mais de 40 metros além da borda da cavidade principal. Plumas secundárias de poeira ultrafina alcançaram altitude de 9 quilômetros acima da superfície antes de se dispersarem no vácuo, criando um véu efêmero registrado por instrumentos de análise espectral.
A sonda atualmente mapeia o local com prioridade científica. A oportunidade é excepcional para estudar o comportamento mecânico do solo lunar diante de um impactor de massa, formato e composição exatamente conhecidos, algo impossível de se obter com meteoroides naturais. O calor residual na área da colisão permanece detectável por termografia infravermelha e deve se dissipar completamente apenas dentro de algumas dezenas de horas, oferecendo uma janela única para análise da condutividade térmica das camadas superficiais do regolito.
A Nasa enfatiza que o evento não representa qualquer risco operacional. A região do impacto fica distante dos sítios históricos das missões Apollo, das zonas de pouso das sondas chinesas e indianas, e das rotas previstas para o programa Artemis. Colisões de objetos errantes com a superfície lunar são fenômenos geologicamente banais, com o satélite sendo bombardeado diariamente por material cósmico. O registro deste impacto específico se destaca exclusivamente pela origem antropogênica do projétil, transformando um artefato lançado em 2015 para uma missão climática terrestre em um dado científico inesperado e em uma marca permanente da presença humana no Sistema Solar.
Fontes:
Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço
SpaceX
Lunar Reconnaissance Orbiter Camera Team