Tucker Carlson afirma que Trump estaria a poucos dias de autorizar um ataque nuclear ao Irã sob pressão de Netanyahu
Comentarista alega que o alvo seria a Montanha Pickaxe, que Netanyahu liga diariamente a Trump e que o mundo estaria à beira de um conflito sem precedentes; Casa Branca nega, Israel rejeita pressão e Rússia diz que informação não foi confirmada
O comentarista político norte-americano Tucker Carlson afirmou, em publicações veiculadas no último domingo, 2 de novembro, que o governo do presidente Donald Trump pode estar a poucos dias de autorizar um ataque nuclear contra o Irã. Segundo Carlson, a ação militar seria resultado de uma pressão intensa e diária exercida pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A declaração, feita em uma longa postagem na rede social X, gerou repercussão internacional imediata, mobilizou autoridades de diversos países e foi recebida com ceticismo por parte de governos e analistas, uma vez que não apresentou documentos ou evidências verificáveis e não foi confirmada por nenhuma fonte oficial.
De acordo com a versão apresentada por Carlson, o alvo do suposto ataque seria a Montanha Pickaxe, uma instalação nuclear subterrânea altamente fortificada localizada no centro do Irã, próxima ao complexo de enriquecimento de urânio de Natanz. O comentarista sustentou que a inteligência israelense acredita que o governo iraniano teria retomado seu programa de enriquecimento de urânio no local. Carlson argumentou que nenhuma arma convencional do arsenal americano seria capaz de penetrar os cerca de 300 pés de granito sólido que protegem os túneis onde o enriquecimento estaria supostamente ocorrendo, o que tornaria o ataque nuclear a única opção militar disponível. “A única opção militar é um ataque nuclear. Netanyahu tem pressionado fortemente por isso. Bibi liga para Trump todos os dias sobre isso”, declarou Carlson, citando um observador informado não identificado.
No centro da alegação está a situação política interna de Netanyahu. Carlson afirmou que o primeiro-ministro israelense estaria encurralado e desesperado após os resultados da eleição geral em Israel, na qual seu bloco de direita não conseguiu garantir uma maioria parlamentar. Segundo o comentarista, Netanyahu não conseguiria formar um governo sem a intervenção direta de Trump na política israelense e sem que o presidente americano intermediasse um acordo com outros partidos que lhe garantisse 61 cadeiras na Knesset. Caso contrário, ele deixaria o cargo de primeiro-ministro e enfrentaria investigações e possivelmente a prisão. “Netanyahu precisa se manter próximo de Trump. Ele precisa desta guerra”, escreveu Carlson. O comentarista acrescentou que, para atingir esse objetivo, Netanyahu teria aplicado pressão máxima sobre seus aliados mais próximos na administração americana, incluindo o secretário de Defesa Pete Hegseth e o comandante do Comando Central dos Estados Unidos, almirante Brad Cooper. De acordo com Carlson, ambos se opõem a uma solução negociada para a guerra e estariam pressionando pela retomada de grandes operações de combate. Ele também citou o secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA, John Ratcliffe, como figuras que estariam seguindo a liderança de Netanyahu.
A postagem de Carlson também mencionou uma conversa telefônica ocorrida no sábado, 1º de novembro, entre Trump e Netanyahu, na qual os dois líderes discutiram a possibilidade de retomar as operações militares contra o Irã. Segundo relatos posteriores, a conversa teria sido descrita por uma fonte israelense como difícil e por uma fonte americana como direta. Trump teria dito a Netanyahu que, em vez de bombardear o Irã imediatamente, preferia dar uma chance às negociações entre Washington e Teerã, o que teria preocupado o primeiro-ministro israelense. O próprio Trump, em declarações a repórteres no sábado, afirmou que as negociações com Teerã estavam indo bem, mas acrescentou que os Estados Unidos ainda precisavam lidar com um ou dois locais nucleares iranianos. “Nós ainda temos que cuidar de, eu diria, um ou dois locais, mas podemos fazer isso em 10 minutos. Provavelmente você poderia olhar para a Montanha Pickaxe, e temos que cuidar disso. Podemos fazer tudo isso muito rapidamente”, declarou o presidente. No domingo, durante um comício de campanha em Iowa, Trump voltou a ameaçar o Irã, dizendo que poderia dar a Teerã “o martelo” em um momento não especificado.
