Pentágono chama Elon Musk para redesenhar a guerra do futuro
Pentágono cria Projeto Meridian com Musk, Luckey e Gingrich para moldar guerra do futuro em 120 dias com IA autônoma já!
O Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira a criação do Projeto Meridian, uma ampla iniciativa do Pentágono destinada a estudar e moldar o futuro da guerra, colocando o empresário Elon Musk no centro de um dos esforços de planejamento estratégico militar mais ambiciosos das últimas décadas. O anúncio foi feito durante a segunda edição do discurso “State of the Force”, realizado na Base do Corpo de Fuzileiros Navais em Quantico, Virgínia, e representa o retorno de Musk a uma função oficial no governo Trump desde sua passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental.
O projeto será co-liderado por três nomes de peso: Elon Musk, diretor-executivo da Tesla e da SpaceX; Palmer Luckey, fundador da Anduril Industries, empresa de tecnologia de defesa especializada em armas autônomas; e Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Dentro do Departamento de Guerra, a iniciativa será conduzida pelo Diretor de Tecnologia Emil Michael, que atuará como facilitador do esforço, articulando a participação de especialistas do setor privado, da academia e do meio militar.
Segundo Hegseth, o Projeto Meridian não tem como objetivo produzir novos documentos de política ou estratégia militar. Sua finalidade é identificar os domínios que os Estados Unidos precisam conquistar e as capacidades que precisam dominar, com foco em descobrir, desenvolver e implantar armas e sistemas que as próximas gerações de militares americanos poderão precisar. O secretário descreveu o escopo do trabalho como algo que se estende debaixo da terra até além da Lua, abrangendo desde ambientes subterrâneos até a fronteira cislunar, a região do espaço entre a Terra e a Lua.
Entre as áreas tecnológicas que serão examinadas pelo grupo estão inteligência artificial, autonomia, energia direcionada, robótica e biotecnologia. Hegseth afirmou que a iniciativa buscará mapear implacavelmente a trajetória das guerras, dos domínios e das tecnologias, antecipando transformações que podem redefinir a natureza dos conflitos nas próximas décadas. O secretário destacou que os melhores previsores de conflitos futuros não residem exclusivamente dentro do Pentágono e que há vieses e riscos óbvios em permitir que a própria instituição formule as perguntas e as responda sozinha.
O prazo para a entrega dos resultados é de 120 dias, com conclusão prevista para 28 de janeiro de 2027. O relatório final será apresentado em duas partes: uma versão pública, não classificada, voltada para divulgação ampla, e um anexo classificado com recomendações sensíveis. A expectativa é que o lançamento público dos achados ocorra logo após a submissão do documento. A primeira reunião do grupo de liderança do Projeto Meridian ocorreu no mesmo dia do anúncio, em uma instalação segura próxima ao local do discurso.
A escolha de Musk para co-liderar o projeto marca seu retorno a uma função oficial no governo Trump desde sua passagem controversa pelo Departamento de Eficiência Governamental. O empresário, que resolveu repetidamente desafios de engenharia considerados impossíveis por outros, traz para a iniciativa sua experiência à frente de empresas que já mantêm contratos significativos com o Pentágono. A SpaceX é a espinha dorsal do lançamento de segurança nacional dos Estados Unidos, enquanto a Anduril, de Luckey, fornece sistemas de interferência, interceptadores, motores de foguete e aeronaves robóticas de escolta.
Newt Gingrich, por sua vez, já foi membro do Conselho de Política de Defesa durante o primeiro governo Trump e, desde a década de 1990, alerta sobre ameaças como ataques de pulso eletromagnético capazes de derrubar redes elétricas. Sua participação adiciona peso político e histórico à iniciativa, que também levanta questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse, uma vez que Musk e Luckey são executivos de empresas que competem por contratos de defesa e que, agora, ajudarão a identificar as capacidades e tecnologias que os militares devem buscar. Ainda assim, o Departamento de Guerra sustenta que a experiência industrial dos dois é exatamente o que torna o projeto valioso, trazendo uma visão privilegiada sobre tecnologias emergentes e o campo de batalha moderno.
O Projeto Meridian é uma das seis grandes iniciativas anunciadas por Hegseth no mesmo discurso. Entre elas está a criação do Comando de Guerra Autônoma, uma nova estrutura de comando combatente de quatro estrelas destinada a escalar capacidades autônomas e robóticas em todas as forças armadas, com meta de estabelecimento até 1º de outubro de 2027. A medida representa o que Hegseth descreveu como a mais rápida transformação militar em tempos de paz da história moderna. O secretário também confirmou a redução de 20% no número de generais e almirantes, o dobro do que havia sido anunciado anteriormente, e apresentou o programa FORTRESS, voltado para a resiliência energética e de suprimentos das instalações militares, além de um novo projeto de base militar e a criação de um Corpo de Cadetes.
Com o prazo de 120 dias em curso e um relatório público a caminho, o Projeto Meridian promete se tornar um dos principais pontos de atenção na interseção entre tecnologia, defesa e geopolítica nos próximos meses, tanto pelo que recomendará quanto pela evolução do papel dual de Musk como executivo do setor privado e conselheiro governamental. A iniciativa também sinaliza uma aposta do Pentágono na aproximação com o setor de tecnologia como forma de acelerar a inovação militar e manter a vantagem estratégica dos Estados Unidos em um cenário global cada vez mais competitivo.
Fontes: The Guardian, Axios, Fox News, Spectrum News, Inside Defense, The Next Web, CNBC, ORF, De Telegraaf, Basenor, Anadolu Agency, Military Times, War.gov, Associated Press, New Republic, The Canadian Press.