Mistério em Pyongyang: Kim Jong Un sumiu, e boatos de morte na China explodem na web
Rumores sobre morte secreta de Kim Jong Un na China ganham força após oito dias sem aparições públicas, mas seguem sem confirmação oficial
Líder norte-coreano não é visto em público desde 11 de outubro; boatos de hemorragia cerebral e coma alimentam especulação internacional, enquanto Pyongyang e Pequim silenciam e mídia estatal divulga imagens para tentar desmentir
Uma onda de rumores não confirmados sobre uma possível morte secreta do líder norte-coreano, Kim Jong Un, na China, voltou a dominar o noticiário internacional nesta semana. A especulação ganhou força depois que Kim deixou de aparecer publicamente por oito dias consecutivos, o maior período de ausência em 2025. A última aparição confirmada do ditador ocorreu em 11 de outubro, durante uma visita a um museu de defesa em Pyongyang, onde esteve acompanhado da filha, Kim Ju Ae. Desde então, nenhuma imagem ou declaração oficial do líder foi divulgada por canais estatais norte-coreanos, abrindo espaço para uma série de versões sobre seu estado de saúde.
As alegações mais graves partiram de publicações em redes sociais e foram rapidamente amplificadas por veículos como o jornal britânico The Sun. Segundo essas versões, Kim Jong Un teria sofrido uma hemorragia cerebral grave, entrado em coma e sido transferido às pressas para o Hospital Peking Union Medical College, em Pequim, na China. O suposto traslado teria sido motivado pela alegada falta de estrutura médica adequada em Pyongyang para tratar um quadro neurológico daquela complexidade. Alguns relatos foram ainda mais longe e chegaram a afirmar que o líder norte-coreano teria morrido durante o tratamento na capital chinesa, embora nenhuma evidência tenha sido apresentada para sustentar essa versão.
A origem dos boatos é atribuída a publicações feitas em redes sociais por figuras como o dissidente chinês Wanjun Xie, radicado nos Estados Unidos e ligado ao Partido Democrático Chinês. Xie teria sido um dos primeiros a afirmar que Kim sofreu uma hemorragia cerebral seguida de coma e que, posteriormente, não resistiu. A partir dessas postagens, o rumor se espalhou por plataformas digitais e foi repercutido por tabloides internacionais, que citaram fontes anônimas e relatos não verificados. Até o momento, porém, não há qualquer confirmação independente sobre a veracidade dessas informações. Autoridades da Coreia do Norte e da China não emitiram nenhum comunicado oficial reconhecendo internação, hemorragia, coma ou morte de Kim Jong Un.
Em uma tentativa de conter a onda de especulação, a agência estatal norte-coreana KCNA divulgou, em 19 de outubro, uma série de fotografias que mostrariam Kim Jong Un em uma exposição nacional de vestuário e calçados em Pyongyang. Nas imagens, o líder aparece ao lado da esposa, Ri Sol Ju, e da filha, Kim Ju Ae, circulando pelo evento e conversando com funcionários. A divulgação das fotos foi interpretada por analistas como uma resposta indireta aos rumores, embora não tenha vindo acompanhada de qualquer declaração oficial sobre o estado de saúde do líder. Ainda assim, a aparição não foi suficiente para dissipar completamente as dúvidas, uma vez que não houve confirmação independente sobre a data exata em que as imagens foram captadas.
Esta não é a primeira vez que a saúde de Kim Jong Un se torna alvo de especulação internacional. Em 2020, um desaparecimento de aproximadamente 20 dias também desencadeou uma série de rumores de que o líder norte-coreano teria passado por um procedimento cardiovascular delicado e estaria em estado grave. Na ocasião, o serviço de inteligência da Coreia do Sul chegou a afirmar que não havia sinais de que Kim tivesse sido submetido a uma cirurgia cardíaca, e o próprio líder reapareceu em público semanas depois, caminhando com o auxílio de um bastão. O episódio de 2025 repete o padrão de ausências prolongadas seguidas de silêncio oficial, o que historicamente tem alimentado ciclos de boatos sobre a saúde do ditador.
A ausência de confirmações oficiais mantém o caso em aberto. Enquanto Pyongyang não se pronuncia de forma direta e Pequim não comenta o suposto traslado, os rumores sobre uma morte secreta na China continuam a circular, sustentados apenas por relatos não verificados e pela tradição de opacidade do regime norte-coreano. A comunidade internacional segue monitorando possíveis sinais de instabilidade em Pyongyang, mas, até o momento, não há evidências concretas que permitam afirmar que Kim Jong Un esteja morto ou incapacitado.
Fontes consultadas:
Agência Yonhap (Coreia do Sul)
Jornal The Sun (Reino Unido)
Jornal Il Giornale (Itália)
Portal BZI (Romênia)
Jornal Sözcü (Turquia)
Diario Popular (Argentina)
Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA)
Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS)
RTBF (Bélgica)
Daily Mail (Reino Unido)