A declaração de Carlson, no entanto, foi recebida com desmentidos e ceticismo. A Casa Branca rejeitou categoricamente a alegação. Um funcionário da administração afirmou que o presidente Trump tem uma ampla gama de opções disponíveis em relação ao Irã e que fará o que for certo para manter o povo americano seguro. O mesmo funcionário disse que Tucker Carlson perdeu seu caminho há muito tempo devido a um caso debilitante de “Síndrome de Perturbação de Trump” e que ele não tem nenhuma visão sobre o planejamento militar ou o pensamento do comandante-em-chefe. A declaração da Casa Branca foi divulgada após a publicação de Carlson e buscou desqualificar tanto a fonte quanto o conteúdo da alegação.
O governo de Israel também negou que Netanyahu esteja pressionando Trump para um ataque nuclear. O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, rejeitou as alegações, afirmando que o primeiro-ministro Netanyahu não está pressionando o presidente Trump e que não seria honesto sugerir que Washington lançaria ataques militares contra o Irã a pedido de Israel. A negação israelense contraria diretamente a narrativa central da postagem de Carlson, que sustenta que a pressão de Netanyahu seria o motor da suposta decisão americana.
A Rússia, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, também se pronunciou sobre o caso. Lavrov afirmou que a informação divulgada por Carlson não foi confirmada por outras fontes e que não há motivos reais para se chegar a tal conclusão. Segundo o ministro russo, a disseminação pública desse tipo de informação pode, às vezes, fazer parte de campanhas de informação usadas antes de eleições. A declaração de Lavrov foi feita em 3 de novembro e reforçou o coro de autoridades que trataram a alegação como especulação não verificada.
A própria trajetória de Carlson em relação ao tema contribui para o questionamento sobre a credibilidade da alegação. O comentarista, que foi apresentador da Fox News entre 2016 e 2023 e hoje mantém um programa independente na plataforma X, já havia feito previsões semelhantes anteriormente. Em abril, ele chegou a prever que o presidente estava levando o país à beira de uma guerra nuclear. Além disso, o próprio Trump já havia descartado publicamente o uso de armas nucleares contra o Irã. Em uma entrevista à Newsmax em 15 de outubro, o presidente afirmou: “Eu não usaria nuclear. Nós não precisamos. Somos a maior potência nuclear do mundo.” Ele também já havia dito que, caso ordenasse um ataque à Montanha Pickaxe, usaria uma arma convencional, e não nuclear, referindo-se ao bombardeiro GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast, conhecido como a “mãe de todas as bombas”, que ele descreveu como “como uma pequena bomba nuclear”, mas não nuclear.
Ainda assim, a alegação de Carlson foi levada a sério por algumas figuras notáveis. O advogado e crítico proeminente de Trump, George Conway, afirmou que a medida “não seria surpreendente em absoluto” e que seus seguidores não deveriam desconsiderar as afirmações de Carlson. O âncora internacional da CNN, Christiane Amanpour, também deu alguma credibilidade à postagem com sua reação. Analistas, no entanto, continuaram a tratar a hipótese com ceticismo. Daryl G. Kimball, diretor executivo da Arms Control Association, disse que um ataque nuclear é improvável, mas não impossível, especialmente considerando que um presidente instável e desesperado tem autoridade exclusiva para autorizar o uso de armas nucleares. Hans Kristensen, diretor do Nuclear Information Project da Federation of American Scientists, também considerou a possibilidade improvável.
