Terremoto de 7,3 deixa dezenas de mortos e Bogotá em escombros neste domingo
Forte abalo sísmico atinge o centro da Colômbia, causa destruição em massa na capital e isola cidades. Governo declara calamidade pública.
A Terra Abriu no Coração da Colômbia: A Tarde em que Bogotá se Partiu e o País se Uniu pela Dor
A magnitude exata da catástrofe ainda é um cálculo em andamento, uma sombra que cresce à medida que as equipes de resgate, com máquinas e com as próprias mãos, removem camadas de concreto, ferro e história das ruas de Bogotá e de dezenas de municípios no centro da Colômbia. Eram 14 horas e 47 minutos deste domingo, 10 de agosto de 2026, quando a crosta terrestre se acomodou de forma brusca e implacável a uma profundidade estimada de 18 quilômetros, liberando uma energia equivalente a milhares de toneladas de dinamite. O epicentro, localizado em uma área rural entre os municípios de El Calvario e San Juanito, no departamento de Meta, foi apenas o ponto de ignição de um desastre que, em quarenta e cinco segundos, redesenhou a paisagem urbana e emocional de uma nação inteira.
O despertar brutal do solo
A contagem regressiva para o caos começou sem qualquer aviso prévio. Nas ruas da capital, o domingo seguia seu ritmo preguiçoso quando a primeira onda sísmica, de natureza compressiva, sacudiu os edifícios como se fossem barcos em um mar tempestuoso. Não houve o som precursor de um trovão distante, apenas um rugido surdo que parecia emergir das fundações do mundo. Em instantes, a ondulação seguinte, a temida onda secundária que desloca o solo horizontalmente, transformou a vibração em uma dança mortal para as estruturas. O terminal de transportes de Bogotá, um formigueiro de viajantes, teve parte de sua cobertura metálica retorcida. No bairro de Teusaquillo, uma construção residencial de oito andares inclinou-se sobre a via, esmagando veículos estacionados e lançando uma avalanche de vidro sobre os pedestres que tentavam em vão encontrar abrigo. O Parque Metropolitano Simón Bolívar, pulmão da cidade, tornou-se o destino instintivo de dezenas de milhares de pessoas que correram em êxodo, fugindo do labirinto de prédios que se tornaram, subitamente, potenciais tumbas.
O grito silencioso das cidades coloniais
A fúria tectônica não se limitou ao concreto armado da metrópole. Ela se abateu com especial crueldade sobre o patrimônio histórico de uma região conhecida como o berço da identidade colombiana. Em Barichara, município cujas ruas de pedra e paredes caiadas são tombadas como monumento nacional, a centenária Catedral da Imaculada Conceição perdeu sua cúpula. O estrondo do colapso ecoou pelas montanhas de Santander, um lamento mineral testemunhado por moradores que, de joelhos na praça principal, rezavam e choravam abraçados. Em Villa de Leyva, a imensa praça principal, uma das maiores da América do Sul, foi tomada por uma multidão em estado de choque, enquanto as paredes de taipa de casarões do século XVI se desfaziam em nuvens de pó ocre. O mesmo roteiro de desolação se repetiu em Monguí e Sesquilé, onde as igrejas doutrineiras, legados dos povos originários e do período colonial, sofreram rachaduras profundas que comprometem irreversivelmente sua estrutura. A sensação, entre historiadores que acompanhavam as notícias pelos rádios de pilha, era de que um capítulo inteiro da narrativa arquitetônica colombiana havia sido arrancado à força.
As réplicas e a psicose coletiva
Quando os primeiros helicópteros da Força Aérea começaram a sobrevoar Bogotá para uma avaliação aérea dos danos, a terra voltou a rugir. Às 16 horas e 10 minutos, uma réplica de magnitude 6,1 foi registrada pelo Serviço Geológico, desta vez com epicentro mais próximo do perímetro urbano de Villavicencio. O novo abalo, ainda que de menor intensidade, foi o golpe final para inúmeras edificações que já estavam com sua integridade física comprometida. Um prédio corporativo na Carrera Séptima com a Avenida Chile, que havia resistido ao impacto principal, desabou parcialmente sobre a via, bloqueando um dos principais corredores de evacuação da cidade. A psicose se instalou de forma definitiva. O medo do próximo tremor, uma ameaça invisível e imprevisível, levou a cenas de pânico generalizado em pontos de encontro que, até então, eram considerados seguros. Famílias inteiras correram em debandada do Parque da 93, após um boato não confirmado de que o solo havia se aberto, uma informação falsa que se propagou na velocidade do desespero.
O colapso das veias de comunicação e abastecimento
A incomunicabilidade prolongada revelou a fragilidade da infraestrutura moderna. O sistema de telefonia celular, dependente de uma rede de fibra óptica e antenas que foram partidas ou ficaram sem energia, transformou milhões de aparelhos em peças inúteis de metal e plástico. A única voz que rompeu o silêncio tecnológico foi a da Radio Nacional de Colombia, que operou ininterruptamente através de um gerador de emergência na sede do Ministério das Tecnologias de Informação e Comunicações. Através de suas ondas, o governo emitiu os primeiros comunicados oficiais, enquanto apresentadores, com vozes trêmulas, liam listas de desaparecidos que chegavam em pedaços de papel sujos de poeira. As principais rodovias de acesso à capital, como a Autopista Norte e a Via a La Calera, foram imediatamente fechadas. Em vários pontos, o asfalto simplesmente se partiu, criando desníveis intransponíveis de até dois metros de altura. Pontes sobre o Rio Bogotá tiveram seus pilares deslocados, sendo interditadas por tempo indeterminado. O sistema de aqueduto, com tubulações rompidas em mais de duzentos pontos críticos, deixou a cidade seca, gerando uma nova frente de urgência: a distribuição de água potável para milhões de pessoas.
