Sylvester Stallone vendeu seu cachorro por US$ 40 para sobreviver e, após ficar famoso, pagou US$ 15 mil para tê-lo de volta
Butkus, o bullmastiff que Stallone vendeu na miséria e recomprou após a fama, virou estrela muito inesquecível em Rocky.
Antes de se tornar um dos rostos mais reconhecíveis do cinema mundial, Sylvester Stallone atravessou um período de penúria que quase o levou ao anonimato definitivo. Recém-chegado a Nova York depois de abandonar a Universidade de Miami, o jovem ator acumulava rejeições em testes de elenco, em parte por causa de uma leve paralisia facial decorrente de complicações no parto. Sem trabalho fixo, chegou a dormir em terminais de ônibus e a aceitar papéis ínfimos para conseguir algum dinheiro. Morava em um apartamento decadente acima de uma estação de metrô, que ele mesmo descrevia como um lugar onde corriam “baratas quentes e frias”. Possuía apenas dois pares de calças que mal lhe serviam e sapatos com buracos na sola.
Naquela época, sua única companhia era Butkus, um filhote de bullmastiff que ele havia adotado. O cão tornou-se seu confidente e, segundo o próprio ator, a única criatura viva que o amava pelo que ele era. Foi ao lado de Butkus, dentro daquele apartamento miserável, que Stallone começou a aprender o ofício de escrever roteiros. A situação financeira, no entanto, agravou-se a ponto de ele não conseguir mais alimentar a si mesmo nem ao animal. Em um gesto desesperado, Stallone vendeu Butkus por quarenta dólares a um homem que passava em frente a uma loja de conveniência. Ele deixou o local chorando, convencido de que havia atingido o fundo do poço.
Pouco tempo depois, assistindo pela televisão a uma luta entre Muhammad Ali e o desconhecido Chuck Wepner, Stallone vislumbrou uma história em potencial. O combate, em que o desafiante resistiu até o fim contra o campeão mundial, inspirou-o a escrever o roteiro de um boxeador sem perspectivas que recebe uma oportunidade improvável. Em apenas três dias e meio, ele concluiu o texto de Rocky. Ainda sem dinheiro, Stallone recusou propostas que comprariam apenas os direitos da história. Exigiu estrelar o filme, mesmo que isso significasse receber um cachê irrisório. O roteiro foi vendido por trinta e cinco mil dólares, com a condição de que ele próprio interpretasse o protagonista.
A primeira providência que Stallone tomou ao receber o pagamento foi recuperar Butkus. O novo dono, ciente do desespero do ator, cobrou quinze mil dólares pelo animal. Stallone pagou a quantia sem hesitar, declarando que o cão valeu cada centavo. Butkus não apenas voltou para casa, como também se tornou parte da história do cinema. Ele apareceu ao lado de Stallone em Rocky, de 1976, e retornou em Rocky II, de 1979, creditado como Butkus Stallone. O cão viveu ao lado do ator até 1981, quando morreu. A parceria entre os dois, forjada nos anos mais duros da vida de Stallone, permanece como um símbolo da lealdade que antecedeu a fama e a fortuna.
Fontes: Observatório do Cinema, Rolling Stone Brasil, Infobae, Times of India, Koimoi, The Observer, Daily Mail, The Dodo e AdoroCinema.