O contexto mais amplo da relação entre Estados Unidos e Irã inclui uma guerra que já dura oito meses e que tem gerado consequências econômicas significativas. Carlson afirmou que as economias do Golfo estão cambaleando e que os mercados globais de energia e fertilizantes também foram afetados. Ele citou que, de cerca de 850 superpetroleiros usados para transportar petróleo em todo o mundo, 11 foram gravemente danificados no Estreito de Ormuz somente em outubro. O comentarista alertou que um ataque nuclear aceleraria radicalmente a destruição e que a precipitação radioativa de uma explosão terrestre na Montanha Pickaxe contaminaria o Golfo Pérsico, envenenando o abastecimento de água de cerca de 100 milhões de pessoas. Ele também argumentou que um ataque nuclear americano criaria um novo precedente e poderia encorajar a Rússia a usar armas nucleares contra a Ucrânia, o Paquistão e a Índia a fazerem o mesmo um contra o outro, e a Coreia do Norte a atacar Seul. “Após o primeiro ataque nuclear, a Terceira Guerra Mundial é inevitável. Essa guerra seria curta e final”, escreveu Carlson. Ele concluiu sua postagem alertando que as consequências de um ataque nuclear se estenderiam muito além do Irã e que o público internacional havia sido excluído de decisões que poderiam ameaçar milhões de vidas. “Agora seria o momento de eles se manifestarem”, afirmou.
A postagem de Carlson foi feita um dia antes de os Estados Unidos realizarem ataques “defensivos” contra a Ilha de Qeshm, no Irã, que um funcionário americano descreveu como limitados e não como uma retomada de grandes operações de combate. Os ataques ocorreram depois que Trump respondeu “não” quando questionado por um repórter se estaria considerando retomar os ataques ao Irã após a eleição de meio de mandato, o que levantou dúvidas sobre a posição atual de Washington na guerra. A sequência de eventos, no entanto, não confirmou a alegação de Carlson sobre um ataque nuclear iminente, e a Casa Branca manteve a posição de que o presidente não pretende usar armas nucleares.
Fontes consultadas
Anadolu Agency, “Trump could launch nuclear strike on Iran within days, commentator claims”, 2 de novembro de 2026. The Jerusalem Post, “Tucker Carlson: Donald Trump pressured by Benjamin Netanyahu to launch nuclear strike on Iran”, 3 de novembro de 2026. Kashmir Reader, “US journalist warns Trump may launch nuclear strike on Iran under pressure from Netanyahu”, 3 de novembro de 2026. Daily Mail, “Tucker Carlson claims Trump may be days away from using nuke on Iran to destroy its Pickaxe mountain lair in move that would mean ‘WW3 is inevitable’”, 2 de novembro de 2026. Mediaite, “‘Do Not Discount This!’ Tucker Carlson’s Warning That Trump May Nuke Iran Being Taken Seriously by Notable Figures on Both Sides”, 2 de novembro de 2026. APA News, “Lavrov: Tucker Carlson’s claim of possible US nuclear strike on Iran remains unconfirmed”, 3 de novembro de 2026. The War Zone, “A Nuclear Strike On Iran? It Sounds Absurd Because It Is. Let’s Talk About It”, 2 de novembro de 2026. The Spectator Australia, “Should we listen to Tucker Carlson about nuclear war?”, 2 de novembro de 2026. The Week, “Will US launch a nuclear strike on Iran? Tucker Carlson’s warnings spark outrage”, 3 de novembro de 2026. Pakistan Observer, “Tucker Carlson alleges Netanyahu pushing Trump towards nuclear attack on Iran”, 2 de novembro de 2026. Daily News (Sri Lanka), “Netanyahu pressing Trump to bomb Iran immediately after midterms”, 3 de novembro de 2026. Hum English, “Netanyahu presses Trump to strike Iran ‘immediately’ after US midterm elections, Axios reports”, 3 de novembro de 2026. Panorama, “Trump and Netanyahu hold phone conversation about Iran, Israel demands swift military action against Tehran”, 3 de novembro de 2026. The News (Paquistão), “Top journalist claims Netanyahu urging Trump to nuke Iran”, 3 de novembro de 2026. Iran International, “Israel denies pressing Trump for Iran strikes amid diplomatic push”, 2 de novembro de 2026. Al Arabiya English, “Israel’s UN envoy denies Netanyahu pressuring Trump to strike Iran”, 2 de novembro de 2026. Newsmax, “Trump says he wouldn’t use nuclear weapons against Iran”, 15 de outubro de 2026. The Washington Examiner, “Tucker Carlson has lost his mind. No, the US is not going to preemptively nuke Iran”, 2 de novembro de 2026.