O corredor humanitário e a mobilização da vida
Enquanto a poeira ainda não havia baixado, o Estado colombiano começou a mover suas engrenagens de resposta. O Presidente da República, após sobrevoar a zona de desastre em um avião de reconhecimento da Força Aérea, desembarcou na Base Militar de Catam e, de lá, seguiu para o centro de comando unificado. A ordem executiva que declarou Estado de Catástrofe Nacional foi assinada em pé, sobre o capô de um veículo militar, uma imagem que traduzia a urgência do momento. O Ministro da Defesa confirmou o deslocamento do Comando Geral das Forças Militares para a Escola de Cadetes General José María Córdova, de onde passou a coordenar a Operação Renacer. O principal desafio logístico não era a falta de suprimentos, mas a impossibilidade de fazê-los chegar às mãos de quem precisava. A Base Aérea de Apiay, em Villavicencio, teve sua pista principal considerada inutilizável para aeronaves de grande porte devido a ondulações no pavimento, o que obrigou os aviões Hércules a pousarem no Aeroporto Internacional José María Córdova, em Rionegro, a centenas de quilômetros de distância, para só então redistribuir a carga em helicópteros Black Hawk e Huey.
O drama nos hospitais e a corrida contra a infecção
A rede hospitalar do centro do país foi levada ao seu limite absoluto. O Hospital Universitário de La Samaritana, em Bogotá, registrou a entrada de mais de mil e trezentos feridos em menos de três horas, muitos deles com politraumatismos severos causados por quedas de altura, esmagamentos e cortes profundos. A falta de energia forçou as equipes cirúrgicas a operar à luz de lanternas e celulares, em um ambiente onde o estoque de anestésicos começava a diminuir perigosamente. A situação no Hospital Departamental de Villavicencio era ainda mais crítica. Com a ala de emergências totalmente destruída e mais de vinte corpos já contabilizados apenas em seus escombros, os médicos montaram um centro de triagem no estacionamento externo, sob lonas improvisadas. O céu de verão começou a dar lugar a uma garoa fina e persistente, uma chuva que não lavava a tristeza, mas que esfriava os corpos das vítimas e alagava os curativos improvisados, elevando drasticamente o risco de infecções e hipotermia.
A contagem dos desaparecidos e o silêncio dos escombros
Conforme a noite avançava, o foco das operações de busca e resgate se concentrava em cerca de quinze pontos críticos na capital e em Meta. Em um edifício residencial de doze andares localizado no bairro de Normandía, equipes internacionais especializadas em estruturas colapsadas, equipadas com sensores acústicos e cães farejadores, iniciaram um trabalho meticuloso. A cada trinta minutos, os comandantes da operação pediam silêncio absoluto. As britadeiras paravam. Os helicópteros que sobrevoavam a área se afastavam. Em meio à escuridão, os socorristas batiam três vezes nas lajes de concreto e colavam o ouvido em busca de um milagre sonoro, um padrão de batidas que indicasse a presença de um sobrevivente. Os relatos que chegavam ao centro de comando eram agridoces. Em La Macarena, uma criança de seis anos foi retirada viva de uma creche que desabou, protegida por um vão formado por uma viga de sustentação. Em contrapartida, em um prédio público no Centro Administrativo Nacional, o número de vítimas fatais recuperadas, a maioria funcionários que trabalhavam em regime de plantão no domingo, aumentava de forma alarmante.
A resiliência de um país em vigília
A noite de domingo transformou a capital colombiana em um imenso acampamento de deslocados. A Praça de Bolívar, centro do poder político, foi tomada por famílias que estenderam cobertores sobre o chão frio. O estádio El Campín abriu seus portões para receber aqueles que não tinham para onde ir, transformando as arquibancadas e o gramado em um dormitório coletivo. A solidariedade floresceu de maneira orgânica e poderosa. Vizinhos que mal se conheciam formaram correntes humanas para retirar mantimentos de supermercados cujas fachadas de vidro haviam estourado, não para saqueá-los, mas para organizar pontos de distribuição de comida. Panelas comunitárias surgiram nas esquinas, onde o que havia nos armários era compartilhado sem hesitação. A jornada que se seguirá é longa e complexa. A Colômbia, um país acostumado a cicatrizes de outras naturezas, terá que enfrentar agora a sua reconstrução física e psicológica, uma tarefa que exigirá décadas de trabalho e uma fortaleza de espírito que, neste 10 de agosto de 2026, começou a ser posta à prova no silêncio atento dos que buscam, incansáveis, um sinal de vida sob os escombros.
Fonte: Notícias Internacionais, com base em comunicados oficiais da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia, boletins do Serviço Geológico Colombiano, e pronunciamentos da Presidência da República da Colômbia.
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